Por Kleber Karpov
Deputados federais dos partidos PT, PSOL e PCdoB anunciaram, nesta quarta-feira (13/Mai) em Brasília, que solicitarão investigações formais sobre a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A iniciativa, que inclui uma denúncia à Polícia Federal, um requerimento à Receita Federal e um pedido de CPI, ocorre após a divulgação de uma reportagem pelo site The Intercept Brasil que detalha uma suposta negociação de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre a família Bolsonaro. Vorcaro está atualmente preso sob suspeita de liderar uma organização criminosa de fraudes financeiras.
A negociação milionária
A apuração do The Intercept Brasil, baseada em áudios, mensagens de WhatsApp, documentos e comprovantes bancários, aponta que Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Vorcaro o aporte financeiro. O valor total da negociação para a produção do filme, que contaria com equipe e atores estrangeiros, seria de aproximadamente R$ 134 milhões.
Em um dos áudios revelados, o senador cobra o banqueiro pelo atraso nos pagamentos. Na gravação, Flávio Bolsonaro expressa preocupação com o andamento do projeto cinematográfico e a tensão gerada pela falta de recursos.
“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, disse o senador.
“Militante, não dá”
O caso chama atenção ainda pois meses antes, Flávio Bolsonaro, chegou a chamar o jornalista do The Intercep Brasil de “militante” ao ser questionado, e negar na manhã de quarta-feira (13/Mai), que Vorcaro tenha investido no filme da história do progenitor, Jair Messias Bolsonaro (PL/RJ).
Oposição formaliza pedidos
Diante das revelações, parlamentares da oposição detalharam as medidas que serão tomadas. O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), questionou a legalidade das transferências internacionais mencionadas na reportagem e anunciou que um requerimento será enviado à Receita Federal para apurar a tributação dos valores.
Segundo a matéria, parte do dinheiro teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025 por meio de uma empresa de Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos. Este fundo seria gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador. Uczai afirmou que também será apresentada uma denúncia à Polícia Federal para a abertura de inquérito. “Ninguém doa o valor de R$ 134 milhões se não tiver relação pessoal, política e até afetiva”, disse o deputado.
Suspeitas de crimes e críticas ao orçamento
O líder da federação PSOL/Rede, Tarcísio Motta (RJ), listou os crimes que, segundo ele, podem ter sido cometidos na relação entre o senador e o banqueiro. A proximidade entre os dois, evidenciada por mensagens em que Flávio trata Vorcaro como “irmão”, também foi destacada. “Lavagem de dinheiro, corrupção passiva, tráfico de influência e financiamento ilegal. Há indícios fortes desses quatro crimes, que precisam ser investigados, na relação entre o senador Flávio Vorcaro e o banqueiro Daniel Bolsonaro. Porque agora os nomes começam a se misturar”, acusou.
A deputada Jandira Feghali (RJ), líder do PCdoB, questionou o montante de R$ 134 milhões destinado ao filme. Ela comparou o valor com os orçamentos de produções nacionais premiadas, como Ainda Estou Aqui e Agente Secreto, para levantar dúvidas sobre o destino final dos recursos. “O Ainda Estou Aqui não passou de R$ 50 milhões. O Agente Secreto foi R$ 28 milhões de orçamento. Qual é a biografia que tem o senhor Jair Bolsonaro para ter um filme de R$ 134 milhões? É importante que a gente também apure para onde de fato, foi esse dinheiro. Para o bolso de quem foi, nós precisamos saber”, afirmou.
A versão de Flávio Bolsonaro
Em nota oficial, o senador Flávio Bolsonaro confirmou ter procurado Daniel Vorcaro para obter patrocínio, mas defendeu que se tratava de uma relação privada para financiar um filme privado, sem uso de recursos públicos ou da Lei Rouanet. “É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou.
O parlamentar declarou ainda que conheceu o banqueiro em dezembro de 2024, após o término do governo de seu pai e antes da existência de acusações públicas contra Vorcaro. Ele também negou ter oferecido qualquer tipo de vantagem indevida em troca do apoio financeiro. “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro”, completou o senador em sua manifestação.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










