Por Kleber Karpov
O debate político e social sobre o direito menstrual gera quase o dobro de engajamento nas redes sociais do que as conversas sobre as experiências cotidianas da menstruação, aponta levantamento inédito da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados. A pesquisa indica que, embora o volume de postagens sobre o direito menstrual represente apenas 10,8% do total, a eficiência do tema é significativamente maior, intensificando a discussão pública sobre vulnerabilidade e acesso.
A análise da Nexus demonstra que, enquanto o cotidiano do ciclo menstrual domina a frequência de publicações nas plataformas, as pautas políticas se destacam pela capacidade de gerar interações por post. O estudo constatou que os temas “Menstruação em crises humanitárias” e “Licença menstrual” obtiveram as maiores taxas de engajamento, com 870 e 828 interações por post, respectivamente. A intensidade no debate reflete a busca por soluções estruturais e políticas públicas.

Pobreza menstrual
A alta taxa de engajamento ocorre em meio à reativação e atualização do Programa Dignidade Menstrual pelo Governo Federal. O programa, gerido pelo Ministério da Saúde, deve garantir a distribuição gratuita de absorventes para pessoas que menstruam em situação de vulnerabilidade. A iniciativa visa combater a pobreza menstrual, problema que afeta a saúde, a dignidade e a assiduidade escolar de milhões de brasileiras. O acesso aos itens de higiene é realizado por meio do programa Farmácia Popular.
O contexto atual remete à Lei nº 14.214/2021, que instituiu o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual. Os vetos iniciais à lei, que impediram a distribuição de absorventes, desencadearam forte mobilização social. Tal mobilização impulsionou a discussão da pobreza menstrual como uma questão de direito e saúde pública, e não apenas uma questão individual. Este histórico de controvérsia elevou a pauta ao centro do debate político.
Legislação e no acesso
Os dados de engajamento indicam que a sociedade direciona sua atenção para a necessidade de o poder público fornecer soluções para o problema. O debate, portanto, transcende o âmbito da saúde individual e entra na esfera da equidade social. O tema do acesso e da legislação se mostra mais eficiente em gerar interações do que as postagens que tratam sobre a experiência física do ciclo menstrual.
A tendência aponta para a consolidação da pauta como um tema permanente na agenda política e midiática, com usuários das redes sociais demandando continuamente a expansão e a eficácia das políticas de dignidade menstrual em vigor.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











