19.5 C
Brasília
21 mar 2026 10:30

Sociedade Brasileira de Infectologia esclarece estudos científicos que propõem o uso da cloroquina para o tratamento da Covid-19

“se um protocolo for implantado para o uso universal de hidroxicloroquina + azitromicina para todos pacientes sintomáticos, a eficácia poderá ser aferida, se a taxa de cura for superior a 97%”. (SBI)

O uso de medicações por via oral e de baixo custo para o tratamento da COVID-19 como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, prednisona (corticoide) são muito atraentes e desejáveis por permitirem seu uso em larga escala, com o potencial de beneficiar inúmeros pacientes.

No momento existem, pelo menos, cerca de 1.500 estudos clínicos em andamento no mundo (clinicaltrials.gov) para avaliar potenciais fármacos para COVID-19, nos mais diversos cenários da doença: profilaxia (=prevenção), tratamento das formas leve e moderada da doença (que não necessitam internamento hospitalar), tratamento das formas grave e crítica (que necessitam internamento hospitalar e em Unidade de Terapia Intensiva, respectivamente).

É importante ressaltar que, como há vários estudos clínicos em andamento, toda avaliação sobre tratamento farmacológico dessa nova doença pode ser dinâmico, podendo ser modificado à medida que novos conhecimentos médicos são publicados, interessando em especial aqueles que são considerados os estudos clínicos mais importantes e que definem se um medicamento é eficaz e seguro para o tratamento de uma doença, que são os ensaios clínicos RANDOMIZADOS E COM GRUPO CONTROLE.

Estes devem ter os seguintes critérios: o paciente deve ter a mesma chance de ser “sorteado” (escolha aleatória, sem interferência do pesquisador, que geralmente é feito por um programa simples de computação) para receber o tratamento “padrão” + medicamento(s) em estudo, também chamado medicamento(s) experimental(is), ou de ser alocado no grupo controle, que representa o grupo de pacientes que vão receber o tratamento “padrão” SEM NENHUM MEDICAMENTO EM TESTE.

No caso da doença causada pelo novo coronavírus, o tratamento “padrão” consiste , nos casos leves a moderados, a ser administrado analgésicos e antipiréticos, e nos casos graves e críticos oxigenioterapia, anticoagulante profilático (pela alta incidência de complicações trombóticas, isto é “formação de coágulos “ ), tratamento das comorbidades (diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, entre outras) e tratamento das complicações da doença (insuficiência renal, insuficiência respiratória, complicações gastrointestinais, complicações neurológicas, entre outras).

Sem esses estudos , corremos o risco de administrar medicamentos para centenas de milhares de pacientes e, no final, não saberemos se os pacientes foram beneficiados ou prejudicados.

Nos pacientes sintomáticos com COVID-19, 80% apresentarão forma leve ou moderada da doença e não necessitarão hospitalização, 15% terão pneumonia grave (necessitando hospitalização) e 5% serão acometidos pela forma crítica (necessitando cuidados de terapia intensiva). Como a letalidade geral da COVID-19 é aproximadamente 3%, é adequado dizer que a expectativa é que 97% dos pacientes sintomáticos apresentarão cura SEM TRATAMENTO ANTIVIRAL.

Portanto, se um protocolo for implantado para o uso universal de hidroxicloroquina + azitromicina para todos pacientes sintomáticos, a eficácia poderá ser aferida, se a taxa de cura for superior a 97%. Dever-se-ia neste caso , realizar pesquisa clínica randomizada com grupo controle , determinando estatisticamente o valor de p , que é o que definirá se a taxa de cura obtida foi estatisticamente significativa. O cálculo do valor de p é usado em TODOS estudos clínicos de medicamentos na Medicina e, se for menor que 0,05 ou 5%, é o que permite afirmar que uma intervenção terapêutica não ocorreu ao acaso, mas sim devido à eficácia do medicamento experimental. Em outras palavras, de forma resumida e simples, o valor de p menor que 0,05 em estudos clínicos randomizados com grupo controle é o que define na Medicina que um “novo medicamento é eficaz”.

Os estudos clínicos atuais com cloroquina ou hidroxicloroquina, associada ou não à azitromicina, permitem concluir que tais medicamentos , NESTE MOMENTO, não mostraram eficácia no tratamento farmacológico de COVID-19 e não devem ser recomendados de rotina. Por outro lado, alguns estudos mostraram seu potencial malefício, podendo causar prolongamento do intervalo QTc no ECG (eletrocardiograma), que está associado a aumento de risco de arritmias ventriculares, que podem ser potencialmente fatais.

Por isso, neste momento, pacientes com COVID-19 que não podem ser monitorados com ECGs seriados NÃO devem receber cloroquina, nem hidroxicloroquina.

Recomenda-se que estes medicamentos só sejam utilizados em pesquisa clínica. Porém , se o médico desejar prescrevê-los poderá fazê-lo,

sendo recomendado que compartilhe com o paciente a falta da evidência científica de sua eficácia à luz dos conhecimentos atuais e seu potencial risco de dano, principalmente cardíaco.

Os principais estudos clínicos que permitem tais conclusões, bem como a avaliação de outros potenciais medicamentos (infelizmente a maioria deles não são estudos randomizados com grupo controle), são apresentados e pormenorizados nas “Diretrizes para o Tratamento Farmacológico da COVID-19, versão 18 de maio de 2020”, documento científico elaborado com a participação de 3 sociedades médicas científicas, a saber: Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

A ciência deve ser a luz que norteia um país e o mundo nas decisões médicas sobre tratamentos.

*Dr. Clóvis Arns da Cunha

Presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) 2020-2021

[email protected]

Fonte: Agenda Capital

Circulação do vírus da gripe está em alta em várias regiões do país

Por Kleber Karpov A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou, por...

Prazo para pagar segunda parcela do IPVA começa segunda (23)

Por Kleber Karpov Proprietários de veículos no Distrito Federal que...

DF deve cotar com 48 pontos de vacinação neste sábado (21)

Por Kleber Karpov A Secretaria de Saúde do Distrito Federal...

Dentistas em UTIs ajudam a prevenir infecções e podem salvar vidas

Por Kleber Karpov A atuação de cirurgiões-dentistas em Unidades de...

Destaques

Circulação do vírus da gripe está em alta em várias regiões do país

Por Kleber Karpov A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou, por...

Ministério da Saúde se reúne com Banco dos BRICS para avançar implantação da rede nacional de hospitais inteligentes

Por Kleber Karpov O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cumpriu...

Estudante de Planaltina assume Secretaria de Justiça e Cidadania por um dia e vivência rotina de gestão

Por Kleber Karpov A estudante Ana Luísa Silva Pereira, de...

Prazo para pagar segunda parcela do IPVA começa segunda (23)

Por Kleber Karpov Proprietários de veículos no Distrito Federal que...

DF deve cotar com 48 pontos de vacinação neste sábado (21)

Por Kleber Karpov A Secretaria de Saúde do Distrito Federal...