Exposição de troca de mensagens entre Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro joga por terra falácia de responsabilidade de vice contra Celina Leão

Diálogos obtidos pela PF entre ex-governador Ibaneis Rocha e Daniel Vorcardo e registros de imprensa reforçam distanciamento de Celina Leão entre decisões relacioandas ao BRB no caso com Banco Master

Por Kleber Karpov

Sem condenação alguma ao longo da carreira política — à exceção do caso da Draco (2017) —, os candidatos que disputam contra a governadora Celina Leão (Progressistas) o Governo do Distrito Federal (GDF) tentam vincular à chefe do Buriti o rombo do Banco de Brasília (BRB), decorrente do escândalo protagonizado pelo ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, e pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O único argumento utilizado pelos rivais baseia-se na tentativa de responsabilizar a chefe do Executivo pelo fato de ter sido eleita vice-governadora na chapa do ex-governador do DF Ibaneis Rocha (MDB). A Leoa, por sua vez, sempre refutou qualquer tentativa de vínculo. Para além da institucionalidade do cargo, a mandatária do GDF sempre teve na ponta da língua que era “vice-governadora do DF, não governadora de Ibaneis”.

A dinâmica da oposição, em especial dos candidatos ao GDF, tem sido a de comemorar cada novidade que surge em relação ao caso Master: o aumento da dívida — que até 31 de março, data em que Celina Leão assumiu o governo do DF, era estimada em R$ 2 bilhões e saltou para R$ 15 bilhões em pouco mais de uma semana, à medida que vieram a público informações da auditoria contratada pela governadora e apurações da Polícia Federal (PF); as ‘travas’ do governo federal à tentativa do GDF de obter o aval da União para contrair um empréstimo de R$ 6 bilhões, via Fundo Garantidor de Créditos e bancos, a fim de sanear o BRB; e, mais recentemente, as revelações de trocas de mensagens entre Vorcaro e terceiros, após a quebra de sigilo autorizada nas investigações da PF.

Nesse contexto, quanto mais a oposição tenta atribuir a Celina Leão a responsabilidade, ou sugerir que ela tinha conhecimento das transações e articulações de Rocha com o ex-presidente do BRB, mais a tese de cumplicidade por ter ocupado a vice-governadoria se desmancha nas próprias comemorações dos postulantes ao Buriti. Prova disso são os resultados das pesquisas eleitorais: antes da explosão do escândalo, no ápice da crise e, agora, nos levantamentos mais recentes.

A chefe do Executivo figurava na faixa de 45% a 48% das intenções de voto e chegou a registrar uma queda de cerca de 20 pontos percentuais no ápice das revelações sobre o rombo. Contudo, à medida que Celina relembrou seu posicionamento contrário à operação e reiterou a ausência de qualquer afinidade com Costa, somada à sua postura proativa na busca de soluções para garantir a solvência da instituição, a desvantagem voltou a recuar gradativamente. No domingo (20/Set), a governadora praticamente retornou ao patamar pré-crise, oscilando acima dos 42% das intenções de voto do eleitorado brasiliense.

O cenário torna-se ainda mais favorável diante do desempenho dos adversários: o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que abriu a pré-campanha com cerca de 20% das intenções de voto, recuou cerca de cinco pontos percentuais conforme Celina retomava o crescimento. Ricardo Cappelli (PSB) segue em trajetória de baixa, e Leandro Grass aparece pouco melhor, mas ainda mais de 25 pontos percentuais atrás da atual mandatária.

Nos debates, os oponentes insistem na ladainha sem sustentação de tentar colar na governadora a condição de cúmplice apenas pela relação institucional decorrente do cargo de vice. Ao que parece, esqueceram-se da relação abertamente conflituosa entre o então vice Renato Santana (PSD) e o ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Ou sequer lembram quem exercia o segundo comando do DF nas gestões de Agnelo Queiroz (PT) ou Cristovam Buarque (então PDT, hoje PSB) — este último, aliás, cometeu evidente indelicadeza ao afirmar, peremptoriamente, que Celina Leão “sabia” e até “negociou” no caso Master (Veja aqui).

Climão no Buriti

Em meio às quebras de sigilo determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que atingiram figuras de peso ligadas a Vorcaro, Celina Leão deparou-se na última semana com registros da investigação envolvendo o ex-banqueiro. Reportagem do caderno de negócios da Folha de S.Paulo (15/Set) insinuava que Vorcaro teria apontado participação da Leoa no episódio.

Chamou atenção, no entanto, que a matéria citava diálogos entre o ex-banqueiro e o publicitário Thiago Miranda (então sócio do comunicador Leo Dias), omitindo o print que deu origem à narrativa. Nele, Miranda, ao mencionar Celina Leão — à época vice-governadora —, compartilhou o link de uma matéria de O Globo, datada de 5 de abril de 2025 (Veja Aqui) e assinada por jornalista da equipe da colunista Malu Gaspar.

Print capturado pela Polícia Federal de comunicação entre Thiago Miranda e Daniel Vorcaro – Foto: PF/Celular de Vorcaro

Naquela reportagem resgatada por Miranda — publicada um ano antes de Celina assumir em definitivo o GDF e meses antes de a crise do Master explodir —, a então vice-governadora posicionava-se de forma categórica contra a operação financeira entre o BRB e o Master, avalizada por Rocha. O próprio print enviado pelo publicitário e ignorado pelo veículo paulista destacava essa divergência, sintetizada no título: “O climão na cúpula do governo do Distrito Federal com a compra bilionária do Master”. O atrito, evidente, dava-se entre a Leoa — já apontada como pré-candidata à sucessão — e Ibaneis Rocha, então governador.

E a oposição…

Acreditando ter encontrado um “pote de mel”, a oposição lambuzou-se nas redes sociais para amplificar o suposto escândalo noticiado pela Folha. Fosse por oportunismo, desconhecimento ou desinteresse em checar o link enviado por Miranda a Vorcaro, ignoraram que o próprio conteúdo afastava qualquer cumplicidade da vice. Celina Leão, de pronto, foi às redes para desmontar a exploração sem fundamento da notícia.

Para piorar

Nesta segunda-feira (21/Set), vieram a público diálogos ainda mais comprometedores obtidos nas apurações: trocas de mensagens diretas entre o próprio ex-governador e Vorcaro entre março e agosto de 2025, período em grande parte anterior à oficialização do apoio de Rocha ao nome de Celina Leão. Nas conversas, o ex-chefe do Buriti chegou a encaminhar decisões liminares sobre o BRB, atos do Diário Oficial do DF (DODF) e informações sobre sanções de leis.

De pronto, a oposição tentou reeditar a tese de responsabilidade solidária da vice sobre os atos de Rocha. No entanto, os rivais ignoraram por completo as apurações do jornalista Mino Pedrosa, veiculadas com exclusividade no portal Fato Online (21/Set) (Veja aqui). A apuração revelou que Celina sequer figurava, originariamente, nos planos de Rocha para a sucessão e reafirmou o histórico de distanciamento e atritos entre ela e Paulo Henrique Costa.

Quanto mais tentam atrelar o caso Master a Celina Leão, mais os adversários abrem espaço para que a governadora se projete como a liderança que age com firmeza para recuperar o BRB enquanto se desvencilha do lamaçal que alcançou até gabinetes de cortes superiores. Enquanto a oposição permanece refém da expectativa de novos vazamentos — até aqui inócuos para conter a recuperação eleitoral da mandatária —, Celina consolida o discurso de resgate da instituição e de proximidade com a população vulnerável, pavimentando um caminho que pode liquidar a disputa eleitoral ainda no primeiro turno.

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Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

 

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