De volta ao HRPa, SindMédico-DF constata cenário de caos

Assim como em agosto do ano passado, unidade ainda sofre com falta de medicamentos, de equipamentos e carência de profissionais.

Com déficit de médicos e outros profissionais da saúde, o Hospital Regional do Paranoá (HRPa) é mais um que completa o cenário de sucateamento do SUS-DF: tanto é que, no dia 2 deste mês, a direção da unidade decretou bandeira vermelha. Nesta semana, na segunda-feira (9), o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, e o vice, Carlos Fernando, visitaram o local e constataram que nada foi feito para reverter a situação de caos desde a última vistoria, em agosto do ano passado. Pelo contrário. De lá para cá, denunciaram os servidores, “as coisas só pioraram”.

No dia da visita do SindMédico à unidade, por exemplo, havia apenas uma médica no pronto-socorro. Somando todas as áreas, entre centro obstétrico, pediatria e ortopedia, o total de médicos era de apenas nove. Vale lembrar que, hoje, o Paranoá possui uma população de mais de 50 mil pessoas. E o HRPa é referência também para os pacientes de São Sebastião e outras cidades do entorno do DF.

No centro obstétrico, os médicos relataram que há uma quantidade “anormal” de pacientes (gestantes) chegando à unidade sem os exames necessários para avaliação, pois os pré-natais ficaram comprometidos após as mudanças promovidas na Atenção Primária. “Tem muito médico aqui pedindo exoneração por conta da falta de condições de trabalho”, relataram, revelando ao presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, e ao vice, Carlos Fernando, que a região é uma das que possui o maior índice de óbitos neonatais.

Outra área do hospital que retrata bem o caos do SUS-DF é a ortopedia que, segundo os médicos, “não tem mais triagem”. “Trabalhamos diariamente com excesso de pacientes para a quantidade de médicos. E isso sem contar que falta material”, afirmaram. A internação, afirmaram ainda, “está lotada”.

Na pediatria, o relato é de que há várias falhas na escala. Normalmente, apenas dois médicos se dividem entre internação e porta. Faltam medicamentos e equipamentos para o exercício pleno da medicina na área. “A direção do hospital, às vezes, enxerga o consultório do médico como leito de internação, o que torna a situação ainda mais dramática”, disseram.

“O que vimos aqui é um hospital que acumula problemas, com uma gestão que não prioriza solução para eles. Há déficit de profissionais, falta de medicamentos e equipamentos velhos ou estragados. E o pior é que isso está acontecendo em toda a rede do SUS-DF. Os servidores precisam de condições de trabalho para atender a população. E é por isso que lutamos. Não tem outro caminho”, avaliou o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg.

Para o vice-presidente do SindMédico-DF, o próximo passo, agora, é buscar novamente os órgãos de fiscalização e controle e denunciar a situação para buscar uma solução que contemple os servidores e a população, que não pode ficar sem atendimento. “É sempre muito triste quando voltamos aos hospitais e unidades de saúde para, infelizmente, constatar que o objetivo deste governo é, de fato, o desmonte do SUS-DF”, afirmou.

Histórico

No dia 02 deste mês, a direção do HRPa decidiu decretar bandeira vermelha na unidade por conta do déficit de médicos e da superlotação. Em nota à imprensa, a SES-DF teria afirmado que o principal motivo para a alta demanda é “que muitos pacientes com casos de menor gravidade superlotam o hospital”.

Fonte: SindMédico-DF

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