Garotinho acusa Castro e Bacellar de comandarem grupos criminosos no Rio

Ex-governador afirma em CPI que atual mandatário e ex-presidente da Alerj lideram organizações voltadas ao desvio de recursos públicos e possuem acordos com facção

Por Kleber Karpov

O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, acusou o atual governador Cláudio Castro e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, de chefiarem organizações criminosas no estado. O depoimento ocorreu, nesta terça-feira (16/Dez), na CPI do Crime Organizado, no mesmo dia em que a Polícia Federal realizou operações contra Bacellar. Segundo Garotinho, os grupos operam de forma coordenada para o desvio sistemático de recursos públicos por meio de contratos fraudulentos e concessões de licenças administrativas.

Anthony Garotinho afirmou que as estruturas ilícitas estão divididas entre o Palácio Guanabara e o Poder Legislativo. O ex-governador declarou: “Montaram duas organizações criminosas. Uma na Assembleia Legislativa e outra no governo”.

Ao responder aos questionamentos do relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), Garotinho detalhou a hierarquia dos grupos. Cláudio Castro deve atuar como líder no Executivo, apoiado pela “turma do charuto”, núcleo formado por secretários e aliados. Já na Alerj, a chefia deve ser exercida por Rodrigo Bacellar, que comandaria a chamada “tropa do Bacellar”, composta por deputados estaduais integrados ao esquema.

O ex-governador apontou que a falta de experiência administrativa de Castro teria resultado na fragmentação do poder. Cada secretaria estadual deve ter se transformado em um “feudo” voltado para a obtenção de lucro para grupos específicos.

Captura de recursos e fraude em licenças

Garotinho detalhou o mecanismo que denominou como “captura do dinheiro”. O esquema não deve priorizar emendas parlamentares, mas sim fraudes diretas em contratos públicos e a cobrança de propina para a concessão de incentivos fiscais e autorizações administrativas.

O depoente citou exemplos práticos de corrupção no setor de combustíveis. “O cara quer botar gás no posto de gasolina, tem que pagar R$ 500 mil. Se não pagar R$ 500 mil, não autoriza, não tem licença para botar”, afirmou Garotinho.

A atual gestão estadual deve ser comparada à do ex-governador Sérgio Cabral em termos de gravidade de desvios. Garotinho disse que, proporcionalmente, o volume de corrupção deve ser igual ou superior ao período em que o estado recebeu grandes eventos como a Copa do Mundo. Ele afirmou que, em caso de uma investigação rigorosa, deve faltar espaço no sistema prisional para as autoridades envolvidas.

Conexão com o Comando Vermelho

A denúncia perante a CPI também abordou a suposta expansão da facção criminosa Comando Vermelho (CV) durante o governo de Cláudio Castro. Garotinho afirmou que existe um acordo claro entre autoridades estaduais e a organização criminosa. O ex-governador citou os presídios do Rio de Janeiro como “escritórios” da facção.

O ex-governador mencionou que o Comando Vermelho deve ter recuperado territórios e avançado sobre áreas anteriormente dominadas por milícias, como na região de Jacarepaguá. Ele utilizou como exemplo uma suposta ordem da facção para interromper conflitos durante a reunião do G20, em fevereiro do ano passado, como prova de interlocução entre o crime e o Estado.

Garotinho afirmou ainda que há uma lista de 47 deputados estaduais que devem receber mesadas do esquema. A informação deve estar contida em celulares apreendidos com Rui Bulhões, chefe de gabinete de Bacellar, durante a segunda etapa da Operação Unha e Carne.



Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

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