Projeto Cidade + Segura entrega diagnósticos para orientar políticas públicas com base em dados e percepção da população
Por Kleber Karpov
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) recebeu, na última semana, os relatórios finais do projeto Cidade + Segura, uma iniciativa para combater a sensação de insegurança da população, apesar das quedas recordes nos índices de criminalidade. O recebimento do estudo (22/Mar) ocorre após o DF registrar em fevereiro de 2026 o menor número de homicídios desde 1977. Desenvolvido ao longo de dois anos em parceria com a FAPDF, a Finatec e a UnB, o projeto visa aprofundar o diagnóstico sobre o medo do crime e orientar ações governamentais com base em evidências.
O foco central do projeto foi compreender por que a população se sente insegura mesmo diante da redução consistente dos indicadores criminais. A iniciativa envolveu diagnósticos, pesquisas de campo e grupos focais para mapear os fatores que influenciam a percepção de segurança dos cidadãos no dia a dia.
O secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, afirmou que os dados estatísticos, embora positivos, não são suficientes. Segundo ele, é fundamental que os moradores se sintam seguros em suas rotinas.
“O Distrito Federal tem alcançado resultados históricos na redução da criminalidade, como demonstram os dados mais recentes. Mas segurança pública não se mede apenas por números. É fundamental que a população se sinta segura no seu dia a dia. Esse projeto nos permite compreender melhor essa percepção e agir de forma mais precisa, com políticas públicas orientadas por evidências e focadas na realidade das pessoas”,
Sandro Avelar
Secretário de Segurança Pública do DF.
A pesquisa foi coordenada pelo Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança da UnB (Nevis), sob liderança do professor Arthur Trindade Maranhão Costa. Ele reforçou a importância do material para subsidiar as próximas estratégias da pasta.
“Diminuir a sensação de insegurança é um dos principais desafios do Distrito Federal. A pesquisa que realizamos, a pedido da SSP-DF, buscou levantar informações e dados que subsidiam políticas públicas voltadas para o tema”, disse o professor Arthur Trindade Maranhão Costa.
Resultados
Ao todo, foram entregues quatro relatórios: um diagnóstico distrital sobre o medo do crime, um planejamento estratégico e dois estudos específicos sobre o Setor Comercial Sul (SCS) e o sistema de transporte coletivo. Os documentos revelam que fatores como desordens urbanas, iluminação precária e infraestrutura inadequada impactam diretamente na percepção de insegurança.
A partir dos achados, o projeto formulou recomendações concretas. Para o SCS, o estudo oferece subsídios para ações já em andamento, como a ampliação do videomonitoramento e a implantação da Unidade Integrada de Segurança Pública (Uisp). No transporte coletivo, o levantamento aponta melhorias em iluminação, vigilância e canais de denúncia como caminhos para fortalecer a segurança.
Ciência aplicada à gestão pública
A iniciativa aplicou o conceito de Prevenção do Crime por Meio do Design Ambiental (CPTED), que estuda como o planejamento urbano pode reduzir vulnerabilidades. Isângelo Senna, integrante da Comissão Técnica da SSP-DF, explicou que a abordagem é mais ampla do que o policiamento tradicional.
“Enfrentar esse desafio exige mais do que policiamento e estatística criminal: exige diagnóstico qualificado, escuta da população e intervenções baseadas em evidências sobre os fatores que moldam a percepção de segurança. Nesse contexto, a CPTED oferece uma contribuição importante ao demonstrar como o ambiente urbano pode ser planejado, manejado e qualificado para reduzir vulnerabilidades e fortalecer a sensação de segurança em uma perspectiva de segurança integral”, explicou o especialista.
O presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), Leonardo Reisman, ressaltou o papel da ciência como ferramenta para resolver problemas complexos da sociedade.
“A FAPDF acredita na ciência como ferramenta concreta de transformação social. Os resultados deste projeto mostram como o conhecimento produzido pela academia pode orientar decisões mais eficientes e contribuir diretamente para a melhoria da segurança pública no Distrito Federal. Quando investimos em pesquisa aplicada, estamos investindo em soluções concretas para problemas complexos da sociedade”, destaca o presidente da FAPDF, Leonardo Reisman.
O projeto estabelece também uma base para a avaliação contínua das políticas públicas. Uma nova coleta de dados está prevista para o segundo semestre de 2026, o que permitirá comparar os cenários antes e depois das intervenções e mensurar o impacto das ações implementadas.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










