Por Kleber Karpov
Dois pacientes com doença renal crônica, João Mendes e Lucas Pereira, receberam novos rins no último sábado (04/Abr) no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Os transplantes, realizados a partir de órgãos de um mesmo doador, ocorreram após uma mobilização de diversas equipes da unidade, que se iniciou na Sexta-feira Santa (03/Abr), e representam uma nova perspectiva de vida para os homens que dependiam de sessões de diálise.
A notícia da compatibilidade dos órgãos chegou aos pacientes na sexta-feira, 03 de abril. A captação ocorreu na mesma noite, e os preparativos, incluindo exames laboratoriais e de imagem, seguiram durante a madrugada. As cirurgias foram executadas no sábado, uma no período da manhã e outra à tarde, pela mesma equipe médica, com um intervalo planejado para garantir a segurança e a continuidade da assistência.
O urologista do HBDF, Guilherme Coaracy, ressalta que a agilidade é um fator determinante para o sucesso do procedimento. “No momento em que retiramos o órgão do doador e ele perde a circulação de sangue, ou seja, a oxigenação, ele começa a sofrer e as células começam a morrer. Então, quanto mais rápido ele for transplantado, mais preserva suas funções e melhor será a aceitação e a recuperação do paciente”, detalha o especialista.
Lucas Pereira, um dos transplantados, recorda a emoção ao receber a ligação do hospital. “Eu demorei a entender o que estava acontecendo, não estava acreditando. Quando compreendi a situação, fiquei muito emocionado. Me arrumei e vim correndo para o hospital”, relata.
Mobilização
A realização de um transplante envolve uma logística complexa que mobiliza toda a estrutura hospitalar. A responsável técnica pelo serviço de transplantes do Hospital de Base, Viviane Brandão, afirma que a cooperação entre os setores é fundamental para o êxito do processo.
“O hospital todo se mexe, se empenha para fazer isso acontecer. Existem vários exames que precisam ser feitos antes para garantir que os pacientes estejam preparados para receber o órgão. Por isso, precisamos de ajuda do Laboratório, da Radiologia, da equipe cirúrgica. A gente sempre movimenta o hospital inteiro”, disse Viviane Brandão.
Para João Mendes, o outro paciente beneficiado, a data do procedimento adquiriu um significado especial. A coincidência com a celebração da Páscoa foi vista por ele como um símbolo de renovação. “Já era uma data importante, mas agora eu renasci junto com Jesus. A partir de agora, vou focar em ficar bem e melhorar”, comemora.
A importância da doação
O sucesso dos transplantes também é celebrado pelas equipes que acompanham a jornada dos pacientes. A enfermeira do serviço, Alice Caroline Souza, destaca o sentimento de gratidão. “Nós ficamos muito felizes, porque são pessoas que acompanhamos por muitos momentos e vimos passar por muitas dificuldades, como as dores das internações, os desgastes físicos e emocionais. E quando acontece uma compatibilidade assim, vemos o resultado de todo o nosso esforço”, afirma.
O urologista Guilherme Coaracy enfatiza a necessidade de as pessoas comunicarem em vida o desejo de serem doadoras. Segundo ele, essa conversa prévia facilita a decisão da família em um momento de luto. “É um gesto que garante uma segunda chance para os pacientes, é uma mudança de vida. Com isso, nós damos mais tempo e também mais qualidade para eles, e isso não tem preço”, ressalta o médico.
O cenário dos transplantes
O Hospital de Base, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), realizou 27 transplantes renais ao longo de 2025. O procedimento é indicado para pacientes com doença renal crônica em estágio avançado. Para entrar na lista de espera, o candidato passa por uma rigorosa avaliação médica e seu cadastro é enviado à Central Estadual de Transplantes do Distrito Federal (CET-DF), que coordena as atividades na região.
Dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) indicam que o transplante renal é o mais frequente no país, com mais de 60 mil procedimentos realizados no Brasil desde 2013. A compatibilidade sanguínea e imunológica entre doador e receptor é um dos principais critérios para a viabilidade da cirurgia.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











