Queda de 62,4% nos casos suspeitos demonstra sucesso em estratégias adotadas no combate a dengue no DF

Soltura de mosquitos 'Wolbito' reduz população de Aedes aegypti nas dez Regiões Administrativas que fizeram parte do programa de controle da dengue

Por Gabriel Silveira

O Distrito Federal registrou uma queda de 62,4% nos casos suspeitos de dengue nas primeiras sete semanas de 2026, com 1.719 notificações contra 4.579 no mesmo período do ano anterior. O sucesso, segundo a Secretaria de Saúde (SES-DF), é resultado de uma nova estratégia de combate que incluiu a soltura de mais de 38 milhões de mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia. Estes insetos, apelidados de “Wolbitos”, possuem menor capacidade de transmitir o vírus.

Método Wolbachia

A iniciativa biológica visa substituir a população de mosquitos transmissores por uma nova geração incapaz de propagar arboviroses de forma eficiente. O método já demonstra resultados positivos, conforme explica o chefe da Assessoria de Mobilização Institucional e Social para a Prevenção de Endemias da SES-DF, Allex Moraes. “É uma experiência bem-sucedida. Os mosquitos disseminados no meio ambiente adaptaram-se e conseguiram prevalecer”, afirmou.

Os 38 milhões de mosquitos foram criados em uma biofábrica no Distrito Federal e disseminados em dez Regiões Administrativas como parte do programa de controle da dengue.

Monitoramento e

A eficácia da soltura é monitorada com o uso de ovitrampas, armadilhas que capturam os insetos e permitem a análise da população. Os dados mostram que, nas dez regiões contempladas, os “Wolbitos” já compõem uma média de 68,29% do total de mosquitos Aedes aegypti. O índice mais baixo foi registrado na Fercal, com 53,73%, enquanto o Itapoã alcançou 81,44%.

A disseminação da bactéria ocorre de forma natural. O cruzamento de mosquitos inoculados gera novos “Wolbitos”, e o acasalamento com mosquitos originais impede a reprodução ou resulta em filhotes que também carregam a Wolbachia. A SES-DF destaca que a bactéria não é transmitida para seres humanos ou outros mamíferos e não envolve alteração genética.

Sustentabilidade e expansão

De acordo com especialistas, a estratégia é autossustentável, pois a bactéria tende a se manter na população de mosquitos sem a necessidade de novas solturas contínuas, como detalha o chefe do Núcleo de Controle Químico e Biológico da SES-DF, Anderson de Morais.

“Quando a Wolbachia se estabelece bem em uma região, tende a se manter sozinha na população. Ou seja: não é algo que pede a soltura de mosquitos inoculados para sempre. A própria dinâmica de reprodução faz com que a bactéria continue circulando”, disse Anderson de Morais.

A expectativa é que a população de “Wolbitos” se espalhe para outras Regiões Administrativas com o tempo. “Existe dispersão natural. O Aedes aegypti voa distâncias curtas, mas com o tempo pode expandir território, principalmente com a ajuda involuntária do ser humano [carro, transporte de objetos, etc]”, complementou Morais.

Outras frentes de combate

Apesar do êxito com o método Wolbachia, as demais ações de combate às arboviroses, como zika, Chikungunya e febre amarela, continuam. Em 2025, as equipes de Vigilância Ambiental da SES-DF visitaram mais de 1,8 milhão de residências. O uso de drones para identificar possíveis focos de larvas, a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI) e a instalação de estações disseminadoras de larvicidas são outras tecnologias em execução.

A vacinação contra a dengue também é uma frente importante. Atualmente, a SES-DF aplica duas doses em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Em fevereiro de 2026, profissionais que atuam na linha de frente do combate ao mosquito foram incluídos no público-alvo.

Contudo, a colaboração da população segue indispensável para o controle do vetor. “Todas essas estratégias devem ser aliadas a ações da população. Os olhos atentos das comunidades são, ainda, um dos métodos mais eficazes contra a dengue e outras arboviroses”, reforçou Morais.

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