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02 fev 2026 06:35

Chorume de aterro sanitário é tratado antes de ser lançado no Rio Melchior

Diariamente, cerca de 1,2 milhão de litros do líquido resultante da decomposição do lixo passa por tratamento criterioso antes de seguir para o curso do Rio Melchior

Por Renata Moura

O Distrito Federal segue padrões internacionais para tratar os resíduos do lixo dentro do Aterro Sanitário de Samambaia. Diariamente, cerca de 1,2 milhão de litros de chorume (líquido resultando da decomposição de resíduos orgânicos) são tratados antes de ser lançados no Rio Melchior. O processo é periodicamente acompanhando por técnicos do Brasília Ambiental e da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa).

“Hoje, tratamos a produção diária de chorume com altíssima qualidade, dentro dos padrões do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente)”, explica o presidente do Sistema de Limpeza Urbana (SLU), Félix Palazzo.

Segundo ele, o tratamento segue um rito criterioso de acompanhamento e fiscalização. “Periodicamente o processo é fiscalizado e autorizado pelos órgãos de controle ambientais”, afirma. “Inclusive, os órgãos controladores já emitiram as autorizações para lançar a água no córrego, a partir da comprovação dos  testes de laboratório que comprovaram a qualidade”, completa.

Processo

Dentro do aterro, o lixo chega de todas as 33 regiões administrativas do DF, em caminhões pesados. São mais de 2,7 mil toneladas de lixo despejados diariamente e compactados com a ajuda de escavadeiras. “Embaixo dessas montanhas de lixo fizemos um colchão drenante, que evita qualquer vazamento do chorume e conduz o líquido em segurança para tratamento na estação”, detalha Palazzo.

O líquido segue paras duas lagoas de contenção, onde recebe produtos químicos que iniciam o processo de purificação. Em seguida, o chorume segue para 16 filtros da estação de tratamento. “Ao final, temos um líquido com qualidade suficiente para escoar no córrego Melchior”, completa o presidente do SLU.

Até 10 de fevereiro, a empresa trabalha na instalação de mais um processo, o de ultrafiltragem. “A qualidade já é muito bom e vai ficar ainda melhor. Com isto, vamos deixar o líquido ainda mais transparente”.

Passivo

“Embaixo dessas montanhas de lixo fizemos um colchão drenante, que evita qualquer vazamento do chorume e conduz o líquido em segurança para tratamento na estação”, detalha o presidente da SLU. Foto: Lúcio Bernardo Júnior / Agência Brasília

O presidente do SLU explicou que o passivo de chorume acumulado em seis lagoas de contenção é fruto do planejamento inicial de operação do aterro. “Naquele momento, a preocupação era acabar com o lixão da Estrutural. Não se pensou no tratamento do chorume”, lembra Palazzo.

Por isto, até maio do ano passado, o lixo em estado líquido era levado para a estação de tratamento de esgoto da Caesb. “A companhia foi impedida de continuar com os serviços e enquanto encontrávamos uma alternativa, começamos a construir as lagoas de contenção”, explicou.

Hoje, o aterro administra o acúmulo de 45 mil m³ de chorume. Estão abrigados em seis tanques: um com capacidade para 36 mil m³; e outros quatro, com 5 mil m³ cada. “Todos são impermeáveis, cobertos com uma capa de isolamento de dois milímetros de espessura”, explica o gerente do Aterro da Samambaia, Cícero Carlos Gomes.

O problema será resolvido até o final do ano, após licitação de empresa especializada que vai operar o tratamento de um volume maior de chorume. “É algo que vamos resolver até o final desse ano. A nova licitação, que prevê a ampliação do tratamento em cerca de 50%”, calcula Palazzo.

Segundo ele, o novo contrato vai conseguir ampliar o tratamento avançando para os resíduos acumulados nas bacias de contenção. “Hoje, a produção diária é de 800 mil litros em época de chuva. Na seca, cai pela metade e conseguiremos trabalhar o passivo”, explica.

Palazzo descarta a possibilidade de transbordo das lagoas e a consequente contaminação de lençóis freáticos. “Em função das chuvas, estamos construindo mais duas lagoas. Estamos acompanhando com técnicos isto de perto. Nunca houve nenhum caso de transbordamento, porque a gente fica em cima”, conta.

Fonte: Agência Brasília

 

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