Sociedades de Pediatria e de Imunizações cobram início imediato da vacinação de todas crianças a partir de 6 meses

As Sociedade Brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) acabam de publicar conjuntamente uma nota de alerta, por meio da qual cobram do Ministério da Saúde a imediata inclusão no Programa Nacional de Imunizações (PNI) de vacinas covid-19 para todas as crianças a partir de 6 meses de idade. Os especialistas lembram que já existe imunizante licenciado e aprovado há cerca de dois meses pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para uso em crianças de 6 meses a 4 anos.

Segundo a nota de alerta, além da disponibilidade da vacina Comirnaty (Pfizer), houve também recomendação de sua utilização pela Câmara Técnica Assessora do PNI. Para os especialistas, é inexplicável o atraso no início da vacinação, especialmente neste momento de aumento de circulação viral. “É evidente o iminente risco da covid-19 na população pediátrica”, alertam.

As sociedades se posicionam ainda contrárias à vacinação somente de crianças com comorbidades. Trata-se de uma “estratégia de difícil execução, especialmente nas regiões mais carentes do País, justamente onde mais se necessita da proteção vacinal”, destacam. O documento ressalta que são necessárias e urgentes ações ininterruptas em prol da saúde das crianças brasileiras, em respeito ao artigo 227 da Constituição Federal.

Atraso

O Ministério da Saúde iniciou no último dia 10 a distribuição de 1 milhão de doses de vacinas pediátricas contra a covid-19, destinadas somente a crianças com comorbidades de 6 meses a menores de 3 anos. Os imunizantes foram enviados a todos os estados do País e para o Distrito Federal.

A SBP deixa claro que o Brasil se encontra em descompasso em relação à imunização infantil considerando outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a vacinação em indivíduos a partir de seis meses de idade começou no dia 21 de junho deste ano, quando foi aprovado o uso emergencial da vacina da Moderna, em crianças de 6 meses a 17 anos; e da Pfizer, para crianças de 6 meses a 4 anos.

Em agosto deste ano, Hong Kong, na China, também reduziu a idade mínima, de três anos para seis meses, para se vacinar contra a covid-19 com a vacina Coronavac, produzida pela Sinovac no País. Já na Europa, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) emitiu um comunicado no último dia 19 de outubro autorizando que doses dos imunizantes da Pfizer (Comirnaty) e da Moderna (Spikevax) sejam usadas para a população com 6 meses de idade ou mais.

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