Sabatina virtual: Fábio Gondim expõe vísceras da gestão da Saúde do governo Rollemberg

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Ex-secretário criticou a capacidade de agregaR de forças do governador do DF e falou sobre falta de gestão na Saúde

Por Kleber Karpov

Pré-candidato a deputado federal, o ex-secretário de Estado de Saúde do DF (SES-DF), Fábio Gondim (PSDB), provocado por membros de um grupo no Whatsapp ‘Pega Fogo Cabaré’, abriu o verbo e falou sobre problemas da gestão da Saúde e do governo de Rodrigo Rollemberg (PSB).

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Após, Bete Guilhermino,  membro do grupo sugeririr que “O coitado do @Rodrigo Rollemberg dorme com o inimigo desde sua posse, mas agora muitos estão mostrando suas garras!’, Gondim afirmou: “Rollemberg está colhendo o que plantou, Bete… Não estou falando e nem desejando mal.. Só constatando.”, disse ao afirmar que o chefe do Executivo “usou a máquina para ter uma base alugada. Só que eu sempre disse que base alugada é diferente de base aliada. E disse, ainda, que base alugada não funciona em eleição. Ele deve ter achado que seria capaz de compensar a impopularidade comprando as pessoas… Só que não.”.

Gondim, destacou que, na condição de ex-secretário poderia ser aliado do governo, mas que Rollemberg “Mas ele afasta as pessoas… Ela faz questão disso e parece perseguir esse objetivo com afinco.”, disse ao lembrar que o chefe do Executivo “não tem um ex-membro do governo que esteja do lado dele hoje. Todos desistiram de apoiá-lo. Não é traição… é amadurecimento acerca do que se vê.”.

Horas Extras

Ao ser abordado sobre o retorno das horas extras à pauta do governo, Gondim criticou a falta de debate, com profundidade, de temas relevantes ao governo. “Quase nada tem sido debatido com profundidade no governo. Tudo é muito superficial… Soluções definitivas e estruturantes demandam tempo e esforço e, isso, ninguém quer fazer. Eu já tinha determinado para a minha SUGEP que queria o tempo de tratamento das informações relativas às horas extras minimizado… Queria até pagar na frente e, constatando erro depois, corrigir no próximo contracheque. Estávamos trabalhando para isso.”.

Carga horária

Gondim também afirmou que defendia a duplicação da jornada aos servidores, por sair mais barato que se pagar as horas extras. “Também defendia a duplicação de jornada para os que quisessem… Melhor que ficar pagando horas-extras mais caras. Nunca consegui convencer ninguém, mas, também, nunca ninguém discutiu o assunto com profundidade comigo, apesar de eu ter me preparado para o debate com números. Enfim… O assunto não sensibilizou e parece que as pessoas acham normal ficar atrasando todos os meses um pagamento corriqueiro.”.

Exoneração

Questionado sobre a exoneração, até o momento sem explicação, para a população do DF e, se houve alguma sabotagem por parte do governador, Gondim explicou que “Criaram uma situação insustentável e eu tive que pedir para sair…”. O ex-secretário de saúde colocou à mesa, um clima de ‘cortina de fumaça’ sob a gestão de Rollemberg, ao afirmar ser “contra interesses escusos… Minha vida toda eu trabalhei pela qualidade da gestão, transparência do gasto público… Não aceito má-fé nas Secretarias que ocupo. Já foram seis Secretarias e jamais fui envolvido em nenhum escândalo.”.

Orçamento e gestão

Ao ser questionado sobre o orçamento da pasta, uma vez que o DF está entre os estados com maior detenção de recursos financeiros. Informação essa ratificada por Gondim. “Brasília tem quatro vezes mais orçamento per capita do qualquer outra unidade… Dinheiro tem… mas, de fato, gastaram.”, disse ao exemplificar a falta de gestão da Saúde “A gestão da Saúde tem sido amadora. Não tinha nem informação gerencial… O sistema Trak Care nem era corretamente alimentado porque ninguém jamais se preocupou em tirar informações dele. Pelo que sei, continua assim. Imagine uma empresa privada de orçamento anual de R$ 7,5 bilhões que não tenha relatórios, gráficos, projeções… Consegue imaginar?! Eu não! Mas a Saúde é assim!”.

