Urbitá, o último grande negócio do governo Rollemberg

O governo Rollemberg foi marcado por polêmicas e grande negócios, que vão desde o Instituto Hospital de Base até festivais de praia. E assim como o seu antecessor, Agnelo Queiroz (PT), que “inaugurou” o Centro Administrativo no apagar das luzes do governo, Rollemberg autorizou a implantação do bairro Urbitá, um meganegócio habitacional que vai envolver algumas centenas de milhões de reais.

Para ser ter uma ideia do tamanho do negócio, o Urbitá será construído em uma área entre Sobradinho 1 e Sobradinho 2, próximo à BR-020 e à DF-425 e terá capacidade para 118.600 moradores

Os prédios poderão ter até 10 andares. A primeira etapa, já aprovada no Conplan, poderá abrigar 11 mil pessoas de uma tacada só.

O projeto, que já começou a sair do papel, será erguido nas terras da Fazenda Paranoazinho, uma área de 1,6 mil hectares que engloba condomínios irregulares e terras vazias, e que passou décadas numa pendenga judicial.

O Urbitá é uma iniciativa privada e recebeu a aprovação no apagar das luzes do governo do Conselho de Planejamento Territorial e Urbano (Conplan) na semana passada. Nesta segunda-feira (24), o Diário Oficial do DF oficializou o parcelamento das terras. Dos 922 hectares da fazenda, 387 estão liberados para as edificações.

O terreno pertence à Urbanizadora Paranoazinho. Em 2007, a empresa comprou a área e, desde então, trabalha para regularizar os lotes ocupados em 54 condomínios irregulares dos setores Boa Vista, Contagem e Grande Colorado. Ao longo dessa tentativa de regularização, o projeto do novo bairro foi desenvolvido.

Sempre que se apresenta um projeto polêmica e de grande impacto econômico e social, cria-se a narrativa evocando temas como a sustentabilidade, a inovação e a tecnologia. Na verdade, a região tem um trânsito saturado e as consequências será gritantes.

O urbanista Frederico Flósculo afirma que o bairro está chegando no escopo do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e totalmente fora do Zoneamento Ecológico Econômico, totalmente fora da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos). “É uma cidade inteira com impacto enorme sobre as águas, sobre as cidades, sobre congestionamento de trânsito, sobre segurança, sobre tudo”, alerta.

O Urbitá deve ser tema de muitos debates no futuro. Será mais um imbróglio no já conturbado assunto territorial do Distrito Federal.

Fonte: Blog do Callado

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