Caixa de Pandora: Rogério Rosso e vice-governador minimizam denúncias de suposto envolvimento com Durval Barbosa

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Denúncia ao Ministério Público Federal, de ex-assessor da Codeplan, envolvido na Operação Caixa de Pandora, investigado pela Polícia Federal, envolve o alto escalão do meio politico do DF e pode comprometer benefício de delação premiada de Durval Barbosa.  

Na última semana, em matéria veiculada pelo jornal Correio Braziliense (24/Abr), o ex-gerente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), Luiz Paulo Costa Sampaio, apontado como envolvido na operação ‘Caixa de Pandora’ deflagrada pela Polícia Federal em 2009, voltou a estremecer os arautos da cúpula do poder do DF. Aliado do ex-secretário de Relações Institucionais nos governos Roriz e Arruda, Durval Barbosa, na época do escândalo, Sampaio tenta se beneficiar com a delação premiada, junto Ministério Público Federal (MPF). Para obter o beneficio Sampaio denunciou a existência de novos vídeos gravados por Barbosa e envolve novos personagens políticos do DF.

Para tentar obter o benefício da delação premiada, ao MPF Sampaio afirmou que Barbosa omitiu ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) a existência de outros vídeos gravados à Justiça. Esses vídeos, segundo Sampaio, envolvem nomes ainda ‘inéditos’ à operação Caixa de Pandora.

De acordo com  Sampaio figuram entre os políticos que visitaram Barbosa, o ex-presidente da Codeplan, Vagner Benck, do ex-secretário de Fazenda, André Clemente, do ex-diretor do Detran, Délio Cardoso, do ex-secretário de Fazenda, Valdivino de Oliveira e do ex-governador do DF, Agnelo Queiroz (PT).

Na esfera do Executivo o nome do ex-governador, atual deputado federal, Rogério Rosso (PSD) também foi mencionado. Sampaio sugeriu que Rosso havia contratado pessoas a pedido de Barbosa. Essa versão também é apontada pelo jornalista Mino Pedrosa, no blog QuidNovi, em publicação intitulada ‘Delator Durval Barbosa corre risco de perder benefício jurídico.’, em que apresenta nova testemunha do MPF que corroboram com o denúncia de Sampaio.

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Esse é o caso do técnico em informática, colaborador de Barbosa, Francinei Arruda Bezerra. Em depoimento ao Ministério Público, Bezerra afirmou que na época era responsável ‘exclusivo’ pelas manipulações dos vídeos gravados por Barbosa. Em um relatório de sete páginas o Técnico afirmou que os vídeos apresentados eram editados de acordo com as conveniências de Barbosa e que de fato havia outros vídeos gravados por Barbosa.

Envolvimento do PSD

QuidNovi questiona ainda, em outra matéria, o poder de influência de Barbosa, junto a atual gestão do DF, ao relatar 17 visitas do delator à casa do vice-governador, Renato Santana (PSD), na casa da vice-governadoria. Nas matérias o jornalista, Mino Pedrosa, faz ainda enlace da proximidade da relação de Barbosa à figura do delegado, Milton Barbosa, ex-candidato a deputado distrital pelo PSD.

Política Distrital Rosso e o Vice-Governador

Rosso rebateu as denúncias publicadas pela imprensa e afirmou apenas ter dado continuidade ao processo de gestão do GDF, enquanto governador do DF. De acordo com Rosso: “No meu governo não houveram nomeações e nem demissões em massa. Apenas em órgãos por exemplo que tomei a decisão de extinguir a exemplo da BrasilaTur. Houve continuidade, manutenção da máquina e preocupação de manter os serviços públicos funcionando.”, afirmou.

Rosso afirmou ainda ter respeitado a autonomia dos secretários e presidentes de empresas para fazer nomeações ou exonerações, independente de terem trabalhado em governos anteriores. Segundo Rosso: “Governador não tem tempo de se preocupar com nomeações e exonerações. Tem responsabilidades maiores é aquele momento era peculiar. E essas responsabilidades foram exercidas com zelo, impessoalidade e dedicação; que resultaram em contas públicas equilibradas; dinheiro em caixa (cerca de 1,8 bilhões) Lei de Responsabilidade Fiscal cumprida; metas fiscais realizadas; pagamento de fornecedores e da folha de pagamento em dia; conforme próprio relatório do TCDF e dos órgãos de fiscalização e controle.”, ponderou.

O vice-governador por sua vez sugere que Barbosa amedronta apenas pessoas que mantiveram relações “não republicanas” e apareceram na “videoteca” apresentada pelo delator à Justiça. Segundo Santana: “Poucas pessoas  poderiam/podem receber o Durval a qualquer tempo e em qualquer lugar de BSB, sem esse receio! Eu sou uma dessas pessoas! Não devo! Não figurei e nem figuro em atos ilícitos!”, afirmou Santana.

Acusação de nepotismo

O Vice-governador aproveitou o momento para rebater também acusação de suposto caso de nepotismo, denunciado pela mídia recentemente. De acordo com Santana: “Não indiquei minha cunhada para cargo algum! Ela é enfermeira, de carreira há quase trinta anos! Deveriam perguntar ao secretário de Saúde ou à Diretora Regional de Saúde, essa última que a convidou! Certamente por sua competência!”, e alfinetou: “Parte do descrédito que alguns comunicadores absorvem da Sociedade é por não se pautarem pela verdade! Infelizmente!”, complementou.

Mudança de Rumos

O acolhimento dessas novas denúncias por parte do Ministério Público podem mudar os rumos da ação e resultar na suspensão da delação premiada concedida à Durval.

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