Logística e faturamento

Questionado sober a existência de logística de manutenção, o gestor lembrou a existência de desperdícios e desvios na pasta. “O problema é mais básico que isso. Há desperdícios demais, desvios demais. Tem que melhorar a qualidade da distribuição dos recursos humanos e a logística dos medicamentos, insumos e materiais hospitalares. Isso daria uma economia anual de uns R$ 700 mi. Dinheiro suficiente para reabastecer toda a rede.”.

Gondim lembrou que as unidades de saúde perdem recursos por parte do governo federal, por erros de iniciativa. “Além disso, a notificação do que é feito é absolutamente negligenciada. Por causa dessa falha básica e fácil de arrumar, deixamos de receber centenas de milhões por ano. Só o Hospital de Base, por exemplo, gastava R$ 48 mi/mês, mas faturava apenas R$ 10 mi.”.

Auditoria

Um dos membros colocou à mesa a necessidade de se fazer uma “auditoria profunda” na Pasta. O que Gondim descartou, em decorrência da obviedade dos problemas da Saúde. “Auditoria é para identificar falhas intencionais ou não, criminosas ou não, difíceis de se identificar. Os problemas na Saúde pulam aos olhos… pelo menos de quem entende de gestão. Não precisa de auditoria ainda.”.

Perspectiva negada

Questionado se poderia ter feito mais, Gondim, negou. “Não… honestamente, não! Trabalhei até o limite da minha capacidade física todos os dias. Todos! Sabados, domingos e feriados. Natal, Ano Novo e carnaval. Usei tudo que sei de gestão, montei uma equipe coesa e competente… Fizemos muita coisa boa num prazo inimaginável.”.

Mas o ex-secretário aponta que a Saúde do DF, estaria melhor se ainda estivesse à frente da pasta. “Se estivesse até hoje, colocando nosso plano em frente, não tenho dúvida alguma de que, hoje, a Saúde estaria muito melhor e, com mais um mandato, deixaríamos bem razoável já, em direção ao bom…”

Reestruturação

Para Gondim, algumas iniciativas práticas, ainda pode reverter o caos da Saúde Pública do DF. ‘Paralelamente a essas três ações que mencionei, reestruturamos a própria Secretaria. Separei pedido, compra, recebimento e pagamento, antes sob o comando de uma só pessoa e, portanto, mais suscetível de falhas e roubos.. Enfim, meu amigo… Tínhamos um grande plano… Já fiz muita coisa muito difícil dar certo. A Saúde seria mais uma delas.”, disse ao observar que “Mas dá para desfazer e deixar tudo bem.”.

Pré-candidato

Sobre a pré-candidatura à uma vaga para deputado federal, Gondim afirmou que pretende “fortalecer as instituições, o combate à corrupção.”, o que de acordo com o gestor, ocorre por meio da valorização do servidor público.

Sou contra as reformas descuidadas, sem técnica, sem visão. Reforma da previdência como proposto, jamais. O direito adquirido para a previdência deve ser revisto. Não pode ser só quando a pessoa já tem direito para se aposentar. Na área empresarial quero defender duas coisas: a criminalização do “calote”, a exemplo do que Rollemberg fez, não pagando as despesas assumidas pelo governo anterior e a desoneração tributária severa, para viabilizar a atração de investimentos de alta tecnologia e não poluentes. Estimular a mudança da matriz energética para fontes limpas, fotovoltaica e eólica. Convênios com universidades para parcerias com a iniciativa privada. O mundo está sofrendo… precisamos salvar o nosso planeta!!”, disse.

Em tempo

Rollemberg faz parte do grupo e não rebateu nenhum comentário

Atualização: 23/4/18 às 13h55

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