Para pedir verba, GDF envia à Câmara ‘cardápio’ do rombo na Saúde

Documento lista ‘necessidades’ do setor; secretaria confirmou autenticidade.
Governo espera R$ 124 milhões adicionais; bloco parlamentar ignorou lista.

'Cardápio' de necessidades financeiras da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (Foto: Reprodução)
‘Cardápio’ de necessidades financeiras da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (Foto: Reprodução)

Documento elaborado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal e enviado à Câmara Legislativa na última semana apresenta um “cardápio” das dificuldades financeiras para cobrir um rombo de R$ 288 milhões na área de saúde. A tabela de necessidades inclui contratos de serviços terceirizados como vigilância e limpeza, manutenção de equipamentos e hospitais, pagamento de horas extras de profissionais e aquisição de medicamentos.

A Secretaria de Saúde confirmou a autenticidade do documento ao G1 e disse que a lista foi elaborada para que “os parlamentares saibam, antecipadamente, para quais áreas a verba das emendas será destinada”. O GDF tenta convencer os deputados a destinar pelo menos R$ 124 milhões das emendas parlamentares para ajudar no orçamento da Saúde ainda neste ano.

Em entrevista ao G1 no dia 12 de agosto, o governador Rodrigo Rollemberg afirmou que o déficit da área chegava a R$ 400 milhões, 28% a mais que os R$ 288 milhões descrito no documento. No fim do mês, o secretário de Saúde, Fábio Gondim, já falava em um rombo de R$ 900 milhões no cofre da pasta.

A tabela mostra que a pendência mais cara está nos contratos de serviços de vigilância, que precisam de R$ 57,6 milhões adicionais até o fim do ano. As verbas para pagar contratos de limpeza e de alimentação hospitalar precisariam de reforços de R$ 44 milhões e R$ 45,2 milhões, respectivamente. Todos esses serviços são terceirizados.

O aporte solicitado para pagar as horas extras dos profissionais de saúde também é alto: R$ 48 milhões. Para manter o Hospital da Criança até dezembro, segundo a tabela, faltam R$ 36,2 milhões. A concessão de todas as bolsas de estudo para estudantes de medicina que fazem residência na rede pública depende de R$ 17,2 milhões para fechar 2015, de acordo com o documento.

Relatório de execução orçamentária da Secretaria de Saúde do DF (Foto: Reprodução)
Relatório de execução orçamentária da Secretaria de Saúde do DF (Foto: Reprodução)

Emendas
Por lei, cada parlamentar reeleito poderia orientar o investimento de até R$ 16 milhões em 2015, sendo que os gastos com infraestrutura, saúde e educação são impositivos – ou seja, têm execução obrigatória. Nas eleições de 2014, dez parlamentares foram reeleitos. O GDF quer que cada um deles use apenas R$ 4 milhões neste ano.

Para os distritais de primeiro mandato, a cota de emendas é menor, não é fixada por lei e depende de um acordo com o Palácio do Buriti. Em junho, o GDF prometeu liberar R$ 5 milhões em emendas para cada “novato”. Mantidos os mesmos R$ 4 milhões dos reeleitos para emendas em outros setores, cada distrital estreante teria R$ 1 milhão para devolver ao Executivo.

Somadas as contribuições, a Câmara poderia “ceder” R$ 124 milhões para a Saúde e executar outros R$ 96 milhões em outras áreas. Até esta terça (8), nenhum centavo havia sido investido pelo GDF a partir das indicações orçamentárias da Câmara.

Fora do cardápio
A lista de demandas fornecida pelo Buriti não sensibilizou todos os parlamentares, mesmo entre aqueles que concordam com o remanejamento das verbas. O bloco “Força do Trabalho”, formado por cinco parlamentares, informou nesta terça que vai destinar as emendas para “aquisição de equipamentos de imagem para a rede pública” – área que não consta na tabela de necessidades.

Fazem parte do bloco os deputados reeleitos Agaciel Maia (PTC) e Liliane Roriz (PRTB), e os novatos Juarezão (PRTB), Raimundo Ribeiro (PSDB) e Telma Rufino (sem partido). Juntos, eles devem destinar R$ 27 milhões para a saúde do DF.

