Por Kleber Karpov
As últimas famílias das vítimas da Operação Contenção, conduzida pelo governo do Estado do Rio de Janeiro nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte, concluíram a liberação dos corpos no Instituto Médico Legal (IML), no centro da cidade, até ontem (31/Mai), após a operação no início da semana. A ação gerou denúncias de execuções ilegais por parte dos familiares, que relatam alívio pelo fim da busca e indignação pela letalidade, enquanto o governo estadual defendeu a ofensiva como combate ao crime organizado.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou, até a sexta-feira, dia 31 de maio, que restavam apenas oito corpos para serem identificados e liberados pelo IML. Os parentes das pessoas mortas relataram, simultaneamente, o alívio pelo encerramento da peregrinação por informações e a profunda indignação com a tragédia ocorrida.
Karine Beatriz, de 26 anos e grávida, esteve no IML para realizar o reconhecimento do corpo do esposo, Wagner Nunes Santana, que é o pai do seu bebê. Ela contou que a localização do corpo foi alcançada somente após três dias de procura na mata da Serra da Misericórdia, na Penha.
Execuções ilegais
O corpo de Wagner Nunes Santana foi retirado de dentro de um lago com um tiro na testa, segundo a informação prestada pela esposa. As circunstâncias do assassinato não foram detalhadas pela polícia. Karine Beatriz afirmou ter participado das buscas desde os primeiros dias da operação. Ela relatou a indignação com a alta letalidade, questionando as ações:
“Após três dias de buscas consegui localizar o corpo, mas alívio eu só vou ter com repostas para as perguntar que não vão calar: ‘de onde vem pena de morte, se existe presídio, presídio é apenas enfeite? Até quando vai isso?’. Temos crianças assustadas, uma comunidade abalada, é muita dor,” questionou Karine Beatriz, sobre a alta letalidade das operações no Rio, nos últimos anos.
Karine Beatriz reiterou que, apesar de eventuais desvios do esposo, ele cumpria o papel de trabalhador e pai de família, responsável pelo sustento da casa e por cuidados domésticos. “Independente dos erros dele, ele era trabalhador, era família, semana passada, estava ajudando a erguer uma casa na comunidade, ajudou a fazer o ‘cabelo maluco’ da minha filha. Tenho uma filha de nove anos, que não era filha dele e ele fez o cabelo dela para escola, levou para brincar, sabe, são momentos que não vão voltar”.
Ao relatar a situação encontrada, a viúva reforçou a denúncia contra a maneira como a operação foi conduzida. “Eles não vieram prender ninguém, eles foram para matar. É até mesmo quem se entregou, eles mataram. Eu procurei, desde o primeiro dia, eu procurei um por um. Não sei o que fizeram, mas enterro vai ter de ser caixão fechado”, relatou Karine, sobre a denúncia de execuções.
Justificativa e defesa da operação
O balanço mais recente da Operação Contenção, divulgado na sexta-feira, dia 31 de maio, indicou que noventa e nove pessoas tinham sido identificadas pelo Instituto Médico Legal. Desse total de corpos, quarenta e duas vítimas possuíam mandados de prisão pendentes, e setenta e oito apresentavam envolvimento com o crime, conforme o balanço.
Ainda segundo a informação oficial, treze dos mortos eram oriundos de outros estados, com menção específica a Pará, Bahia, Amazonas, Ceará, Paraíba e Espírito Santo. O governo do Estado do Rio de Janeiro justificou a operação como uma forma de conter a expansão da facção criminosa Comando Vermelho (CV), mesmo sem conseguir cumprir os mandados contra os principais chefes do grupo.
Segundo a nota oficial encaminhada à imprensa, as investigações apuradas indicavam que integrantes do grupo criminoso recebiam treinamento de táticas de combate, além de instruções em armamento, tiro e uso de explosivos nas localidades que foram visadas.
As investigações também revelaram que o fluxo de caixa da facção nessas áreas movimentava cerca de dez toneladas de drogas por mês. As comunidades do Alemão e da Penha serviam como polos de abastecimento, distribuindo armas e entorpecentes para outras comunidades que são controladas pelo grupo criminoso.
O governador Cláudio Castro defendeu a execução da Operação Contenção, apesar da alta letalidade e dos questionamentos a respeito da eficácia da ação para prender as lideranças do crime organizado, o que paralisou a cidade na terça-feira.
“Tendo em vista estes resultados, a gente vê que o trabalho de investigação e inteligência foi adequado, todos perigosos e com ficha criminal. Também, pela identificação das origens desses ‘narcoterroristas’, reforço a importância da integração com os estados. Em breve, vamos entregar os relatórios completos para as autoridades competentes”, disse Castro, em nota, sobre a defesa da ação.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;











