Por Kleber Karpov
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Distrito Federal registraram mais de 8,6 mil atendimentos motivados por sintomas respiratórios durante o mês de maio, representando um aumento de 11,7% em comparação com abril. O crescimento da demanda está associado ao período sazonal de maior circulação de doenças respiratórias. Segundo dados do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), apesar do volume elevado, a maioria dos pacientes apresentou quadros de menor urgência.
Os dados apontam que os grupos que mais buscaram os serviços de saúde foram adultos na faixa etária de 20 a 29 anos e crianças de 1 a 4 anos. No atendimento pediátrico, disponível nas unidades de Sobradinho, São Sebastião, Recanto das Emas e Ceilândia, as UPAs do Recanto das Emas e de Sobradinho concentraram o maior volume de consultas, com 1.261 e 1.260 registros, respectivamente.
De acordo com o pediatra Wilson Luiz Maldonado de Aguiar, da UPA do Recanto das Emas, a maior parte dos casos envolve infecções leves das vias aéreas superiores. “As manifestações mais frequentes são tosse, coriza, febre baixa e obstrução nasal. Nos bebês menores de seis meses também observamos dificuldade para mamar e redução da alimentação”, detalha o médico.
Sinais de alerta e fatores sazonais
Especialistas alertam para sinais que exigem avaliação médica imediata, mesmo que a maioria dos quadros evolua favoravelmente. “Febre persistente, prostração, dificuldade para respirar, recusa alimentar, sinais de desidratação e alterações importantes no comportamento da criança merecem avaliação médica. Em bebês menores de três meses, qualquer episódio de febre deve ser investigado”, alerta Aguiar.
O clima seco, característico desta época do ano, também contribui para o agravamento dos sintomas. Juliana de Almeida Barros, coordenadora médica da UPA do Gama, explica que o período favorece crises de asma, rinite e sinusite. “Muitas pessoas chegam às unidades quando os sintomas já estão mais intensos”, adverte a coordenadora.
Classificação de risco
A gestão da alta demanda é realizada por meio de um sistema de classificação de risco, que prioriza pacientes com base na gravidade clínica, e não na ordem de chegada. Dados do IgesDF mostram que 53% dos atendimentos foram classificados como verdes (menor urgência), 34% como amarelos, e pouco mais de 9% como laranja ou vermelho (casos graves).
Adriana Gonçalves, gerente-geral de Assistência das UPAs, explica o processo. “Os enfermeiros avaliam sinais vitais, intensidade das queixas, tempo de evolução do problema, condições de saúde preexistentes e possíveis sinais de agravamento. É essa análise que determina a prioridade do atendimento, garantindo mais segurança aos pacientes”, afirma. Sintomas como falta de ar intensa e dor no peito recebem atenção imediata.
Telemedicina e gestão interna
Para otimizar o fluxo, as 13 UPAs do DF oferecem a opção de teleconsulta para pacientes classificados como pouco urgentes (verde) ou não urgentes (azul). “O teleatendimento atua como uma ferramenta complementar. Se durante a avaliação, o médico identificar a necessidade de exame físico ou de uma abordagem presencial, o atendimento pode ser convertido”, complementa Gonçalves.
Segundo o superintendente das UPAs, Francivaldo Soares, as unidades têm adaptado seus fluxos para garantir o atendimento oportuno aos casos mais urgentes. “As equipes seguem atuando de forma coordenada para garantir acolhimento, classificação de risco e continuidade do cuidado aos usuários”, destaca.
Quando procurar ajuda médica
Especialistas recomendam procurar uma UPA em casos de:
- Dificuldade para respirar;
- Febre persistente ou muito alta;
- Sinais de desidratação;
- Sonolência excessiva;
- Piora rápida do quadro;
- Recusa alimentar, especialmente em crianças;
- Lábios arroxeados;
- Redução importante da ingestão de líquidos.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










