8 de abril: Dia Nacional do Sistema Braille

O método mudou a vida de cegos e deficientes visuais. No DF, a Biblioteca Dorina Nowill é referência e refúgio desse público

O Dia Nacional do Sistema Braille é celebrado neste 8 de abril e permanece como um ‘ponto de luz’ ao lembrar como o método é indispensável na vida de pessoas cegas e com deficiência visual. O braille significa, antes de tudo, inclusão social. Aqui no DF, a Biblioteca Dorina Nowill, em Taguatinga, é a única unidade pública braille e o ponto de encontro desse público que a adota como uma segunda casa.

Com o nome em homenagem a uma professora cega que criou uma entidade para o acesso dos cegos à educação, a biblioteca tem um acervo de dois mil exemplares, com 800 títulos. Isso porque o livro em braille ocupa, em média, até três volumes. Obras para adultos, crianças e também audiolivros, além de um telecentro de acessibilidade, que reúne computadores com acesso livre à internet. Mais que um espaço para leitura, ali se reproduz artes como a música, poesia e muitas histórias contadas.

A coordenadora do espaço, Eliane Ferreira: “Digo aqui que é uma biblioteca viva… Não só com nossas obras, mas também com projetos de inclusão”

“Digo aqui que é uma biblioteca viva… Não só com nossas obras, mas também com projetos de inclusão, como as rodas de leitura semanais, a contação de histórias, a feira feita anualmente com entidades que atendem os deficientes visuais”, explica a coordenadora do espaço, Eliane Ferreira.

“A parte psicológica e emocional do cego muda muito na medida em que convivem uns com os outros, veem a capacidade de superação de seus pares e percebem que também podem se superar”, pontua Leonilde Fontes, servidora da biblioteca há 17 anos.

O músico Ricardo José aprendeu a habilidade de contador de histórias na Biblioteca Dorina Nowill

São frequentadores fiéis, como o músico e contador de histórias – habilidade aprendida na Dorina Nowill –, Ricardo José, 48 anos. Morador de Ceilândia, ele anima a turma com seu violão e o ukulele. Vai de metrô para a biblioteca.

Ou a pequena Ana Clara Xavier, 9, que tem cegueira total e vai com a mãe Maria Aparecida se divertir na biblioteca. Quando ela não vai, são os livros que vão para casa, emprestados. “Gosto muito dos livros. E se não fosse o braille, não conseguiria ler igual todo mundo”, conta. “Na primeira vez que fui lá, ganhei um conjunto de livros da Turma da Mônica. E, agora, quero um dia ir para cantar”, emenda Ana, com desenvoltura ímpar.

Reginaldo Ramos: “Acho que hoje as pessoas olham para gente com menos desprezo”

Missionário e morador do Jardim Ingá (GO), Reginaldo Ramos, 50, também é facilmente visto por lá. Carrega consigo uma réplica de uma bíblia, que combina o braille para se escolher a passagem e um aparelho de áudio que a reproduz. Também se arrisca na poesia, na qual escreveu as rimas de Brasília Terra Querida. “Acho que hoje as pessoas olham para gente com menos desprezo. Hoje tem cego com canal no YouTube, outros que escrevem livros ou apresentam programa de rádio, como já fiz”, revela. “Hoje o governo, de modo geral, nos dá mais oportunidades. E a biblioteca é meu refúgio”, confessa.

O braille

Criado pelo francês Louis Braille, o braille é um sistema de escrita e leitura tátil baseado em códigos em relevo, com os quais se pode representar as letras do alfabeto, algarismos, símbolos, dentre outros.

O 8 de abril, em nosso país, faz alusão ao nascimento de José Alvares de Azevedo, primeiro professor cego que trouxe o método da França, ensinou e divulgou o sistema de leitura e escrita que muda a vida de milhões de deficientes visuais em todo o mundo.

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