Secretário de Saúde do Distrito Federal, Fábio Gondim, em pronunciamento na Câmara Legislativa (Foto: Renato Araújo/GDF/Divulgação)
Secretário de Saúde do Distrito Federal, Fábio Gondim, em pronunciamento na Câmara Legislativa (Foto: Renato Araújo/GDF/Divulgação)

Segundo nota enviada ao G1 pelo bloco, a verba é suficiente para comprar cem equipamentos de ecografia, usados para detectar lesões internas e acompanhar o desenvolvimento de bebês durante a gravidez. O dinheiro também daria para comprar 27 mamógrafos e recuperar a unidade de radioterapia do Hospital de Base, diz o texto.

O bloco também cita, como possível destinação, a compra de dois aparelhos novos de ressonância magnética, ao custo unitário de US$ 3 milhões – a demanda na rede seria de pelo menos quatro máquinas do tipo.

Outra opção seria substituir todos os aparelhos de raio X da rede pública por equipamentos digitais, ao custo estimado de R$ 20 milhões. A mudança economizaria 70% no custo atual dos exames, segundo os deputados, porque o filme usado nas radiografias é caro e comprado em dólar.

Cobranças
Em agosto, parlamentares que fazem oposição ao governo disseram ao G1 que o remanejamento de emendas não resolveria o problema da saúde pública. “Queriam que a gente executasse R$ 4 milhões e destinasse o restante à saúde, mas o problema lá não é orçamentário, é de gestão”, afirmou Chico Vigilante (PT).

O parlamentar se disse contrário ao cancelamento da destinação original emendas. “São obras de calçamento, reformas de escolas, feiras. O governador anuncia um pacote de obras de R$ 5 bilhões e diz que não tem dinheiro para as emendas?”, indagou.

O orçamento impositivo no DF foi promulgado pela Câmara Legislativa em outubro de 2014. A regra prevê a liberação automática de emendas parlamentares destinadas a educação, saúde e obras de infraestrutura. Antes, o Buriti podia fazer a autorização seletiva dos projetos – o que, segundo a Câmara, funcionava como instrumento de barganha.

Ex-distrital, o deputado federal Rôney Nemer (PMDB) foi à Câmara Legislativa em agosto para cobrar a execução das emendas. “Vim conversar com o Agaciel [Maia]. As emendas aqui também são impositivas. Estamos destinando as nossas lá e não vemos as daqui”, disse.

Agaciel é presidente da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof), por onde passam todas as emendas durante a tramitação. Segundo ele, os investimentos sugeridos pelos deputados não foram atendidos porque não havia dinheiro em caixa.

Fonte: G1 DF

Das UBSs às ruas: rede de saúde do DF acolhe pessoas em situação vulnerável

Por Kleber Karpov As equipes do Consultório na Rua totalizaram...

Farmácia oncológica reforça atenção a pacientes no hospital de Taguatinga

Por Kleber Karpov O Hospital Regional de Taguatinga consolidou relevância...

Senado debate fraudes em contratos de saúde em audiência solicitada pelo Sindicato dos Médicos do Ceará

Por Kleber Karpov Problemas estruturais na gestão sanitária brasileira ganham...

Ações de prevenção às drogas alcançam mais de 3 mil estudantes no DF em 2026

Por Kleber Karpov Entre maio e outubro de 2026, programas...

Bets entram no centro das discussões do debate jurídico e econômico no STF

Por Kleber Karpov Representantes de diversas agremiações esportivas brasileiras manifestaram...

IGESDF prepara profissionais para tornar atendimento no SUS mais ágil e eficiente

Por Kleber Karpov O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde...

Solidariedade feita à mão leva 80 turbantes a pacientes oncológicas do Hospital de Base

Por Kleber Karpov Um mutirão de artesanato movido pela solidariedade...

Anvisa interdita parte de terminal no Porto de Santos (SP)

Por Kleber Karpov A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)...

Destaques

Das UBSs às ruas: rede de saúde do DF acolhe pessoas em situação vulnerável

Por Kleber Karpov As equipes do Consultório na Rua totalizaram...

Farmácia oncológica reforça atenção a pacientes no hospital de Taguatinga

Por Kleber Karpov O Hospital Regional de Taguatinga consolidou relevância...

Senado debate fraudes em contratos de saúde em audiência solicitada pelo Sindicato dos Médicos do Ceará

Por Kleber Karpov Problemas estruturais na gestão sanitária brasileira ganham...

Ações de prevenção às drogas alcançam mais de 3 mil estudantes no DF em 2026

Por Kleber Karpov Entre maio e outubro de 2026, programas...

Bets entram no centro das discussões do debate jurídico e econômico no STF

Por Kleber Karpov Representantes de diversas agremiações esportivas brasileiras manifestaram...