Após denúncias de falta de ar condicionado no Centro Cirúrgico, Instituto Hospital de Base suspende cirurgias eletivas

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IHBDF aponta falta de ar condicionado, anestesiologistas e enfermeiros para justificar suspensão do serviço

Por Kleber Karpov

Após denúncia publicada por Política Distrital (PD)(22/Mar), em relação ao funcionamento do Centro Cirúrgico (CC) do Instituto Hospital de Base do DF (IHBDF), sem climatização de ambiente, por ar condicionado, a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) suspendeu a realização de cirurgias eletivas na unidade. Por meio de um Despacho, o IHBDF, anunciou o “plano de contingencionamento” que mantém a suspensão até a se “restabeleça o controle adequado de temperatura” no CC.

No documento, a Secretaria também informa que os anestesiologistas e enfermeiros  do CC devem ser redirecionados para as “cirurgias não programadas”, de urgência e emergência.

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Negligência

O funcionamento do CC, sem o funcionamento do ar condicionado, também foi lembrado pelo deputado distrital, Chico Vigilante (PT). O parlamentar, ao denunciar o caso de uma servidora que pediu licença, por três anos, da SES-DF, para assumir cargo de direção no IHBDF, com salário de R$ 15 mil, Vigilante questionou o real motivo de conversão do Hospital de Base em Instituto. “O instituto Hospital de Base do DF está apostando em altos salários para a função administrativa e a atividade fim está sendo negligenciada”, relata o denunciante.

Reações

Ao Política Distrital (PD) os distritais, Raimundo Ribeiro e Celina Leão, ambos do PPS também questionaram as “reais intenções” do governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), ao criar o Instituto.

“Não adianta, você criar um Instituto, e tentar enganar a população quando todo mundo sabe que o problema do ‘desgoverno‘ Rollemberg é falta de gestão. Já são quase quatro meses de funcionamento e esse Instituto não mostrou a que veio.”, firmou Ribeiro.

Celina Leão por sua vez, afirmou que vai cobrar explicações ao chefe do Executivo classificou a suspensão do ar condicionado como “extremamente grave”. Segundo a parlamentar “É preocupante e extremamente grave que esse Instituto que foi anunciado pelo governador Rodrigo Rollemberg, que iria agilizar a compras de medicamentos, de equipamentos, após ter se transformado em Serviço Social Autônomo, anunciar apenas 20% de aumento de atendimento, e agora mostra que está pior que antes da mudança. Antes pelo menos não ouvíamos falar de falta de sedativo para paciente internado e agora de suspensão de cirurgias. Sem contar as condições que os servidores estão tendo que trabalhar. Nós queremos que o governador Rodrigo Rollemberg, explique o que está havendo no Hospital de Base e por que, em vez de arrumar o ar condicionado, o hospital está suspendendo as cirurgias eletivas.”, disparou.

Entenda o caso

A suspensão das cirurgias eletivas ocorreu, após o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF) fazer visita ‘in-loco‘, no IHBDF, para apurar denúncia da falta de ar condicionado em todas as salas do CC e de sobrecarga em relação ao dimensionamento de equipes, por parte dos gestores.

A intervenção do Sindate-DF chegou a resultar em hostilidade por parte de seguranças do Instituto, porém, após serem recebidos pelo diretor do hospital, Ismael Alexandrino, a promessa é que os problemas seriam resolvidos.

Além da falta de ar condicionado no CC, algo em desacordo com normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), os servidores denunciaram problemas com dimensionamento de pessoal. No IHBDF, profissionais de enfermagem são responsáveis pelo atendimento de 20 a 25 pacientes, no Pronto Socorro (PS), da unidade, quando portaria do próprio secretário de Saúde, Humberto Lucena Pereira da Fonseca, determina a proporção de um para seis.

O que diz a SES-DF?

PD questionou junto a SES-DF como devem ficar os atendimentos agendados das cirurgias eletivas, se transferidos para outras unidades ou, simplesmente suspensos, e ainda, qual a previsão de normalização dos procedimentos cirúrgicos no IHBDF. Porém, a pasta não se posicionou, até o momento da publicação da matéria.