25.5 C
Brasília
21 mar 2026 12:22

Representantes de estados e municípios rejeitam proposta do Ministério da Saúde sobre quarentena

A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e pelo Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems)

Os conselhos de saúde que representam Estados e municípios rejeitaram a nova diretriz do Ministério da Saúde sobre distanciamento social, principal promessa de Nelson Teich ao assumir a pasta para rever a estratégia de combate a covid-19.

A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e pelo Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems). Esses órgãos são os representados de Estados e municípios junto do Ministério da Saúde.

Segundo gestores do SUS ouvidos pelo Estado, o argumento mais forte para não dar apoio às regras é que seria inoportuno lançá-las em meio ao aumento de casos e mortes pela doença. O risco é causar dubiedade sobre a mensagem de isolamento social, ou seja, incentivar a população a sair de casa, disseram estes gestores.

“Enquanto estivermos empilhando corpos, não tenho como discutir isso”, disse o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Alberto Beltrame.

O governo federal não tem poder de impor restrições ou flexibilizações a cidades e Estados. Sua missão é orientar medidas, mas quem decide o que efetivamente deve ser feito são governadores e prefeitos, que têm autonomia para isso. Para a população, portanto, continuam a valer as orientações locais sobre medidas de prevenção e segurança.

Sem consenso com esses conselhos, a diretriz de Teich não pode ser publicada como portaria. Outro reflexo é que também não ganha efeito prático para, por exemplo, exigir que secretários locais busquem dados nessa matriz de risco. Na prática, portanto, vira apenas uma recomendação vaga.

A nova regra vinha sendo discutida em reuniões entre Ministério da Saúde, Conass e Conasems. Representantes da Casa Civil e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também participavam das tratativas. Os conselhos dos Estados e municípios, no entanto, decidiram não dar apoio à regra. A ideia de Teich era obter consenso para publicar uma resolução nacional sobre o tema. A proposta do ministro deve ser apresentada à imprensa nesta segunda-feira, 11.

A nova “matriz de risco” era carro-chefe da gestão Teich e promessa levada pelo médico a Jair Bolsonaro ao candidatar-se ao cargo de ministro da Saúde. Teich chegou a afirmar, em vídeo publicado nas redes sociais, em 20 de abril, que já estava em elaboração um “plano” para “revisão do distanciamento social” no País.

A proposta de Teich levanta uma série de dados, como capacidade de atendimento, ocupação de leitos, e número de casos e óbitos. Cada item teria uma pontuação. Somados, mostrariam em que situação está cada local e qual intervenção é sugerida, como isolamento controlado ou até lockdown.

Os Estados e municípios não seriam obrigados a seguir a regra, mas gestores locais escutados pela reportagem temem que as diretrizes virem arma para discurso contrário ao isolamento.

Além de considerarem inoportuna a discussão, secretários afirmam que seria inviável levantar dados como de número de servidores da saúde com sintomas de gripe, kits de equipamento de proteção individual (EPI) para cada um destes trabalhadores, entre outros. Os dados mudam diariamente.

A proposta de Teich é que a pontuação sirva para orientar gestores. Adotar medidas não é obrigatório. Mas secretários afirmam que apenas iniciar a discussão nacional sobre o tema já daria a entender que é possível flexibilizar o distanciamento social no País. “Gerar dubiedade na mensagem de isolamento social me parece um desserviço à saúde pública”, disse Beltrame.

Para Beltrame, Estados podem discutir individualmente flexibilizar quarentenas. Mas a discussão ainda não pode ser nacional.

O Rio Grande do Sul, por exemplo, começa nesta segunda-feira, 11, um plano de distanciamento controlado. O governo dividiu o Estado em 20 regiões, cada uma com uma bandeira — amarela, laranja, vermelha, preta —, que prevê graus diferentes de restrições e abertura da atividade econômica. Para Beltrame, o plano é válido. “Desejo sucesso na sua implementação, com a ressalva da necessária cautela diante da proximidade do inverno no sul, ocasião de maior sazonalidade das síndromes respiratórias na região.”

Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou. O Estado apurou com integrantes da pasta que Teich deve ao menos apresentar a proposta de diretrizes sobre distanciamento social nesta segunda-feira, 11.

Fonte: Agenda Capital

Circulação do vírus da gripe está em alta em várias regiões do país

Por Kleber Karpov A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou, por...

Prazo para pagar segunda parcela do IPVA começa segunda (23)

Por Kleber Karpov Proprietários de veículos no Distrito Federal que...

DF deve cotar com 48 pontos de vacinação neste sábado (21)

Por Kleber Karpov A Secretaria de Saúde do Distrito Federal...

Dentistas em UTIs ajudam a prevenir infecções e podem salvar vidas

Por Kleber Karpov A atuação de cirurgiões-dentistas em Unidades de...

Destaques

Circulação do vírus da gripe está em alta em várias regiões do país

Por Kleber Karpov A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou, por...

Ministério da Saúde se reúne com Banco dos BRICS para avançar implantação da rede nacional de hospitais inteligentes

Por Kleber Karpov O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cumpriu...

Estudante de Planaltina assume Secretaria de Justiça e Cidadania por um dia e vivência rotina de gestão

Por Kleber Karpov A estudante Ana Luísa Silva Pereira, de...

Prazo para pagar segunda parcela do IPVA começa segunda (23)

Por Kleber Karpov Proprietários de veículos no Distrito Federal que...

DF deve cotar com 48 pontos de vacinação neste sábado (21)

Por Kleber Karpov A Secretaria de Saúde do Distrito Federal...