Por Kleber Karpov
A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) encaminhou uma nota técnica ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à direção nacional do Partido dos Trabalhadores para defender a manutenção do critério de proporcionalidade na distribuição de recursos de campanha para pessoas negras nas eleições de 2026. A parlamentar alerta para o risco de a nova regulamentação, baseada na Emenda Constitucional nº 133/2024, permitir um retrocesso nas políticas afirmativas ao ser interpretada como um teto, e não um piso, para o financiamento.
A manifestação da deputada sustenta que a nova regulamentação para o pleito de 2026, ao não reproduzir explicitamente o critério da proporcionalidade já consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo TSE, abre uma brecha que pode enfraquecer as políticas de ação afirmativa. Segundo Dartora, essa omissão pode levar os partidos a destinarem apenas o mínimo de 30% dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) às candidaturas de pessoas pretas e pardas, mesmo que elas representem uma fatia maior do total de candidatos.
Na prática, a interpretação comprometeria o objetivo de promover a igualdade de oportunidades e poderia resultar no subfinanciamento de centenas de candidaturas em todo o país. A parlamentar destaca que as mulheres negras seriam especialmente afetadas, pois enfrentam as desigualdades combinadas de raça e gênero.
“No meu caso, por exemplo, reúno simultaneamente os critérios de raça, gênero e reeleição. Ainda assim, a informação que recebi é de que o PT Paraná não pretende considerar esses critérios na distribuição do Fundo Partidário. Se essa decisão for mantida, minha campanha será diretamente prejudicada. Mas essa não é uma discussão sobre uma candidatura específica. É uma discussão sobre o direito de milhares de candidaturas negras disputarem eleições em condições reais de igualdade”, disse Carol Dartora.
Piso constitucional x teto de financiamento
A nota técnica enviada por Carol Dartora ressalta que o princípio da proporcionalidade foi reconhecido pelas cortes superiores como um instrumento essencial para a efetividade das ações afirmativas na política. Dessa forma, se a participação de candidatos negros em um partido ultrapassar o patamar de 30%, a distribuição dos fundos públicos deve seguir essa mesma proporção para garantir a paridade.
Para a deputada, transformar o percentual mínimo garantido pela Constituição em um teto de financiamento representa um grave enfraquecimento das conquistas recentes. Ela defende que a nova regulamentação seja interpretada de forma a preservar os avanços obtidos na Justiça Eleitoral nos últimos anos.
“Direitos não podem ser transformados em limite. A Constituição garantiu um piso mínimo de proteção às candidaturas negras, e não autorizou a redução de recursos destinados à promoção da igualdade racial. As ações afirmativas existem para corrigir desigualdades históricas e garantir que pessoas negras tenham condições reais de disputar os espaços de poder”, afirmou a parlamentar.
Impacto nacional da decisão
Carol Dartora enfatiza que a decisão do TSE sobre o tema terá um impacto em escala nacional. O posicionamento do tribunal será determinante para definir se o financiamento público de campanha continuará a ser uma ferramenta de promoção da igualdade racial ou se haverá um enfraquecimento das políticas afirmativas, justamente no momento em que mais pessoas negras disputam e ocupam espaços na representação política.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;













