Endividados com o BRB voltam a discutir acordo com o banco na Câmara Legislativa

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Depoimentos emocionados marcaram reunião ocorrida na tarde desta quinta-feira (4), na Câmara Legislativa, para discutir alternativas para os servidores superendividados com o BRB. Há muitos casos de trabalhadores que estão sem receber salários, pois toda a remuneração é destinada ao pagamento de empréstimos ou débitos de cartão de crédito. Mediado pelo deputado Júlio César (PRB), em continuidade à interlocução iniciada em janeiro pela presidente Celina Leão (PDT), o encontro voltou a reunir representantes de servidores, do banco e da Defensoria Pública do Distrito Federal.

Segundo Júlio César, o BRB havia se comprometido a deixar 30% das remunerações na conta dos correntistas, até ocorrer a negociação das dívidas. “Ontem fizemos um teste e ligamos para alguns gerentes, que não estavam cientes do acordo. Acordos têm de ser cumpridos”, pregou o distrital. “Esse é um momento que exige sensibilidade, e o BRB é o banco de Brasília”, completou.

“O BRB tem todo o interesse em equacionar isso. Sabemos que o endividamento é uma bola de neve”, disse o superintendente de Financiamentos e Empréstimos da instituição, Alino Donizetti de Queiroz. Ele informou que, além de estonar 30% dos salários para as contas dos superendividados – o que deverá ser feito de forma imediata –, o banco pretende lançar um plano de renegociação já na segunda quinzena de fevereiro, incluindo o treinamento de gerentes para atendimento individual, com o intuito de estudar condições, prazos e linhas de créditos acessíveis para cada uma das negociações. Além disso, os endividados deverão ser convidados para uma palestra de educação financeira.

A servidora da saúde Elied Barbosa de Oliveira destacou haver 1,8 mil servidores em situações sérias de endividamento. “A maioria está assim porque perdeu um cargo ou porque as horas extras não foram pagas. Temos débitos, mas também temos precatórios para receber, e reajustes que não foram pagos”. Para ela, o banco deve “olhar o indivíduo e não só o débito”: “Precisamos de salário para viver, estamos sem dignidade. Se todos formos contar nossos casos, vamos às lágrimas”.

Vários servidores relataram histórias pessoais: há pessoas vivendo de doações; há trabalhadores licenciados por não terem dinheiro para pagarem a passagem para o serviço; e uma policial militar contou ter devolvido a arma para a corporação por ter pensado em suicídio e necessitar de acompanhamento psicológico.

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A deputada Telma Rufino (sem partido) também foi à reunião e contou estar entre os endividados: de uma remuneração líquida de R$ 18 mil, ela recebe apenas R$ 4 mil.

Várias sugestões foram apresentadas aos representantes do BRB, como a utilização de precatórios e licenças-prêmio dos endividados para amortizar as dívidas. Além disso, representantes da Defensoria Pública sugeriram moratória temporária das dívidas, por 90 dias, até o banco apresentar uma proposta. O superintendente do BRB ficou de levar as propostas para a diretoria da instituição.

Fonte: CLDF

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