Equipe de profissionais de saúde emociona ao informar paciente, a retirada de tubos de respiração

Pesquisa aponta que cerca de 80% de pacientes intubados, vítimas do Covid-19, vieram à óbito

336
Print Friendly, PDF & Email

Por Kleber Karpov

Um vídeo publicado nas redes sociais (22/Mar), emociona pela forma peculiar com que uma equipe de profissionais de saúde, informa a paciente identificada por Dona Regina, entubada em decorrência do covid-19.

Os profissionais de saúde, passam folhas de papeis com informações que remetem a um envelope e nele, o anúncio da retirada dos tubos da paciente, que também emocionada, também comemora com os guerreiros que atuam na linha de frente contra o covid-19.

Publicidade

Confira o vídeo

Muito a comemorar

O Brasil vive em meio ao enfrentamento da segunda onda da pandemia. Nesse cenário, diversos estados brasileiros passaram a registrar filas de pacientes a espera por um leito de UTI. Medida extrema, em que são submetidos as pessoas com risco de morte, em geral, submetidos ao procedimento de intubação.

Na última semana, pesquisa publicada na revista médica The Lancet Respiratory Medicine, sobre a mortalidade de pacientes, por covid-19, revelou que, no Brasil, aproximadamente de 80% dos doentes entubados, vieram a óbito.

A pesquisa foi realizada durante o período de 16 de fevereiro e 15 de agosto de 2020, com análise informações de 254 mil internações realizadas em diversos hospitais do país. Dados esses, obtidos por meio do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), do Ministério da Saúde (MS), que mantém compilação de todas as internações por síndrome respiratória, das unidades hospitalares.

Para o o pesquisador da Fiocruz Fernando Bozza, chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Medicina Intensiva do Instituto Evandro Chagas, o principal motivo está na falta de protocolo, nacional, de unificação de técnicas utilizadas para a realização do procedimento, além da falta de treinamento e experiência adequada, dos profissionais de saúde.

“A taxa permaneceu alta ao longo do ano. Perdeu-se tempo discutindo tratamento precoce sem qualquer evidência científica e não se investiu em disseminar informação sobre tratamentos eficazes para pacientes graves, como uso de esteroides, técnicas de identificação de insuficiência respiratória, uso da posição prona e outros”, disse Bozza, recentemente, em entrevista a BBC News Brasil.

Média Nacional e mundial

Os pesquisadores apontam ainda que as regiões Norte e Nordeste, mantém índices mais altos, de 86,7% e 83,7% respectivamente. No Centro Oeste fica na terceira posição, de 83,6%, seguido do Sul e Sudeste, empatados com 76,8%.

De acordo com o pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e do Institute for Global Health, em Barcelona, Otavio Ranzani, tais índices superam a média mundial, estimada em 50%, segundo dados publicados no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine que compilam informações de óbitos, pós-intubação, de 69 países.

Dentre esses, a Ásia tem uma taxa de 47%, seguido da América do Norte (46%) e a Europa (36%).  Segundo Ranzani, “A taxa de mortalidade brasileira para uso de ventilação mecânica (invasiva) é semelhante à do México, de 80,9%”.

VIACom informações de BBC News Brasil
Artigo anteriorDF deve reduzir carga horária de enfermeira que precisa cuidar de filho autista
Próximo artigoIdosos de 67 e 68 anos do DF começam a serem vacinados contra covid-19