Por Kleber Karpov
O Brasil mantém o maior sistema público de transplantes do planeta, coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), vinculado ao Ministério da Saúde. A estrutura organiza desde a identificação de doadores até a execução dos procedimentos, com uma lista de espera única e nacional, baseada em critérios técnicos e sem distinção de classe social.
Robério de Oliveira, presidente do Instituto Brasileiro de Transplantados (IBTx), descreve o momento da descoberta de um doador como transformador. Ele próprio passou por um transplante hepático após ter 90% do fígado comprometido por cirrose decorrente de hemocromatose, doença genética que provoca acúmulo excessivo de ferro no organismo. A experiência o motivou a fundar o IBTx, dedicado a apoiar pacientes na mesma situação. Oliveira enfatiza que a conscientização popular é essencial para ampliar as doações no país. Para o gestor, “o transplante representa o encontro entre a vida que se encerra e a que recomeça”.
Lista de espera: dinâmica e técnica
A diretora da Central Estadual de Transplantes do Distrito Federal (CET-DF), Daniela Salomão, esclarece que o termo correto para designar a espera é “lista”, e não “fila”. A gestora explica que, ao contrário de uma fila comum, onde a ordem de chegada define o atendimento, a lista de transplante é dinâmica e leva em conta fatores como a condição clínica do paciente e a compatibilidade entre doador e receptor.
O sistema informatizado do SNT reúne dados de todos os pacientes que necessitam de órgãos ou tecidos no país, além das informações dos doadores. A cada doação, o sistema identifica os receptores com a melhor indicação para receber aquele órgão específico.
Posição ativa e cadastro técnico
Cada paciente é inserido na lista após avaliação médica. Dois números acompanham sua situação: o cadastro técnico, que registra a posição no momento da inclusão, e a posição ativa, que varia conforme as condições clínicas atuais para receber o órgão. Salomão ressalta que esses números não funcionam como previsão de data para a cirurgia, já que o procedimento depende de múltiplos fatores simultâneos.
A diretora acrescenta que, quando surge um doador, os órgãos são primeiramente ofertados na própria região para reduzir o período de isquemia — interrupção do fluxo sanguíneo no órgão — e aumentar as chances de sucesso cirúrgico. Caso não haja receptor compatível na região, o órgão é direcionado para outras localidades do país.
Salomão defende que estimular a doação regionalmente agiliza o atendimento e melhora os resultados, transformando o gesto de generosidade em uma nova oportunidade de vida para quem aguarda.
Para mais informações sobre como se tornar doador de órgãos e entender o processo, a Secretaria de Saúde do DF disponibiliza orientaçõe sobre todo o processo, acesse aqui.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











