Brasil ultrapassa 600.425 mortes por covid-19

Bolsonaro ‘politiza’ e ministro da saúde relativiza números da pandemia

Por Kleber Karpov

Dados do boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde na tarde da sexta-feira (8/Out), apontam que o Brasil Brasil registrou 18.172 novos casos de coronavírus com 615 óbitos, em decorrência da covid-19, nas últimas 24 horas. Com isso, o país ultrapassou a marca das 600.425 mortes durante a pandemia, e um total de  21.550.730 casos de infecção pelo coronavírus.

Entre os estados com mais casos de óbitos registrados estão São Paulo (150.630), Rio de Janeiro (67.029), Minas Gerais (54.944), Paraná (39.471) e Rio Grande do Sul (35.017). Com menor número de mortes estão o Acre (1.839), o Amapá (1.986) e Roraima (2.005).

Relativização

Questionado sobre os números, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga que recentemente anunciou que o governo federal não deve comprar doses da vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, tentou relativizar os números ao mencionar que o país tem mais de 380 mil óbitos decorrentes de distúrbios cardíacos todos os anos.

“Bom, em primeiro lugar, só de doença do coração são mais de 380 mil [mortes] todos os anos. Então se contar no mesmo período, nós teríamos também cifras alarmantes”, disse Queiroga. “O câncer também tem elevada incidência de óbitos e a covid é uma emergência sanitária internacional que levou a óbitos em todos os locais do mundo”, justificou Queiroga.

“Politização”

Mais cedo, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (Sem Partido), tentou ‘politizar’ as mortes. “Em parte dá certo o nosso governo — não vou falar que é tudo 100% —, apesar da tal da pandemia, que houve uma potencialização, em que pesem as mortes. Lamentamos todas as mortes, mas houve uma politização enorme”, afirmou.

Responsabilização

Por meio de nota, a Anistia Internacional do Brasil apontou a responsabilidade do governo federal à responsabilidade ao lembrar que ao Estado cabe os “deveres constitucionais de garantir que brasileiros e brasileiras tenham seus direitos à vida e à saúde assegurados. É urgente que essas mortes que poderiam ter sido evitadas, sejam responsabilizadas.”.

A Anistia Internacional do Brasil apontou a importância do trabalho realizado na CPI da Pandemia, no Senado Federal e conclamou à responsabilidade do procurador-geral da República, Augusto Aras, em relação ao relatório final da CPI que aponta mais de 40 investigados, por supostas participações em diversas práticas de crimes, diretamente ligadas a pandemia no país.

“A Anistia Internacional Brasil e 16 organizações da sociedade civil estão à frente da campanha Omissão Não é Política Pública que exige que o Procurador Geral da República, Augusto Aras, não deixe impunes os possíveis crimes apontados pela CPI da Covid. E que todas as pessoas apontadas pelo relatório final da CPI sejam processadas judicialmente e devidamente responsabilizadas”, finaliza a nota.

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