Caos na Saúde: Técnicos em Enfermagem estão com sobrecargas de atendimentos de pacientes nos hospitais do DF

Print Friendly, PDF & Email

Hospitais de Taguatinga, Asa Norte, Gama e UPA de Ceilândia estão entre unidades que excedem o número de pacientes assistidos por profissional de enfermagem

Por Kleber Karpov

O Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF) denunciou, na segunda-feira (25/Set), o caos a que estão submetidos os profissionais de enfermagem no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). O excesso de quantidade de pacientes a serem atendidos por um único profissional, expandiu, inicialmente do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), para outras unidades de saúde do DF.

Ao publicar um vídeo denúncia na rede social, Facebook, o vice-presidente do SINDATE-DF, Jorge Vianna, foi convidado, por servidores a constatar a existência do problema, também, em outras unidades, a exemplo do Hospital Regional do Gama (HRG) e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia. Para o dirigente sindical, a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) transformou em rotina o que deveria ser exceção.

“Visitamos o HRAN na segunda-feira e constatamos o mesmo problema encontrado há poucos meses no HRT. Os técncios em enfermagem escalados estão sendo obrigados a cuidar de 20 pacientes, algo que foge a qualquer protocolo de segurança tanto para os pacientes quanto para o próprio servidor.”

Em relação à UPA Ceilândia, Vianna criticou as condições da Sala Verde, ambiente criado para acolher pacientes. De acordo com o sindicalista, o espaço é abafado e muito quente, o que colabora para piorar o quadro do paciente.

“Essa situação levou os profissionais a internarem os pacientes em cadeiras e macas improvisadas no corredor em frente a tal sala verde, sem estrutura nenhuma, com homens e mulheres no mesmo lugar, abafado e quente, por mais de três dias.”, criticou.

Segundo o sindicalista, o SINDATE-DF deve manter visitas regulares nas unidades de saúde do DF para constatar as condições que os profissionais de enfermagem são submetidos a trabalhar. “Vamos visitar todos os hospitais e além de publicar nas redes sociais para mostrar à população do DF as condições que os profissionais de saúde são submetidos e o perigo que eles [os pacientes] correm internados sob essas condições, também vamos denunciar caso-a-caso para o Ministério Público do DF [e Territórios (MPDFT)], para ver se tomam alguma providência.

Ao vivo no hospital Hran. PS lotado com 20 pacientes cada técnico. Isso nos hospitais públicos é rotina. Não dá pra continuar nessa situação. Contratações imediatas! Chama concursados governador!

Posted by Jorge Vianna on Monday, September 25, 2017

A outra parte

Questionados sobre a sobrecarga dos técnicos em enfermagem, a SES-DF, por meio da assessoria de comunicação sugeriu que o problema é pontual, em algumas unidades.

“A Secretaria de Saúde informa que as emergências dos hospitais da rede pública trabalham no esquema de “portas abertas”. Pontualmente, algumas unidades podem sofrer com a alta demanda pela procura do serviço. Por isso, as unidades possuem a classificação de risco, que prioriza o atendimento dos casos de emergência/urgência e reorganiza o fluxo daqueles pacientes classificados em verdes e azuis para as unidades básicas de saúde, onde o atendimento poderá ser por agenda aberta ou marcado. Estima-se que 70% dos atendimentos feitos nas emergências e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) poderiam ser resolvidos na atenção primária, ou seja, numa estrutura de atendimento direto ao cidadão e mais eficaz do que o emergencial.”.

Concurso público

Política Distrital (PD) também questionou se a SES-DF pretende nomear novos profissionais de saúde, uma vez que ainda há concursados aguardando convocação.

A Secretaria recorreu à limitação da Lei de Responsabilidade Fiscal para justificar a ausência de servidores nas unidades de saúde do DF.

 “A Secretaria de Saúde vem adotando diversas providências para suprir o déficit de profissionais na rede pública, como contratação de servidores efetivos e temporários, além do dimensionamento da força de trabalho. Mas esse déficit só pode ser resolvido dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Hoje, o gasto de pessoal na Secretaria de Saúde já corresponde a cerca de 80% do orçamento total. Desde janeiro de 2015, foram realizadas mais de 5 mil convocações e aproximadamente 4 mil servidores foram efetivamente contratados, já que 20% não tomaram posse. Em 2016, foram nomeados 2.767 servidores, dos quais 2.051 tomaram posse. Em 2017, mais 1.255 candidatos aprovados já foram convocados em diversos cargos e especialidades.”.

1