Irresponsabilidade e omissão: Secretaria espera mais de 30 dias para divulgar primeira morte por febre amarela no DF

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Omissão, falta de planejamento, estratégia e gestão por demora no aviso e falta alerta à população apontam sindicato e ex-secretário de saúde do DF

Por Kleber Karpov

A Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) divulgou nesta sexta-feira (29/Dez), a primeira ocorrência de morte, de pessoa residente no DF, em decorrência de febre amarela, por infecção pelo vírus Aedes Aegypt. A vítima, um psicólogo, sem nome revelado para SES-DF, de 43 anos, que morava no Sudoeste. Em 2017, outros dois óbitos foram apontados, porém, de pessoas, supostamente, contaminadas fora do DF.

De acordo com matéria publicada pela Agência Brasília, embora a SES-DF tivesse conhecimento do caso há mais de um mês, apenas em 21 de dezembro houve a conclusão de exames laboratoriais para confirmar a morte do psicólogo por febre amarela.

Na matéria, o subsecretário de Vigilância à Saúde, Marcus Vinícius Quito afirmou que “foram feitas varreduras nas áreas de contato, captura e análise dos vetores”, além de “desencadear ações como análise da situação dos residentes das áreas suspeitas e o chamado bloqueio vacinal, com 166 novas doses aplicadas só no fim de semana subsequente ao óbito. Isso, para amenizar o risco de propagação da doença no DF”.

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No entanto

Em 24 de novembro, exames já confirmavam a contaminação, do psicólogo por febre amarela. Na ocasião a SES-DF chegou a colocar um carro de fumacê na Região Administrativa Sudoeste, distante há cerca de 20 quilômetros do local da contaminação por parte do psicólogo, conforme mostra reportagem do G1.

“O exame que apontou a presença do vírus foi feito pela Secretaria de Saúde no hospital Santa Lúcia, da Asa Sul, onde o paciente foi internado. Até as 18h30, não havia informações se o caso era tratado como silvestre ou urbano.”

No dia seguinte (25/Nov), conforme entrevista do subsecretário de vigilância à Saúde, Marcos Quito, também em matéria publicada pelo G1, confirmou o exame positivo para contaminação com o vírus da febre amarela.

“São vários exames que são realizados para a confirmação de caso suspeito de febre amarela. Um deles deu positivo para febre amarela e o outro deu inconclusivo. Nós estamos então fazendo uma avaliação mais detalhada”, disse Marcos Quito.

Demora e omissão

Foto: Reprodução/Facebook

Política Distrital (PD) conversou sobre o caso com o ex-secretário de Saúde, Fábio Gondim que criticou a omissão por parte do governo em relação à alta de alerta à comunidade moradora da região em que psicólogo foi contaminado pelo vírus da febre amarela.

“Mais absurda do que a morte estúpida de um homem por uma doença radicada há décadas é a ausência de alerta a toda população do Jardim Botânico, Tororó e condomínios adjacentes. Centenas de milhares de pessoas que vivem na área onde a doença foi contraída passaram mais de trinta dias sem um único alerta e sem poderem tomar providências para protegerem suas famílias! O governo se omitiu de maneira inaceitavel!”, disse Fábio Gondim.

O ex-gestor criticou ainda a regressão da capacidade de o governo dar respostas rápidas à popualção do DF e tentou confortar a família do psicólogo “Minhas condolências à família do falecido, que deve estar sofrendo demais com uma morte tão estúpida. Parece que estamos esperando sempre mais do que o governo consegue fazer. Uma pena!”, disse Gondim.

Irresponsabilidade

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do DF (SINDMÉDICO-DF), Gutemberg Fialho, esse é mais um caso de irresponsabilidade por parte do secretário de Saúde, Humberto Lucena Pereira da Fonseca. Dado as circunstâncias e a demora, por parte da SES-DF em divulgar o ocorrência, uma vez que moradores das regiões condominiais próximas ao Jardim Botânico e ao Tororó, podem estar expostas ao risco de contaminação.

“Para quem conhece a região em que esse psicólogo aparentemente foi contaminado pelo vírus da febre amarela, sabe que se trata de uma região com um bioma peculiar, de matas, em que vivem animais silvestres, como o macaco, que é um hospedeiro natural do vírus do Aedes Aegypt. É uma área com uma densidade populacional que ultrapassa 600 mil moradores, que vai desde o Altiplano Leste até o Tororó e passa pela região do Jardim Botânico e inclusive pela Região Administrativa de São Sebastião. Sem contar a proximidade, também, com o Lago Sul e o Lago Norte, que são áreas extremamente arborizadas. Portanto, se a Secretaria de Saúde já tinha conhecimento há mais de um mês o senhor secretário de saúde deveria ter feito uma campanha de conscientização para alertar a população local, mas não vimos nenhuma iniciativa nesse sentido. É uma total falta de planejamento, de estratégia e de gestão”, disse Gutemberg Fialho.

Gutemberg Fialho lembrou ainda as mortes evitáveis e a falta de estrutura nas unidades de saúde do DF, em que há óbtitos sendo registrados apenas como se fossem paradas cárdiorespiratórias, uma vez que os médicos não conseguem evoluir os tratamentos dos pacientes internados, o que pode mascarar outros casos de mortes por febre amarela na rede pública de saúde.

“Não podemos esquecer que, conforme temos denunciado, a incidência do aumento de mortes evitáveis e a falta de estrutura e de gestão desse governo, pode estar mascarando outros casos. Afinal, temos óbitos sendo associados insuficiência cardiorRespiratória, por exemplo, por total falta de estrutura que compromete a atuação do médico na rede da Secretaria de saúde, para salvar vidas, que em geral, não há investigação da verdadeira causa do óbito dos pacientes.”, concluiu Gutemberg Fialho. 

Características e sintomas da doença

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, transmitida somente pela picada de mosquitos. É comum em macacos, os principais hospedeiros do vírus.

A infecção é dividida em silvestre ou urbana. No primeiro tipo, o vírus passa do macaco para o mosquito e depois para o homem, em ambientes de matas e vegetações.

Já a urbana ocorre nas cidades, podendo ser transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya.

Os sintomas da doença incluem febre alta, dores no corpo e nas articulações, náuseas e vômito. Em alguns casos, a doença pode evoluir após um breve período de melhora.

Surgem então sintomas como icterícia (coloração amarelada da pele), hemorragia, choque e insuficiência de múltiplos órgãos, podendo levar à morte do paciente.

Já nos primeiros sinais de manifestação da doença, deve-se procurar ajuda médica. Não há nenhum tratamento específico, só os sintomas são tratados.

Opinião

A divulgação da morte do psicólogo no DF, coincide com outra notícia relacionada à Febre Amarela, mas nesse caso, em São Paulo. Porém, em outro contexto, que demonstra eficácia em ação rápida do Estado, ao isolar dezenas de parques para tentar impedir a disseminação e ampliação do vetor de contaminação da população. Ao contrário da inércia da gestão do senhor governador, Rodrigo Rollemberg (PSB) e seu ‘pseudo’ secretário saúde, Humberto Fonseca, por apenas demonstrar total inoperância e incapacidade de gerir, com o mínimo de eficiência, uma pasta tão complexa quanto a Saúde do DF.

Com informações de Agência Brasília e G1

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