Doenças raras: a lentidão do sistema X a urgência em transformar política pública em lei

Por Rosana Valle

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que existem 15 milhões de brasileiros que convivem com algum tipo de doença. O número, altamente expressivo, foi divulgado durante o 11º Cenário das Doenças Raras no Brasil, promovido pela Casa Hunter, em 8/6, em São Paulo-SP, do qual participei. Saí de tal encontro não somente impressionada com a grande parcela da população afetada por estas enfermidades, mas, sobretudo, impactada sobre como nosso País não cuida, adequadamente, de quem necessita de tratamento.

Durante o evento, o que realmente ficou evidente nos relatos de pacientes, de familiares e de especialistas foi a distância que ainda existe entre o conhecimento produzido pela Medicina e o dia a dia enfrentado pelos enfermos.

O Brasil detém centros de excelência, pesquisadores reconhecidos internacionalmente e profissionais altamente qualificados. Ainda assim, milhares de famílias continuam percorrendo longo e desgastante caminho até conseguirem um diagnóstico. Em muitos casos, a busca por respostas atravessa anos – não por falta de Tecnologia, nem por ausência de conhecimento científico; mas porque o sistema continua incapaz de conectar estas pontas em velocidade pertinente.

A necessidade de consolidar um marco legal mais robusto para as doenças raras no Brasil foi outra questão abordada no decorrer do encontro. E a discussão faz todo sentido. Hoje, afinal, a principal política pública nacional voltada a pacientes de doenças raras está baseada na portaria 199, publicada pelo Ministério da Saúde em 2014. Na época, foi um avanço importante; não há de se negar. A questão, porém, é que portarias são frágeis, pois dependem da vontade administrativa dos governos em vigência. Ou seja, se o governante da ocasião não quiser mais aquela portaria, ele a derruba. Simples, assim! Logo, o que ela determinava, já não tem mais nenhum efeito. Leis, por outro lado, precisam ser obedecidas, sob risco de aplicação de sanções; e não podem ser, simplesmente, suspensas sem que sejam submetidas à votação no Congresso Nacional.

Esta constatação me levou a protocolar o Projeto de Lei (PL) 4.997/2024 na Câmara dos Deputados, em Brasília-DF. A proposta busca transformar em legislação os princípios da atual Política Nacional de Atenção às Pessoas com Doenças Raras, assegurando maior estabilidade às ações de diagnóstico, de acompanhamento e de tratamento.

Não estamos defendendo, tão somente, a criação de obrigações para o poder público. É preciso evitar que avanços conquistados ao longo dos últimos anos sejam fragilizados por mudanças administrativas.

Outro aspecto discutido no evento da Casa Hunter diz respeito ao investimento em doenças raras – ele não beneficia apenas os pacientes que lutam contra estas enfermidades. Boa parte da revolução que a Medicina vive atualmente, em outras searas, surgiu a partir da investigação destas patologias. O conhecimento produzido influencia pesquisas sobre câncer, condições neurodegenerativas e inúmeros outros diagnósticos que afetam milhões de pessoas.

A discussão, hoje, não deve orbitar apenas a pauta da Saúde, mas, também, no que tange pesquisa e inovação, e no que concerne a eficiência do gasto público e a capacidade de transformar conhecimento científico em benefício concreto para a população.

O debate sobre doenças raras promovido pela Casa Hunter mostrou que o País já acumulou experiência suficiente para dar o próximo passo. Penso que, a questão, urgente-urgentíssima, não é provar a importância do tema – é fazer com que as políticas públicas acompanhem a celeridade dos avanços científicos. Este é um desafio que o Brasil não pode mais postergar.

Rosana Valle

Rosana Valle é deputada federal pelo PL-SP, em segundo mandato; autora do Projeto de Lei (PL) 4.997/2024, que torna permanente no Brasil a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras; presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo; jornalista há mais de 25 anos; e autora dos livros “Rota do Sol 1” e “Rota do Sol 2”.

Celina Leão inaugura sede definitiva do 15º Batalhão da PMDF na Estrutural

Por Kleber Karpov A governadora do DF, Celina Leão (Progressistas)...

Núcleo rural do Park Way deve ganhar CEPI com 94 vagas

Por Kleber Karpov A governadora do DF, Celina Leão (Progressistas),...

HBDF reorganiza fluxos da ortopedia para tornar atendimentos mais ágeis

Por Kleber Karpov Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do...

Celina Leão prorroga concurso do Corpo de Bombeiros e homologa mais de 2,8 mil aprovados

Por Kleber Karpov Governadora Celina Leão autorizou, nesta quinta-feira (02/jul),...

Celina Leão autoriza contratação de mais de 700 professores para rede pública do DF

Por Kleber Karpov A governadora do DF, Celina Leão (Progressistas)...

Celina Leão amplia cotas do serviço voluntário da PMDF para reforçar policiamento nas ruas

Por Kleber Karpov A governadora do DF, Celina Leão (Progressistas)...

Investimento de R$ 153 milhões amplia saneamento básico em São Sebastião

Por Kleber Karpov A governadora Celina Leão assinou, nesta quinta-feira...

Destaques

Celina Leão inaugura sede definitiva do 15º Batalhão da PMDF na Estrutural

Por Kleber Karpov A governadora do DF, Celina Leão (Progressistas)...

Núcleo rural do Park Way deve ganhar CEPI com 94 vagas

Por Kleber Karpov A governadora do DF, Celina Leão (Progressistas),...

HBDF reorganiza fluxos da ortopedia para tornar atendimentos mais ágeis

Por Kleber Karpov Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do...

IGESDF realiza mudanças em rotina de amenizar vida de pacientes e profissionais na UPA de Planaltina

Por Kleber Karpov Esperar por atendimento em unidade de urgência...

Celina Leão prorroga concurso do Corpo de Bombeiros e homologa mais de 2,8 mil aprovados

Por Kleber Karpov Governadora Celina Leão autorizou, nesta quinta-feira (02/jul),...