Cofen aprova assento federal para técnicos e auxiliares de Enfermagem após articulação de entidades

Proposta corrige assimetria histórica e adapta composição do plenário federal ao modelo proporcional existente nos Conselhos Regionais

Por Kleber Karpov

O plenário do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) aprovou, nesta segunda-feira (24/Nov), uma proposta de emenda ao Projeto de Lei 4.413/2021 para garantir assento a técnicos e auxiliares de Enfermagem na instância federal da autarquia. A decisão, tomada por unanimidade, visa replicar no Cofen o modelo de representatividade já aplicado nos Conselhos Regionais (Corens), assegurando a proporção de 3/5 de enfermeiros e 2/5 de profissionais de nível médio.

Reparação histórica

A medida busca corrigir uma distorção na Lei 5.905/1973, que rege o sistema, e atende a uma demanda antiga da categoria por isonomia política. Atualmente, apenas enfermeiros ocupam cadeiras no plenário federal, apesar de técnicos e auxiliares representarem a maior força de trabalho da saúde no país.

O presidente do Cofen, Manoel Neri, classificou a aprovação como um passo decisivo para a unidade da profissão. “É um passo histórico na construção de um Sistema verdadeiramente representativo e coerente com a diversidade da Enfermagem brasileira, fortalecendo a unidade da categoria e valorizando todos os seus profissionais”, afirmou Neri.

Articulação no Congresso

A emenda será levada ao Senado Federal pelo deputado federal Bruno Farias (Avante-MG). O parlamentar, que preside a Frente Parlamentar em Defesa da Enfermagem, assumiu o compromisso de conduzir as negociações com a relatoria e demais senadores para inserir o dispositivo no texto do PL 4.413/2021.

A construção do texto final ocorreu após uma reunião decisiva em 13 de novembro, que congregou o Cofen e diversas entidades de classe, incluindo a Associação Nacional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (Anaten) e sindicatos de vários estados, como o Sindate-DF.

O nascimento da ABRAEnf

Abraenf, Associação Brasileira de Entidades da Enfermagem de Nível Médio foi criada para mobilizar as categorias de auxiliares e Tecnicos em Enfermagem brasileira

O avanço institucional consolidado nesta semana é fruto direto de uma mobilização iniciada meses antes, em resposta à falta de representatividade política do nível médio. O movimento ganhou corpo em 2 de abril de 2025, com a fundação da Associação Brasileira de Entidades da Enfermagem de Nível Médio (ABRAEnf).

Conforme noticiado pelo PDNews à época, a criação da entidade foi uma resposta à aprovação inicial do projeto na Câmara dos Deputados, em fevereiro, que havia ignorado a inclusão de técnicos na composição do Cofen. A reportagem destacou a articulação do deputado distrital Jorge Vianna (PSD) para preencher essa lacuna de representação.

“Você que é técnico em Enfermagem, você não está mais órfão, agora você tem uma Associação brasileira para dizer que é sua”, declarou Vianna durante o lançamento da entidade, em abril.

Reação e mudança de rota

A fundação da ABRAEnf ocorreu em um momento crítico, logo após a Câmara dos Deputados aprovar o texto-base da reestruturação do sistema Cofen/Coren sem contemplar o nível médio. Na ocasião, lideranças sindicais criticaram duramente a relatoria do projeto.

Newton Batista, diretor do Sindate-DF, chegou a classificar a exclusão inicial como uma discriminação, apontando que a oportunidade de reparação histórica havia sido desperdiçada na primeira votação.

A pressão exercida pelas entidades de nível médio, catalisada pela criação da ABRAEnf e pela atuação de sindicatos como o Sindate-DF, reabriu o canal de diálogo com o Cofen e com os parlamentares federais, culminando no consenso atual.

Próximos passos

Com o apoio institucional do Cofen formalizado, o foco se volta para o Senado. A autarquia deve solicitar reuniões com a relatoria da matéria para apresentar a fundamentação técnica da proposta. O objetivo é assegurar que a alteração na lei garanta, de forma definitiva, que todos os segmentos da Enfermagem participem dos espaços de deliberação da autarquia federal.



Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

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