Servidores dão demonstração de força enquanto GDF responsabiliza Câmara Legislativa para resolver a crise

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Sem plano B, GDF depende da Câmara Legislativa para garantir pagamento de salários de servidores no último trimestre de 2015

Por Kleber Karpov

Em manifestação de repúdio contra o adiamento, para 2016, da concessão de reajuste por parte do governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), concedido pelo antecessor, Agnelo Queiroz (PT), milhares de servidores ocuparam a Praça do Buriti na quinta-feira (24/Fev). Após receber sindicalistas e em coletiva à imprensa, Rollemberg afirma que depende de votações da Câmara Legislativa do DF (CLDF) para honrar com salários.

A mobilização contou com presença em peso de servidores representados pelos sindicatos dos Médicos, Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos em Enfermagem, Administrativos, Radiologia, Agentes Comunitários de Saúde, além da administração direta. Ao todo 17 sindicatos que compõem o Movimento Unificado em Defesa do Serviço Público, responsável pela organização da paralisação deram “Uma demonstração de força ao Governo do Distrito Federal.”. Além dos trabalhadores, concursados e estudantes também fizeram presença no ato.

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Servidores durante greve de 24 horas na Praça do Buriti – Foto: Sindireta

De acordo com os sindicalistas do Movimento, a greve de 24 horas serviu para alertar ao governo em relação ao que pode acontecer a partir do quinto dia útil de outubro, data em que o GDF deve efetuar o pagamento do salário de setembro. “O GDF reafirmou a posição de que não tem recurso e que está encontrando dificuldades em pagar os salários no próximo mês. Nós falamos que, frente a esta situação, os servidores estarão encaminhando greve geral a partir do quinto dia útil do mês de outubro”, disse o coordenador do Fórum em Defesa do Serviço Público no DF e secretário-geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues.

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O que diz o governo

Governador Rodrigo Rollemberg e equipe em entrevista coletiva para falar da crise do DF e medidas para garantir pagamento de servidores do GDF
Governador Rodrigo Rollemberg e equipe em entrevista coletiva para falar da crise do DF e medidas para garantir pagamento de servidores do GDF – Foto: Kleber Karpov

Durante a greve os sindicalistas foram recebidos pelos secretários da Secretaria de Relações Institucionais e Sociais (SERIS), Marcos Dantas, da Secretaria de Gestão Administrativa e Desburocratização (SEGAD), Alexandre Ribeiro e o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, no Palácio do Buriti. Os representantes das entidades sindicais alegam ter ouvido dos interlocutores que o governador tenta obter recursos junto a União mas que a garantia do pagamento dos salários depende de pacote de medidas encaminhadas à CLDF e que devem ser aprovadas para garantir que não ocorra atraso dos pagamentos que ainda devem ser efetuados em 2015.

A informação foi reafirmada pelo governador Rodrigo Rollemberg, em companhia de Dantas, Ribeiro, Sampaio, além do secretário adjunto da Secretaria de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLAG), Renato Brown, e do secretário da Secretaria de Estado de Fazenda do DF (SEFAZ), Pedro Meneguetti, durante entrevista à imprensa.

Rollemberg afirmou não haver recursos em caixa para pagar os salários dos servidores e deixou claro que depende da compreensão dos servidores, mas sobretudo dos deputados distritais para aprovarem,  o redirecionamento de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (IPREV) para custeio de pagamento de servidores do GDF. A equipe de governo salientou ainda que não há um plano B e que dependem dos distritais para a aprovação do pacote de medidas que permitirão ao GDF obter recursos para garantia da manutenção dos pagamentos de salários.

Avaliação dos Sindicatos

Auxiliares e Técncios em Enfermagem em Assembleia antes de se encaminharem para a Praça do Buriti
Auxiliares e Técncios em Enfermagem em Assembleia antes de se dirigirem para a Praça do Buriti

Em publicação no site do Sindicato dos Médicos do DF (SindMédico): “A locução dos secretários Marcos Dantas, das Relações Institucionais e Sociais, Sérgio Sampaio, da Casa Civil, e Alexandre Ribeiro, da Gestão Administrativa e Desburocratização, não passou da mesma cantilena da falta de recursos que, se for realmente a que o governo aponta, revela que em novo meses a atual gestão não desenvolveu competência para administrar o Distrito Federal.”.

O vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (Sindate-DF), Jorge Vianna, se disse surpreso com a resposta dos profissionais de Enfermagem. Isso porque antes de se dirigirem para a Praça do Buriti, cerca de 2 mil servidores se reuniram, no setor comercial Sul, em assembleia e aprovaram a deflagração da greve e o indicativo de greve para outubro. “A categoria vai parar dia sete de outubro se o pagamento não entrar na conta com todas as vantagens previstas em Lei.”, afirmou.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Tribunal de Contas do DF (SINDIRETA), Ibrahim Yusef, o GDF apenas jogou a responsabilidade da obtenção de recursos  para pagar os servidores à CLDF. “Não entendi porque nos chamaram para conversar no meio da manifestação. Tivemos a impressão que seria para nos dar uma boa notícia, mas no fim foi só para tentar nos desmobilizar, o que não aconteceu, não vamos aceitar esse calote”, afirmou em matéria publicada no site do Sindicato.

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Professores, servidores de áreas administrativas e alunos na Praça do Buriti – Foto: Sinpro-DF

Para a diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Rosilene Correa, governo fabrica excessivamente a crise do DF: “A alegada crise não tem o tamanho que o GDF diz ter. O que ocorre é uma decisão política, pois o governo está fazendo a opção arrochar para arrumar a casa, mas quem vai pagar o preço por isso somos nós, trabalhadores. Falamos de toda a população. Na medida em que o governo causa prejuízo aos prestadores do serviço, o GDF causa prejuízo a quem depende desse serviço. Então, o governo toma a decisão de estabelecer o caos no DF. O que nós esperamos é que as categorias façam essa leitura e que se mantenha a unidade que está posta neste momento para enfrentarmos isso, pois não podemos permitir que os próximos três anos sejam de prejuízos para a classe trabalhadora. Ao contrário, precisamos de um estado fortalecido e, para isso, necessitamos de servidores valorizados. O GDF está dando uma demonstração de que não está empenhado em buscar alternativas, mas sim em manter uma decisão e ver onde isso vai dar”, enfatizou Rosilene em publicação no site da Entidade.

Pressão sobre a CLDF

A Câmara Legislativa também foi ponto de encontro entre os servidores da Saúde que pediram apoio dos parlamentares em relação a garantia dos pagamentos dos servidores.

O sindicalista, Vianna, criticou a postura do GDF: “O governador quer ajuda dos Sindicatos para pressionarem os deputados a votar o pacote da maldade. Esse papel não é nosso. O governador tem que fazer política tanto com os distritais quanto com o governo federal. Esse é o papel do Executivo e não atribuir aos sindicalistas essa missão.”, afirmou.

A presidente da CLDF, Celina Leão (PDT) respondeu ao Política Distrital em relação a pressão exercida por parte do GDF, que joga sobre a Câmara Legislativa, a responsabilidade pela garantia obtenção de recursos garantia do pagamento dos servidores públicos no último trimestre de 2015.

De acordo com Celina Leão: “Essa crise é do GDF, mas a Câmara tem feito sua parte. Aprovamos tudo que é importante para o governo, mas preservamos o bolso do contribuinte. Já ajudamos o GDF por duas vezes, apenas nas últimas semanas, com as emendas parlamentares 342 milhões e com economia de 24 milhões de reais da CLDF.”, ponderou.

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