Por Kleber Karpov
O avanço do outono e a chegada do inverno no Distrito Federal intensificam a circulação de vírus respiratórios, como o influenza (causador da gripe) e o SARS-CoV-2 (causador da covid-19). Com sintomas iniciais semelhantes — tosse, coriza, febre, dor de garganta e cansaço —, a população enfrenta o desafio de distinguir as duas infecções e saber o momento certo de buscar atendimento médico. Especialistas da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) orientam que a avaliação da gravidade dos sinais é o principal critério para decidir entre uma unidade básica de saúde (UBS) ou um serviço de urgência e emergência.
A referência técnica distrital de Família e Comunidade da SES-DF, Camila Damasceno, explica que não é possível diferenciar gripe e covid-19 apenas pelos sintomas, pois ambas podem apresentar quadros de tosse, coriza, febre, dor de cabeça e dor no corpo. “O distúrbio olfativo [não sentir cheiros], por exemplo, não é exclusivo da covid-19, apesar de levantar um pouco mais de suspeita”, afirma. Enquanto a gripe tende a ter início abrupto, com febre alta e dores musculares intensas, a covid-19 costuma evoluir de forma gradual, com cansaço extremo e perda de olfato ou paladar, inclusive em casos leves.
Em artigo publicado no jornal espanhol El País, a epidemiologista María Elisa Calle, professora titular da Faculdade de Medicina da Universidade Complutense de Madri, detalhou que, na covid-19, a pessoa se contagia e apresenta piora progressiva: “um dia está um pouquinho mal, no dia seguinte um pouco pior, no outro ainda pior, e então é quando aparece a febre alta e a sensação de cansaço”. Já o resfriado, causado por rinovírus ou outros coronavírus, é mais leve e costuma se curar em três dias, com sintomas como coriza, congestão nasal e tosse úmida, sem febre expressiva.
Quando procurar atendimento
A orientação da SES-DF é buscar assistência conforme a gravidade. Para casos leves, com sinais como dor de cabeça, coriza, tosse, dor na garganta e moleza, o ponto de atendimento são as unidades básicas de saúde (UBSs). “Se a pessoa estiver com sinais respiratórios leves, o ponto de atendimento são as unidades básicas de saúde”, reforça Camila Damasceno.
Já os casos graves exigem assistência imediata em unidades de urgência e emergência. Os sintomas que merecem maior atenção incluem: febre por mais de 72 horas seguidas ou febre alta (acima de 39,5 °C ou 40 °C) que não cede com medicamento; dificuldade para respirar ou respiração acelerada; sensação de desmaio; e pressão no peito. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que, entre o risco de contrair covid-19 no hospital ou permanecer em casa aguardando evolução, muitas pessoas têm apostado errado e chegam à emergência com a saúde já comprometida.
Prevenção e vacinação
Embora causadas por vírus distintos — influenza e SARS-CoV-2 —, ambas as doenças têm alto potencial de contágio e mutação, podendo evoluir para formas graves, especialmente em grupos vulneráveis como crianças, idosos, gestantes, puérperas, profissionais de saúde e pessoas com doenças crônicas. O tratamento é voltado ao alívio dos sintomas com antitérmicos, analgésicos e anti-inflamatórios, sempre sob orientação profissional. Nos casos leves, a recomendação inclui repouso, hidratação adequada, alimentação equilibrada e isolamento para evitar transmissão.
Medidas preventivas adicionais incluem ventilar ambientes, higienizar frequentemente as mãos, evitar aglomerações e usar máscaras de proteção. A vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção. “A dose contra a influenza é atualizada anualmente, porque as cepas da doença também sofrem alterações de um ano para o outro”, detalha Damasceno. “Vale lembrar que a vacina da gripe protege a pessoa dos casos graves, hospitalizações e óbitos.”
A médica também destaca que a covid-19 segue circulando. “O coronavírus não foi embora nem vai, infelizmente. É uma infecção que vai continuar presente, como já acontece com a influenza e o VSR [vírus sincicial respiratório]”, avalia. Os imunizantes não impedem a infecção, mas são essenciais para evitar agravamento, hospitalizações e mortes.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










