Por Kleber Karpov
A crescente volatilidade econômica global, impulsionada por conflitos internacionais e tensões geopolíticas, tem levado empresários brasileiros a buscar estratégias de proteção patrimonial fora do país. Esse movimento é uma resposta direta ao aumento do risco econômico, à pressão sobre o preço de commodities e às oscilações cambiais, que, segundo relatórios do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, são consequências diretas de crises geopolíticas e repercutem na economia brasileira por meio da inflação e do encarecimento de combustíveis e da logística.
Instabilidade x segurança
Períodos de instabilidade geopolítica tendem a acelerar as decisões de internacionalização entre empresários, segundo Fernanda Spanner, consultora de negócios internacionais e CEO da Spanner Consulting Group. A percepção de que concentrar todo o patrimônio em um único país eleva a exposição a crises motiva a busca por diversificação de ativos como uma estratégia de proteção financeira.
“Quando surgem conflitos ou tensões relevantes, muitos empresários percebem que concentrar patrimônio em um único país aumenta o risco. Diversificar ativos internacionalmente passa a ser uma estratégia de proteção financeira”, afirma.
A especialista explica que a internacionalização não implica necessariamente a transferência completa das operações para o exterior. Em vez disso, o foco está em estruturar alternativas financeiras e empresariais em outros mercados para equilibrar riscos e explorar novas oportunidades, enquanto as operações no Brasil são mantidas.
“Muitos empresários continuam operando no Brasil, mas passam a criar estruturas internacionais de investimento ou empresas fora do país para equilibrar riscos e ampliar oportunidades”, explica Spanner.
Dados do Banco Central do Brasil corroboram essa tendência, mostrando um crescimento contínuo nos investimentos de brasileiros no exterior. O levantamento mais recente de Capitais Brasileiros no Exterior aponta que o estoque de ativos mantidos fora do país já ultrapassa a marca de US$ 650 bilhões.
Planejamento técnico, pilar da internacionalização
A decisão de investir ou abrir uma empresa no exterior exige um planejamento técnico e uma avaliação cuidadosa, alerta Fernanda Spanner. Ela ressalta que cada país possui regras tributárias, exigências regulatórias e custos operacionais distintos, o que torna a análise prévia fundamental para o sucesso da operação.
“Abrir uma empresa ou investir no exterior não pode ser tratado como uma decisão impulsiva. Cada país possui regras tributárias, exigências regulatórias e custos operacionais diferentes”, diz.
Entre as estratégias para proteger o patrimônio, a especialista destaca a diversificação de ativos em moedas fortes, a avaliação da estrutura tributária internacional para evitar dupla tributação, a escolha criteriosa do país para investir e o planejamento da sucessão patrimonial. Destinos como Estados Unidos, Portugal e Emirados Árabes são frequentemente analisados por empresários brasileiros.
O interesse pela internacionalização também é observado em dados da agência americana SelectUSA, que indicam o Brasil como um país com presença relevante de investimentos empresariais nos Estados Unidos, especialmente em projetos liderados por pequenas e médias empresas.
Cinco estratégias para proteger patrimônio em momentos de instabilidade global
1) Diversificar patrimônio em moedas fortes
Manter parte dos ativos em moedas internacionais, de forma declarada e transparente, permite reduzir a exposição a crises econômicas locais e oscilações cambiais. Estruturas financeiras no exterior permitem que parte do patrimônio seja protegida em moedas consideradas mais estáveis.
“Diversificação cambial é uma forma de equilíbrio financeiro. O objetivo não é abandonar o Brasil, mas reduzir concentração de risco”, explica.
2) Avaliar a estrutura tributária internacional
Cada país possui regras fiscais específicas para empresas e investidores estrangeiros. Uma análise tributária prévia evita problemas como dupla tributação ou custos inesperados.
“O planejamento tributário internacional é o que define se uma estrutura será eficiente ou se pode gerar passivos fiscais no futuro”, afirma.
3) Escolher corretamente o país para investir
Estados Unidos, Portugal e Emirados Árabes aparecem entre destinos frequentemente analisados por empresários brasileiros. A escolha depende do tipo de negócio, do perfil do investidor e da estabilidade jurídica do país.
“A decisão precisa considerar impostos, segurança jurídica, mercado consumidor e facilidade operacional”, diz.
4) Contar com assessoria especializada
Estruturas internacionais envolvem legislação societária, tributária e imigratória. O apoio de consultorias especializadas pode reduzir riscos e acelerar a implementação de projetos.
“Sem orientação adequada, o empresário pode cometer erros simples que geram custos elevados ou problemas legais”, alerta.
5) Planejar sucessão patrimonial internacional
Estruturas internacionais também são utilizadas por famílias empresárias para organizar heranças e sucessão patrimonial.
“Muitas famílias utilizam estruturas internacionais para proteger ativos e garantir uma sucessão patrimonial mais organizada, evitando inventários longos e altos custos de transferência no exterior”, afirma.
Impactos na economia doméstica e no consumidor
Enquanto parte do empresariado adota a diversificação patrimonial, os efeitos das tensões geopolíticas continuam a ser sentidos na economia doméstica. A alta do petróleo, por exemplo, pressiona os custos de transporte, fretes e energia, impactando diretamente cadeias produtivas e, consequentemente, o bolso do consumidor.
Esse cenário se reflete no preço final de alimentos, produtos industrializados e serviços. Para Spanner, o acompanhamento do cenário internacional tornou-se uma parte essencial da gestão empresarial moderna, permitindo que as companhias se antecipem a crises e ajustem suas estratégias financeiras.
“A guerra não afeta apenas os países envolvidos. Ela impacta cadeias logísticas globais, custo de energia e preço de commodities. Empresas que acompanham esses fatores conseguem se antecipar e organizar melhor sua estratégia financeira”, afirma.
A consultora acrescenta que a internacionalização deixou de ser uma estratégia restrita a grandes corporações. “Hoje existem estruturas acessíveis também para pequenas e médias empresas, desde que haja uma análise de viabilidade custo-benefício para cada caso”, conclui.
Fernanda Spanner
Fernanda Spanner é CEO da Spanner Consulting Group, referência em contabilidade, planejamento tributário e estratégias fiscais. International Business Advisor com mais de 20 anos de experiência, possui cinco escritórios nos Estados Unidos, em Nova York, New Jersey, Flórida, South Carolina e Massachusetts. É Enrolled Agent licenciada pelo IRS, credencial mais alta concedida pela Receita Federal americana, o que lhe permite atuar em âmbito federal nos 50 estados.
Para saber mais, acesse o instagram, linkedin ou pelo site https://www.fspanner.com/
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











