CRM-DF aponta tragédia anunciada na obstetrícia do DF, mas Secretaria de Saúde contesta

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Para secretária adjunta de assistência à saúde, mesmo com dificuldades, Saúde do DF garante manutenção da qualidade de atendimento

Por Kleber Karpov

No final de março, a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), reagiu a uma publicação do Conselho Regional de Medicina do DF (CRR-DF), ao apresentar a “Crônica de uma tragédia anunciada”, em relação as obstetrícias do DF. No artigo, o presidente do CRM-DF, Farid Buitrago Sanchez, aponta o déficit de médicos e outros profissionais de saúde, como prenúncio de uma “situação de desastre anunciado”.

No artigo Buitrago, lembra que o DF atua com número reduzido de profissionais, a ponto de, um único médico em escala de plantão, desempenhar atendimentos emergenciais, o que pode colocar em risco a saúde e o bem estar, tanto de mães, quanto de fetos.

“É impossível para um único profissional dar conta da demanda e definir prioridades de atendimento. Se a paciente necessitar de uma intervenção cirúrgica, por exemplo, um único medico não consegue atender a demanda, sob risco de levar ao um óbito fetal ou outras complicações.”, afirma Buitrago.

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Buitrago, alerta para a impossibilidade de, um único médico, atender as demandas durante o plantão e realizar uma intervenção cirúrgica, em casos de necessidades.  Algo que pode ocasionar óbitos fetais, ou outras complicações aos pacientes. “Se a paciente necessitar de uma intervenção cirúrgica, por exemplo, um único medico não consegue atender a demanda, sob risco de levar ao um óbito fetal ou outras complicações.”.

Para o presidente do CRM-DF, é questão de tempo, até que a imprensa noticie caso de óbito fetal ou algum “desfecho desfavorável na assistência as gestantes em alguma unidade de saúde do SUS do Distrito Federal”. Buitrago alerta ainda para as péssimas e precárias condições de trabalho.

Por fim, Buitrago cobra da SES-DF, uma solução a falta de assistência nas unidades de Pronto-Socorro obstétrico, “que foram esquecidas por governos anteriores”. O presidente do Conselho cobra ainda, a contratação de novos profissionais de modo a evitar a “crônica de uma morte anunciada”.

Contestação

A resposta da SES-DF, veio por meo do Ofício SEI-GDF Nº 40/2019 – SES/SAA, assinado pela secretária adjunta de Assistência à Saúde da SES-DF, Renata Soares Rainha. No documento, a gestora reconhece o que classificou de “pior momento” da Saúde do DF, enfrentado, desde 2013, ainda na gestão do ex-governador do DF, Agnelo Queiroz (PT).
Renata Rainha afirma que “tem sido uma preocupação frequente da SES-DF, elaborar certames com vistas aos chamamentos de médicos ginecologistas/obstetras para recomposição de recursos humanos, porém observa-se que há um certo desinteresse por parte da classe médica em assumir os postos de trabalho.

Ainda de acordo com a gestora, desde 2013, a SES-DF convocou cerca de 300 médicos aprovados em concursos, porém, “60% não assumiram ou assumiram e exoneraram em pouco tempo”. A gestora lembrou ainda o impacto de afastamentos de profissionais, decorrentes de óbitos, aposentadorias e licenças médicas prolongadas, o que pulverizou tais nomeações.

Renata Rainha admitiu que “o déficit de recurso humano impacta diretamente na qualidade da assistência ao usuário e conforme descrito acima”, e afirmou que “a SES-DF segue empenhada no oferecimento de vagas via concurso público.”. Porém, a gestora negou ser regra, a escalação de apenas um médico nas emergências e atribui tal situação a eventualidades e aponta manutenção e até redução dos índices de óbitos no DF.

“Fato concreto que, a despeito dos desfalques em escalas de serviço, o que se viu nos últimos 7 anos foi uma manutenção ou redução discreta nos números de mortalidade materna e fetal das usuárias procedentes do Distrito Federal. No entanto a SES-DF tem conhecimento da situação frágil em que se encontram as maternidades do DF, trabalha com metas desafiadoras em busca da redução gradual e contínua dos índices de mortalidade materna e fetal, através de ações práticas continuadas em todos os níveis da assistência (primária, secundária e hospitalar).”.

Por fim, Renata Rainha refuta a afirmação do presidente do CRM-DF, quanto a afirmação que houve um “esquecimento dos pronto-socorros por parte dos governos anteriores”. Segundo a gestora, tal afirmação “não encontra respaldo em dados oficiais”.

Confira na íntegra