Por Kleber Karpov
A ativista iraniana de direitos humanos Narges Mohammadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2023, foi presa de forma “violenta” pelas forças de segurança do Irã em Mashhad (12/Dez). A detenção ocorreu enquanto a ativista participava de uma cerimônia em memória do advogado Khosrow Alikordi, que faleceu recentemente. A prisão, que resultou na volta da ativista para a cadeia, foi a 14ª detenção dela e ocorreu um dia após a entrega do prêmio à líder opositora venezuelana, Maria Corina Machado.
Mohammadi recebeu o Nobel da Paz de 2023 por sua “luta contra a opressão das mulheres no Irã e por sua luta para promover os direitos humanos e a liberdade para todos”. Ela cumpria liberdade provisória por questões médicas desde dezembro de 2024. A ativista, de 53 anos, não pode deixar o Irã e não vê seus filhos gêmeos, que receberam o Nobel em seu nome em Oslo, há 11 anos.
Reações e denúncias de espancamento
O Comitê Norueguês do Nobel condenou a prisão e exigiu a libertação imediata de Mohammadi e de outros ativistas detidos no mesmo evento. O marido da ativista, Taghi Rahmani, confirmou a prisão e a natureza brutal do ato.
O Comitê Norueguês do Nobel está profundamente preocupado com a “brutal prisão de Narges Mohammadi ao lado de vários outros ativistas”, segundo comunicado oficial.
A Fundação Narges Mohammadi e a família da ativista denunciaram que a detenção foi “acompanhada de espancamentos, insultos e obscenidades”. O grupo exige providências imediatas.
O Comitê Norueguês do Nobel observa que a senhora Mohammadi é presa “no momento em que o Prêmio Nobel da Paz é concedido à líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado”, disse Jørgen Watne Frydnes, presidente do Comitê, ao pedir esclarecimento do paradeiro de Mohammadi às autoridades iranianas. Frydnes pediu ainda garantia de segurança e a libertação incondicional da ativista.
O marido de Mohammadi, Taghi Rahmani, residente em Paris, confirmou a violência no ato. “Eles prenderam Narges violentamente. O irmão do advogado testemunhou a prisão dela no memorial”, disse Rahmani, ao braço persa da emissora britânica BBC. “Este ato viola as leis de direitos humanos e equivale a uma espécie de vingança”, completou.
A ativista está detida desde 2021 e foi condenada em diversas ocasiões por sua atuação contra o véu obrigatório e pela abolição da pena de morte no Irã.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










