Motoristas do SAMU são impedidos de jantar e lavar ambulâncias no hospital de Santa Maria

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Segundo motoristas, lavar ambulâncias próximo ao local de refeição, permite ação rápida em caso de chamadas de atendimentos de urgência  

Por Kleber Karpov

Na noite de quinta-feira (27/Jun), Política Distrital (PD), recebeu denúncia que motoristas do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU), foram impedidos de adentrarem com as ambulâncias, para jantar e realizar a descontaminação das viaturas, no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). O hospital, atualmente, está sob gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IGESDF).

Em um vídeo, recebido por PD, os samuzeiros mostram o portão do HRSM fechado, no local onde as ambulâncias são lavadas, e reclamam do impedimento de acesso ao hospital, para jantar e lavar as viaturas.

O motorista que gravou o vídeo, chamou atenção ainda, para uma ambulância do Corpo de Bombeiros, dentro da área do HRSM e reforçou a revolta com o impedimento de as ambulâncias do SAMU entrarem no local.

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Desabafo

Juntamente com o vídeo, PD recebeu ainda uma mensagem em que o profissional questiona o tratamento dispensado aos profissionais do SAMU. “Samu proibido de adentrar na garagem do HRSM e onde é o unico local preconizado pela vigilância sanitária para se fazer higienizacão das VTRS e onde poderiamos estacionar para se fazer as refeições. Qual motivo se somos servidores da Ses DF as VTRs pertence ao mesmo governo. Qual motivo de tanta retalhação essa entidade que presta um serviço de excelência a população?(SIC)”.

PD conversou com o ‘samuzeiro’, que encaminhou a imagem e questionou o motivo do impedimento do acesso a unidade. Sob sigilo de identidade, o profissional do SAMU explicou que o HRSM, para quem atua na região do Gama, é a única unidade de saúde mais próxima, em que é possível lavar o veículo.

“Quando as ambulâncias ficam sujas em um socorro, com sangue, vômito ou secreção, ela precisa ser lavada. E para nós da região do Gama, o Hospital de Santa Maria é o único local que temos para lavar as ambulâncias. Em geral a gente faz a refeição, em local próximo a viatura, pois se houver algum chamado de emergência, a gente consegue fazer um deslocamento rápido.”, disse ao frisar que foram barrados por diversas vezes ao longo do mês.

Da SES. Pero no mucho?

Por força do Decreto n° 39.674 de 19 de fevereiro desse ano, os hospitais de Base do DF (HBDF), Regional de Santa Maria (HRSM) além das seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do DF, passaram a gestão do IGESDF.

Embora continuem a pertencer à Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), as refeições parecem ter se tornado um problema entre servidores ativos, com a reclamação dos ‘samuzeiros’, e também dos profissionais contratados. Denúncia recebida por PD, no início dessa semana, apontam que os celetistas, estão pagando, do próprio bolso, pelas refeições e, até mesmo, pelo transporte.

A outra parte

Sobre o problema com os motoristas do SAMU, PD acionou a SES-DF sobre o assunto, assim como o presidente do IGESDF, Francisco Araújo, que embora tenha visualizado a mensagem, não deu retorno sobre a reclamação.

Após publicação da matéria, a SES-DF posicitou que se trata de ação isolada da segurança do HRSM. “Não existe determinação da direção do Hospital Regional de Santa Maria no sentido de impedir o acesso dos veículos do Samu. Não há registro formal da ocorrência. Segundo a direção, a decisão partiu  do vigilante de plantão, que deverá ser colocado à disposição da empresa terceirizada.”.

Opinião

Nesta semana, o IGESDF lançou o Projeto Humanizar, com a proposta de promover um “acolhimento humanizado para os pacientes na rede pública de saúde do Distrito Federal”.

Um bom caminho para o sucesso do projeto, e tornar, principalmente, os servidores públicos, em geral alvos de críticas por parte da população, instrumentos do processo do atendimento humanizado. Um bom caminho, é começar o projeto, de dentro para fora.

Atualização: 28/06/2019 às 16h25 para inclusão de parecer do IGESDF