Por Kleber Karpov
O capitão da Polícia Militar da Bahia, Fabrício Carlos Santiago dos Santos, foi condenado pela Justiça Militar a 21 anos, 1 mês e 27 dias de prisão em regime fechado. A sentença, proferida no dia 10 de junho e divulgada na última segunda-feira (15), refere-se aos crimes de corrupção passiva e peculato-desvio, praticados de forma continuada entre julho de 2023 e março de 2024 no município de Santa Cruz Cabrália, no extremo sul do estado.
Segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), acatada pela Justiça, o oficial recebia valores indevidos para direcionar o policiamento da 4ª Companhia em benefício de interesses privados. A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Sul), revelou que o capitão utilizava recursos públicos, como viaturas, combustível e policiais em serviço, para realizar a segurança patrimonial de áreas particulares, incluindo uma fazenda.
As provas apontam que o próprio policial enviava fotografias das viaturas estacionadas nos locais para comprovar a execução do serviço ao contratante. Os pagamentos, que variavam de R$ 135 a R$ 500, eram feitos via Pix para contas do oficial e de uma empresa vinculada à sua família. O esquema era apelidado pelo réu de “Toddy”, termo usado como senha para a cobrança da propina em mensagens.
Reincidência e perda da patente
Além da pena de reclusão, a sentença determinou a perda do cargo, posto e patente do militar, a manutenção de sua prisão preventiva e a perda dos direitos políticos após o trânsito em julgado da condenação. Fabrício Carlos Santiago dos Santos encontra-se preso na Coordenação de Custódia Provisória da Corregedoria da PM.
Esta não é a primeira condenação do oficial. Em setembro de 2025, ele já havia sido sentenciado por corrupção, com determinação de perda do cargo, por cobrar propina para autorizar a realização de festas “paredão” na mesma região. Na nova denúncia, foi apontado que o crime de corrupção passiva foi praticado pelo menos 13 vezes, envolvendo propinas em dinheiro e também em bebidas alcoólicas.
O montante total recebido pelo capitão, comprovado documentalmente, ultrapassa R$ 17 mil, mas o valor pode chegar a R$ 21,5 mil. Para a Justiça, o conjunto probatório revelou um “esquema mercantilizado de segurança pública”, com a utilização da estrutura estatal em benefício privado mediante pagamento.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











