CLDF realiza sessão solene em comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down

Solenidade proposta por Eduardo Pedrosa destaca necessidade de inclusão e apoio a famílias

Por Kleber Karpov

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, na manhã desta sexta-feira (20/Mar), uma sessão solene em comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado mundialmente em 21 de março. Proposta pelo deputado distrital Eduardo Pedrosa (União Brasil), a cerimônia reuniu pessoas com a trissomia 21, familiares, ativistas e especialistas para debater a importância do acolhimento, da inclusão efetiva e dos desafios enfrentados pela comunidade.

Protagonismo

A mesa de honra da solenidade foi composta por diversas pessoas com síndrome de Down, que discursaram sobre suas vivências e anseios. O influenciador digital e estudante universitário Vinicius de Castro destacou que o potencial individual deve prevalecer sobre qualquer diagnóstico.

“Nasci com síndrome de Down e hoje estou aqui como estudante universitário do Iesb. Sou influenciador digital, mas antes de tudo, sou um jovem com sonhos. Inclusão não é só colocar a pessoa com deficiência dentro da sala de aula, mas é acreditar, dar oportunidades, enxergar potencial, e não limites”, discursou Vinícius.

Vitória Mesquita, autora, modelo e artista, abordou o isolamento que muitas pessoas com a síndrome enfrentam. Ela argumentou que a superproteção deve ser substituída por autonomia e chances reais de desenvolvimento pessoal e social.

“Muitas pessoas com síndrome de Down vivem isoladas não por escolha, mas por falta de informação. Eu acredito que essas pessoas não precisam ser super protegidas, elas precisam de oportunidade. Oportunidade de estudar, de namorar, de amar. Quando a sociedade inclui, todos ganham e a gente mostra tudo o que a gente pode ser”, disse em seu pronunciamento.

Foto: Ângelo Pignaton/Agência CLDF

O papel das famílias e a cobrança ao poder público

O proponente da sessão, deputado Eduardo Pedrosa, ressaltou a necessidade de transformar a conscientização em ações concretas. O parlamentar informou ter apresentado um projeto de lei para instituir um protocolo humanizado para a comunicação do diagnóstico de trissomia 21 em hospitais, visando o acolhimento das famílias desde o primeiro momento.

“Eu me pergunto se estamos realmente preparados para acolher a diversidade. A conscientização precisa sair dos discursos e se transformar em atitudes. […] Neste momento, é preciso ser humano, oferecer acolhimento, amor e respeito. Não existe inclusão verdadeira quando a mãe está exausta, adoecida e invisível. Fortalecer esta mãe é garantir o futuro de seu filho com síndrome de Down”, ressaltou o parlamentar.

A ativista Iarla Violatti cobrou mais suporte governamental, especialmente na área da educação. Ela listou a falta de educadores sociais, turmas superlotadas e a ausência de adaptação curricular como barreiras para uma inclusão real.

“Matrícula não é inclusão. A inclusão exige estrutura, preparo e oportunidade. É preciso lembrar que por trás de cada pessoa com deficiência existe uma família. Falar de inclusão é falar também de apoio psicológico, acolhimento e rede de apoio”, afirmou Iarla Violatti.

Campanha contra a solidão

O tema do combate à solidão foi um dos eixos do evento. Cleo Bohn, presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, explicou que a nova campanha do movimento foca na amizade como ferramenta para promover a interação. A auto defensora do Instituto Apicedown, Ana Beatriz de Lima Quadros, reforçou a mensagem ao afirmar que “com inclusão de verdade, ninguém fica sozinho”.

A fisioterapeuta Carolina Vale, coordenadora do Centro de Referência Interdisciplinar em Síndrome de Down, concluiu que a data serve como um convite à reflexão sobre direitos. “Esse dia nos convida a olhar para as pessoas com síndrome de Down não pelo seu diagnóstico, mas pelas vidas que constroem todos os dias. Inclusão não é um favor, é um direito”, frisou.

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