Rollemberg: a nudez da “nova política”

Por Gutemberg Fialho

Eleito com o discurso da “nova política”, Rodrigo Rollemberg provou, na votação do PLC 122/2017 – mais conhecido como PL do Espanto -, que sua maneira de administrar o Distrito Federal em nada se difere da velha política: aquela da distribuição de cargos, da troca de favores e, principalmente, da ausência de escrúpulos. As bases da política local continuam as mesmas de antes e, na aprovação do projeto que usurpa a previdência dos servidores do DF, por 14 votos a 9, ficou evidente a vitória da velha política e a heresia das narrativas do governador.

Em entrevista recente a um jornal local, Rollemberg afirmou, referindo-se a votação do PLC 122/2017, que “nos momentos decisivos, o governo tem conseguido construir uma maioria e aprovar os projetos importantes para a cidade”. Como exemplo, chegou a citar aprovação do texto que privatiza o Hospital de Base, transformando-o em instituto. No entanto, com tal declaração, o governador parece se esquecer da conveniente retórica eleitoral que o colocou no Buriti.

Como Rollemberg consegue, após dois anos e nove meses de inércia frente ao GDF, o apoio repentino da maioria dos distritais para propostas tão absurdas? Se a sua política, a “nova”, é contrária tanto ao fisiologismo quanto à política de alianças, eis o mistério deste governo: como eles conseguem? Em tempo: é importante entender que, na política, não existem “momentos decisivos” sem articulação. Não há milagres. Há, sim, no caso da atual gestão do Buriti, além de aproximadamente R$ 100 milhões de investimento anuais em marketing e propaganda, cargos, interesses e barganhas.

No que diz respeito ao conceito da “nova política”, supostamente adotada por Rollemberg, o governador se assemelha a Robespierre, um dos líderes da Revolução Francesa, que representava a “nova política” no fim do século XVIII e se autoproclamou “o incorruptível”. Autor de discursos contra a pena de morte, assim que tomou o poder, ironicamente, ele criou uma lei para aplicá-la.  Apenas nos últimos cinco meses em que esteve no poder, assinou 2.217 sentenças sumárias de execução.

A nova política de Rollemberg, podemos dizer sem medo de errar, já nasceu velha. É a política do discurso que não se confirma na prática e que utiliza antigos artifícios para chegar aonde se pretende. É a política dos hereges, que se autoproclamam imaculados, cujo único legado será, literalmente, o que restar de Brasília e do Distrito Federal. Agora, só falta aprovar a Lei da Guilhotina aos seus opositores.

*Gutemberg Fialho é presidente do Sindicato dos Médicos do DF

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