Por Kleber Karpov
Em alusão ao Dia Mundial do Lúpus, celebrado em 10 de maio, especialistas do Distrito Federal reforçam a importância do reconhecimento precoce dos sintomas da doença. O lúpus é uma condição autoimune na qual o sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do próprio corpo, podendo afetar órgãos como pele, rins e articulações. A identificação rápida dos sinais, segundo profissionais do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), é crucial para controlar a doença e evitar complicações graves.
A jornada até o diagnóstico pode ser demorada, como no caso de Mateus Gustavo Amaral, de 31 anos. Por um ano, ele conviveu com inchaço nas pernas, coceira e manchas na pele, até que uma crise mais intensa o levou a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Encaminhado ao HBDF, recebeu o diagnóstico de lúpus após dias de internação. “Eu não fazia ideia do que poderia ser. Nunca tinha ouvido falar nessa condição”, relembra.
A história de Mateus não é incomum. Por atingir diferentes partes do corpo, o lúpus apresenta manifestações variadas que são frequentemente confundidas com outros problemas de saúde. Entre os sinais mais comuns estão dores nas articulações, fadiga intensa, febre, queda de cabelo, falta de ar e dor no peito ao respirar profundamente.
Uma doença do sistema imunológico
De acordo com o reumatologista do HBDF, Carlos Lins, o sistema imunológico dos pacientes com lúpus passa a atacar o próprio organismo em vez de protegê-lo. Embora as causas não sejam totalmente conhecidas, as consequências podem ser severas se o tratamento demorar a começar. “O lúpus pode comprometer praticamente qualquer órgão do corpo, da pele aos rins. Existem formas mais leves e outras mais graves, com risco de morte. Por isso, o diagnóstico exige uma avaliação ampla do paciente”, explica.
Alguns fatores podem desencadear crises em pessoas predispostas, como exposição solar inadequada, infecções e o uso de determinados medicamentos. Fábia Ferreira Lima, de 49 anos, foi diagnosticada há cerca de dez anos após sentir dores no pescoço e inchaço que a impediam de caminhar. Após um mês internada no HBDF, ela descobriu a doença e, com o tratamento, hoje mantém apenas consultas de rotina.
Qualidade de vida
Apesar de não ter cura, o lúpus pode ser controlado com medicamentos e hábitos saudáveis. No Distrito Federal, a estimativa é que entre duas e três mil pessoas convivam com a condição. O ambulatório especializado do HBDF, unidade administrada pelo IgesDF, acompanha cerca de 70 pacientes por semana. “Antes do avanço dos tratamentos, muitos pacientes com formas graves morriam poucos anos após o diagnóstico. Hoje, com acompanhamento adequado, é possível viver com qualidade e manter uma rotina praticamente normal”, afirma Lins.
Onde procurar atendimento
Pessoas com sintomas persistentes devem procurar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Caso haja suspeita de lúpus, o paciente pode ser encaminhado para acompanhamento especializado na rede pública, como o oferecido no Hospital de Base.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










