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19 mar 2026 15:46

Conselhos regionais realizam pesquisa sobre violência contra médicos e profissionais de enfermagem do DF

Parceria faz parte de campanha de combate a violência contra profissionais de saúde

Por Kleber Karpov

Os conselhos regionais de Medicina do DF (CRM) e de Enfermagem (Coren), do DF, deram início a uma pesquisa para avaliar a prática de violência contra médicos e profissionais de enfermagem, enfermeiros, técnicos e auxiliares. De acordo com o os parceiros, se trata de uma das fases da Campanha de Combate a Violência no Trabalho, contra Profissionais de Saúde.

A iniciativa, inédita no DF, e tem por objetivo, chamar atenção dos profissionais de saúde, para a necessidade de se registrar esse tipo de crime na forma de boletins de ocorrência.

São Paulo

Em 2018, uma pesquisa semelhante, realizada pelos conselhos regionais paulista, dos Médicos de São Paulo (CREMESP), de Enfermagem (COREN-SP) e de Farmácia (CRF-SP), respondida por 6.832 pessoas, apontou que 71,6% afirmaram já ter passado por situação violenta. Com destaque para os profissionais de enfermagem com 90% entre os mais atingidos, seguidos por 89% dos farmacêuticos e 47% dos médicos.

Desses percentuais, 21% da categoria de enfermagem, 18% dos médicos e 7% dos farmacêuticos foram vítimas de agressão física. A pesquisa apontou ainda que a maioria das pessoas agredidas eram mulheres, com média de faixa etária de 40 anos.

Outro dado que chama atenção é que cerca de 20% dos entrevistados, denunciaram as agressões. Porém, apenas 15% dos profissionais de enfermagem e 11% dos farmacêuticos afirmaram terem recebido acolhimento. Percentual esse, extremamente discrepante, em relação aos médicos, em que 59% das queixas tiveram acolhimento, seja por parte da polícia, da Justiça, ou das instituições em que trabalham.

Culpados?

Deputado Distrital, Jorge Vianna (Podemos) – Foto: Wilter Moreira

Para o deputado distrital, Jorge Vianna (Podemos), ex-vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF), responsável por diversas denúncias de casos de agressões de servidores públicos  da Saúde, a falta de profissionais, de medicamentos, insumos e de estrutura adequada para prover atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde é o grande vilão que atinge diretamente, os profissionais de saúde que fazem o atendimento à população, “na ponta”, nas unidades de saúde.

“Embora seja um problema nacional, nos últimos anos, principalmente aqui no Distrito Federal, nós vimos as agressões aos servidores da saúde acentuar, e geralmente as vítimas são os profissionais que estão fazendo o atendimento na ponta, ou seja, os profissionais de enfermagem, os médicos e até os técnicos administrativos. Porém, o grande culpado acaba sendo o próprio governo. Na gestão do ex-governador, o senhor Rodrigo Rollemberg, nós ainda tivemos um agravante, de se tentar utilizar a grande mídia para responsabilizar os servidores pela óbvio, que a falta de profissionais, de medicamentos, insumos, manutenção de equipamentos e de estrutura resultava a superlotação dos hospitais e demais unidades de saúde o que impedia aos trabalhadores da saúde, prestarem um bom atendimento à população.”, disse Vianna.

Dr. Gutemberg Fialho – Foto: SindMédico-DF

Na mesma linha, o presidente da Federação Nacional dos Médicos e do Sindicato dos Médicos do DF (SINDMÉDICO-DF), Gutemberg Fialho, também foi uma das vozes a se levantar, para denunciar as agressões à classe médica.

Em abril, o sindicalista apresentou os dados da pesquisa do COREN-SP e do CREMESP, além de ponderar, por exemplo, que “a insegurança provocada pelas explosões de fúria dos usuários levaram mais de 3.600 médicos a pedir exoneração ou a não assumir cargos para os quais foram aprovados em concursos públicos. Outros 400 se aposentaram.”.

Risco aos profissionais

Rosylane Rocha conselheira do Conselho Federal de Medicina – Foto: Flickr

Ao Política Distrital (PD), a conselheira do Conselho Federal de Medicina (CFM), Rosylane Rocha, explicou que os profissionais de saúde, quando se tornam vítimas de violência no ambiente de trabalho, podem ter comprometimentos profissionais e pessoais, graves.

“Essa prática muitas vezes afasta os médicos e demais profissionais de saúde, por causar um transtorno de estresse pós-traumático. Algo que pode cronificar um quadro depressivo e desencadear um quadro depressivo recorrente, e deixar sequelas nesses profissionais de saúde.”, explicou Rosylane Rocha.

Participe!

Os interessados podem ter acesso a pesquisa por meio do link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScIwXHVm4GXxBcNPUJf3Zz56MmcKLP0on9500HE5qXMgsyaXA/viewform

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