Alfaletrando amplia alfabetização e supera metas previstas para 2025 no DF

Programa Alfaletrando impulsiona avanço de seis pontos percentuais no índice de crianças alfabetizadas e reforça acompanhamento pedagógico nas escolas públicas

Por Kleber Karpov

O Distrito Federal registrou um avanço significativo na alfabetização infantil, superando as metas estabelecidas para 2025. O percentual de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental na capital federal passou de 59% em 2024 para 65% em 2025, um aumento de seis pontos percentuais. Este progresso é atribuído à implementação do Programa de Alfabetização e Letramento do Distrito Federal (Alfaletrando), transformado em política pública pelo Governo do Distrito Federal (GDF) em 2024, com resultados divulgados em 05 de junho de 2026.

O Programa Alfaletrando, instituído como política pública distrital em 2024, visa fortalecer a alfabetização nos anos iniciais da rede pública de ensino. Sua atuação se estrutura em cinco eixos principais: governança, formação de profissionais da educação, infraestrutura e insumos pedagógicos, avaliação das aprendizagens e compartilhamento de práticas exitosas.

Dados da Secretaria de Educação (SEEDF) indicam que o programa atendeu mais de 56 mil estudantes em 2024. Em 2025, foi expandido para todos os anos iniciais do ensino fundamental, alcançando 141.670 estudantes em 2026. A iniciativa também investiu na capacitação de educadores, com cerca de 2,8 mil professores participando em 2024, 3,4 mil em 2025 e aproximadamente 2,6 mil em 2026. Atualmente, o Alfaletrando está presente em 385 escolas da rede pública.

Entre 2024 e 2026, foram investidos mais de R$ 40,3 milhões, direcionados principalmente à Rede Distrital de Alfabetização e Letramento (Redalfa). Esta rede é composta por professores responsáveis pelo acompanhamento da política pública em toda a rede. O programa também foca na recomposição das aprendizagens impactadas pela pandemia, especialmente entre estudantes do 3º ao 5º anos do ensino fundamental.

“Tínhamos uma meta de 63% de crianças alfabetizadas em 2025 e alcançamos 65%. Isso retrata o trabalho que vem sendo feito desde a construção do Alfaletrando, um programa elaborado por profissionais da própria rede. A formação continuada, o acompanhamento pedagógico e o compromisso dos professores com a aprendizagem das crianças têm sido fundamentais para esse avanço”, disse Divaneide Lira Lima Paixão, chefe da Unidade de Gestão Estratégica da Educação Básica da Subsecretaria de Educação Básica.

Impacto direto nas escolas

Na Escola Classe 02 do Riacho Fundo II, uma das unidades participantes do programa, os indicadores internos demonstram avanços notáveis. Em apenas dois meses, o percentual de estudantes alfabetizados subiu de 30,6% para 43,4%, um crescimento de 12,8 pontos percentuais. No mesmo período, o número de alunos classificados como pré-silábicos diminuiu de 13,7% para 6,7%.

“A gente acredita muito no processo de aprendizagem. Fazemos acompanhamento e monitoramento contínuos, investimos na formação dos professores, construímos uma rotina diária de alfabetização e trabalhamos com atividades de leitura, escrita e consciência fonológica. É um trabalho em equipe, desde o acolhimento das crianças até o trabalho em sala de aula”, disse Michele Rodrigues Alves, diretora da Escola Classe 02 do Riacho Fundo II.

A escola, que atende 622 estudantes nos turnos matutino e vespertino, adota diversas estratégias. Entre elas, destacam-se momentos semanais de leitura, o empréstimo de livros por meio da sacola literária e análises periódicas dos resultados de avaliações internas e externas para direcionar as intervenções pedagógicas.

A professora Raiza Morais, que trabalha com alunos de 6 e 7 anos, ressalta a eficácia das formações do programa. “O programa traz atividades lúdicas que ajudam a despertar o interesse dos estudantes. A alfabetização acontece junto com o letramento, para que eles compreendam o que estão lendo. Hoje percebemos que as crianças não apenas decodificam palavras, mas entendem seus significados e conseguem relacioná-los ao mundo à sua volta.”

A conexão com a comunidade e famílias

Os resultados do programa também se manifestam nas histórias das famílias beneficiadas pela rede pública. Doris Silva Santos, mãe de Jonathan Santos Moura Pinéo, de 9 anos, diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA), deficiência intelectual leve e TDAH, observa uma transformação no filho. “A criança que entrou aqui e a criança que ele é hoje são completamente diferentes”, relatou Doris Silva Santos.

Para o professor Alan Julie de Oliveira, pai de Maria Eduarda, de 9 anos, e de Maria Clara, de 6, a participação familiar e o ambiente escolar são cruciais para o desenvolvimento infantil.

“A escola vai muito além da sala de aula. Ela aproxima as famílias, incentiva a leitura, promove cidadania e cria um ambiente seguro para o aprendizado. Quando a comunidade participa, o desenvolvimento das crianças acontece de forma muito mais completa”, disse Alan Julie de Oliveira.

Entre os próprios estudantes, a percepção dos benefícios é clara. Maria Eduarda Martins de Oliveira, aluna da Escola Classe 02 do Riacho Fundo II há quatro anos, compartilha sua experiência: “Eu aprendi que é melhor participar do que só ganhar. Gosto muito da biblioteca e dos livros. Essa escola me ajudou muito e hoje eu já me adaptei às regras e à convivência com os colegas e professores.”




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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