Eleição para síndico no Condomínio Mansões Entre Lago vira caso de polícia

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Segundo boletim policial, o síndico do Entre Lagos, ao ver que não seria reeleito, teria fugido com atas e documentos durante assembleia

Por Mirelle Pinheiro 

A eleição para síndico do Entre Lagos, no Paranoá, virou caso de polícia. Os moradores denunciam que o atual gestor, Adilson Barreto, na função há 16 anos, ao ver que não seria reeleito, fugiu com as atas e documentos do condomínio.

A assembleia para escolha do síndico ocorreu no Lago Sul, nessa quinta-feira (25/10). “Estamos tão revoltados com a situação, que nessa semana os moradores compareceram em peso. Quando o síndico viu que ia perder, mandou um segurança fugir com a ata de presença”, disse um morador, que preferiu não identificar.

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No dia seguinte, ele disse que os condôminos descobriram uma outra situação irregular: Adilson teria usado as assinaturas deles para registrar em cartório que a assembleia não foi realizada. “Figuramos como testemunha de uma mentira. A assembleia aconteceu, assim como a votação, e ele perdeu”, desabafou.

Uma ocorrência foi registrada na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), mas o caso será investigado pela 10ª DP (Lago Sul). Segundo o boletim, o presidente da comissão eleitoral, Jerônimo da Rocha, barrou a entrada de alguns moradores alegando que o local não tinha espaço para comportá-los. A reunião, então, ocorreu do lado de fora do Centro de Convenções Israel Pinheiro, no Lago Sul.

Em um determinado momento, segundo o relato dos moradores à polícia, o atual síndico tentou fugir com documentos e foi impedido. Devido à confusão, documentos importantes teriam desaparecido, como a ata de presença.

Neste sábado (27), a administração amanheceu fechada. Com isso, os moradores estão impossibilitados de pegar encomendas e de ter acesso aos registros de prestação de contas e aos contratos.

Agora, eles tentam reunir 600 assinaturas para destituir o síndico. O Metrópoles tentou localizar neste sábado (27), o síndico, por meio do telefone celular e mensagens, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. Jerônimo da Rocha também não foi localizado.

A confusão na assembleia realizada no Lago Sul foi registrada por um morador. Confira:

Na manhã deste sábado, a administração amanheceu fechada causando nova confusão entre a atual gestão e moradores. Assista:

Associação criminosa
Em agosto desse ano, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu funcionários do condomínio durante a investigação sobre uma associação criminosa suspeita de vender imóveis de terceiros como se fossem próprios no Entre Lagos. O grupo usava uma farmácia no Itapoã como uma espécie de quartel-general do crime. O estabelecimento pertence ao homem apontado como chefe do esquema, que movimentou entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões, segundo a PCDF.

O grupo foi desarticulado pela 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá). Uma corretora e um funcionário de cartório do Plano Piloto, que não tiveram os nomes divulgados, foram alvos da corporação. As investigações duraram cerca de quatro meses. Segundo a PCDF, os suspeitos falsificavam contratos e os nomes dos titulares de imóveis localizados no condomínio. Depois, revendiam essas unidades para pessoas de boa-fé.

De acordo com o delegado-cartorário da 6ª DP, Ulysses Luz, o grupo cobrava entre R$ 60 mil e R$ 70 por cada imóvel. O investigador confirmou que o homem apontado como líder da quadrilha, composta por pelo menos cinco integrantes, estava foragido e foi preso no município de Governador Eugênio Barros, no Maranhão.

Renilson Oliveira Torres, 39 anos, era empresário do ramo farmacêutico e teria arquitetado todo o esquema fraudulento. O delegado disse que o local escolhido como “quartel-general da quadrilha” era uma farmácia de Renilson no Itapoã. No local, policiais encontraram documentos e contratos que comprovaram a prática ilícita.

Além de Renilson, está preso Rodrigo Pereira da Silva, que trabalhava no condomínio. Outro homem apontado como integrante do grupo criminoso, Arquisio Bittes Leão, segue foragido. De acordo com o delegado, Arquisio auxiliava o líder na adulteração dos documentos.

Vida de luxo
Segundo o responsável pela investigação, Renilson levava uma vida de luxo. “Os carros que ele comprou comprovam isso. Temos uma caminhonete apreendida cujo valor beira os R$ 200 mil”, destacou o delegado.

Ulysses Luz classificou o esquema como “uma fraude muito bem arquitetada”. A Polícia Civil estima que pelo menos 25 pessoas tenham sido vítimas do golpe. De acordo com a corporação, esse número pode aumentar. “A divulgação deve ajudar no reconhecimento dos criminosos”, assinalou.

Fonte: Metrópoles