Dia Mundial do Celíaco: Cerca de 2 milhões de brasileiros sofrem com a doença

Enfermidade é caracterizada pela intolerância ao glúten; rede pública de saúde oferece gastroenterologistas e gastropediatras para tratamento dos pacientes

Comer um bolo no meio da tarde, tomar uma cerveja no final de semana ou jantar aquela pizza. Pequenos prazeres que agradam muitas pessoas, mas podem ser fatais para outras. Esta é a realidade de quem sofre com a doença celíaca, uma enfermidade marcada pela intolerância ao glúten, principal fração proteica presente no trigo, no centeio, na cevada e na aveia.

A doença celíaca é marcada pela intolerância ao glúten, fração proteica presente no trigo, centeio, cevada e aveia | Fotos: Tony Winston/ Arquivo Agência Brasília

A Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra) estima que o país tenha aproximadamente 2 milhões de celíacos, sendo a maioria não diagnosticada. No mundo, a estimativa é que 1% da população seja celíaca. O Dia Mundial do Celíaco é lembrado em 16 de maio.

“O diagnóstico da doença celíaca é geralmente realizado por um médico gastroenterologista; mas recomenda-se a adoção de cuidado multidisciplinar e acompanhamento multiprofissional”

Carolina Cunha
gerente substituta de Serviços
de Nutrição da SES-DF

Na forma clássica da doença, o principal sintoma é a diarreia crônica, que pode ser acompanhada de distensão abdominal, perda de peso e outros sinais, como anemia recorrente, falta de apetite, alteração de humor e vômitos. Outras manifestações isoladas podem aparecer, como baixa estatura, anemia por deficiência de ferro, folato e vitamina B12, enxaqueca e osteoporose.

“O diagnóstico da doença celíaca é geralmente realizado por um médico gastroenterologista; mas recomenda-se a adoção de cuidado multidisciplinar e acompanhamento multiprofissional envolvendo nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais”, explica Carolina Cunha, gerente substituta de Serviços de Nutrição da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).

Paulo André Silveira, 49 anos, descobriu a doença após um check-up anual de saúde, com diagnóstico dado por médico gastroenterologista que conhecia o histórico familiar do bancário. Uma das características fundamentais da doença é a predisposição genética do indivíduo, e o tratamento é essencialmente baseado em dieta e nutrição, com a exclusão permanente de alimentos contendo glúten.

Paulo André Silveira descobriu a doença após um check-up anual de saúde: “Acabei tendo uma alimentação mais saudável” | Foto: Arquivo pessoal

Para Paulo André, a nova dieta acabou se tornando benéfica. “Por eliminar muitos alimentos ultraprocessados e por favorecer uma dieta mais natural, acabei tendo uma alimentação mais saudável. Além disso, eliminou e amenizou vários efeitos desagradáveis que o glúten trazia e eu achava que eram normais”, explicou.

Contaminação cruzada

Mas não basta eliminar os alimentos com glúten. Os celíacos devem tomar cuidado com a contaminação cruzada. “Ela acontece quando partículas de glúten contaminam alimentos, utensílios ou superfícies, e está relacionada a fatores como higiene local, processos de armazenamento e manuseio”, explica a referência técnica distrital em gastroenterologia, Daniela Carvalho. Por exemplo, em locais que fabricam e preparam muitos alimentos com trigo, há grande possibilidade de ocorrer a contaminação.

Além da restrição de alimentos com glúten, pacientes celíacos devem tomar cuidado com a contaminação cruzada, que pode ocorrer no preparo, transporte e armazenamento dos alimentos | Foto: Lúcio Bernardo Jr./ Agência Brasília

Paulo André tem tomado este cuidado desde que recebeu o diagnóstico, o que se tornou seu maior desafio. Por isso, criou estratégias para evitar a contaminação cruzada. “Tento preparar minha alimentação mais em casa, pois só assim tenho certeza exatamente dos ingredientes que vão na comida. Levo marmitas para o trabalho e tento me alimentar antes de ir aos eventos sociais, pois é comum não haver nenhuma opção sem glúten”, relatou.

Caso não tratada, a doença pode levar a uma série de complicações de saúde. “Há risco de desenvolvimento de linfomas e doenças autoimunes, osteoporose ou osteopenia [perda óssea]; doenças do fígado e do trato biliar. Pode ocorrer também depressão ou ansiedade; neuropatia periférica, como formigamento, dormência ou dor nas mãos e pés”, explica a gastroenterologista.

De acordo com Daniela Carvalho, há estudos em andamento sobre possíveis medicamentos para controle da doença, que podem atuar na modulação da resposta imunológica ao glúten ou até diminuir a ativação do glúten. No entanto, ainda não há previsão de comercialização desses medicamentos.

Tratamento

A unidade básica de saúde (UBS) é a porta de entrada do usuário no SUS. Nela, o paciente passará pelo acolhimento, atendimento e classificação de risco. Aqueles diagnosticados na rede básica de saúde ou com sintomas crônicos do trato gastrointestinal são encaminhados às especialidades de gastroenterologia e gastropediatria.

Mulheres vão às ruas pela votação do PL da Misoginia

Por Kleber Karpov O coletivo Levante Mulheres Vivas promoveu manifestações...

Federação União Progressista oficializa Celina Leão à reeleição ao GDF

Por Kleber Karpov A Federação União Progressista oficializou, neste domingo...

Campanha de multivacinação começa nesta segunda (3) em todo o DF

Por Kleber Karpov O foco prioritário da iniciativa são crianças...

Republicanos confirma Tarcísio à reeleição ao governo de São Paulo

Por Kleber Karpov O Partido Republicanos confirmou, neste sábado (1/Ago),...

Celina e Kicis confirmam que Michelle Bolsonaro aceitou ser candidata ao Senado

Por Kleber Karpov Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama do Brasil, foi confirmada...

SP: alta de casos de sarampo aumenta preocupação dos serviços de saúde

Por Kleber Karpov Uma mobilização especial para combater o sarampo...

Destaques

Mulheres vão às ruas pela votação do PL da Misoginia

Por Kleber Karpov O coletivo Levante Mulheres Vivas promoveu manifestações...

Federação União Progressista oficializa Celina Leão à reeleição ao GDF

Por Kleber Karpov A Federação União Progressista oficializou, neste domingo...

20 anos da Lei Maria da Penha: proteção à mulher ainda é insuficiente, indica análise

Por Kleber Karpov Ao completar 20 anos em agosto, a...

Transparência: deputado estadual cria portal próprio para prestar contas de destinação e execução de emendas

Por Kleber Karpov O deputado estadual Rafa Zimbaldi (União Brasil-SP)...

Campanha de multivacinação começa nesta segunda (3) em todo o DF

Por Kleber Karpov O foco prioritário da iniciativa são crianças...