Por Kleber Karpov
A dívida de R$ 40 bilhões acumulada por grandes devedores no Rio de Janeiro motivou um grupo de cinco entidades empresariais, entre elas a FIRJAN e o Instituto Combustível Legal (ICL), a apoiar um projeto de lei para combater a inadimplência sistemática. A proposta, enviada pelo governo estadual à Assembleia Legislativa (Alerj), busca criar regras para diferenciar empresas com dificuldades financeiras pontuais daquelas que usam o não pagamento de tributos como estratégia de negócio, conforme dados citados pelo deputado Rodrigo Amorim (União).
Impacto na concorrência
Para as entidades, a distinção é crucial, especialmente no setor de combustíveis. Empresas que deixam de recolher impostos de forma reiterada podem usar esses recursos para financiar suas próprias operações, praticando preços artificialmente baixos e conquistando mercado de forma desleal.
A prática resulta em uma concorrência desequilibrada com as empresas que cumprem suas obrigações fiscais. Além do prejuízo ao ambiente de negócios, o Estado perde recursos que deveriam ser destinados ao financiamento de políticas e serviços públicos essenciais para a população.
Caso Refit
O caso da empresa Refit ilustra como o passivo fiscal pode atingir proporções alarmantes ao longo dos anos. Segundo dados do Governo do Estado, a dívida tributária da companhia saltou de R$ 5,5 bilhões em 2016 para uma projeção de R$ 25,7 bilhões em 2026, um crescimento de mais de R$ 20 bilhões em uma década.
Esse avanço do débito ocorreu enquanto a empresa estava em processo de recuperação judicial. Agora, o Estado solicita a conversão do processo em falência, argumentando que a companhia perdeu sua viabilidade econômica e não possui capacidade de gerar caixa para manter suas atividades e honrar suas obrigações.
A dívida atribuída à Refit corresponde, sozinha, a cerca de 64% do total de R$ 40 bilhões devidos pelos grandes devedores do estado. Embora o montante total não possa ser automaticamente classificado como dívida de devedores contumazes, o número evidencia a escala do passivo sobre o qual novos mecanismos de cobrança poderiam atuar.
Potencial de recuperação
A recuperação de uma parcela desse estoque representaria um ganho significativo para os cofres públicos. Simulações indicam que a recuperação de 10% dos R$ 40 bilhões injetaria R$ 4 bilhões no orçamento estadual, enquanto 20% representariam R$ 8 bilhões. Estes valores são referenciais e não previsões, pois a arrecadação efetiva depende de fatores como a situação patrimonial dos devedores.
As entidades reforçam que o ganho fiscal é apenas uma das vantagens da proposta. A principal função da lei seria a de proteger a concorrência, impedindo que a inadimplência sistemática se torne uma ferramenta competitiva. O objetivo não é punir o contribuinte com dificuldades eventuais, mas coibir uma prática de negócio predatória.
Apelo à Alerj
Diante disso, o grupo de instituições defende que a proposta seja analisada com prioridade pela Alerj. Elas pedem que o texto final contenha critérios objetivos para definir a contumácia, além de mecanismos eficazes de fiscalização, cobrança e sanções que anulem o benefício econômico obtido com o não pagamento de impostos.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;
“]














