SindSaúde DF: Humilhação pública em nome da Democracia?

Política Distrital recebeu denúncia sobre uma ‘demissão’ da gerente da unidade, a enfermeira, Enfermeira Célia Regina da Costa Silva, promovida pela presidente do Sindicato dos Servidores em Estabelecimentos em Saúde do DF (SindSaúde-DF), Marli Rodrigues (25/Ago), no Centro de Saúde Nº 01 do Gama. A ação da dirigente sindical, registrada em vídeo, além de ser publicado no site da entidade, circula por grupos do aplicativo Whatsapp. Mas chama a atenção a reação de entidades ligadas à Saúde do DF contrários a ação da dirigente sindical.

A ‘demissão’ ocorreu durante um café da manhã, no que Marli Rodrigues chamou de assembleia. A sindicalista reuniu um grupo de servidores do CS1, supostamente, descontentes com a gestão de Célia Regina, além de membros da comunidade local, num ato de desagravo a gestora. No trecho disponível no vídeo publicado pelo Sindicato no website, a presidente da entidade menciona:

Ainda segundo Marli Rodrigues: “Não acabou, não acabou, o processo democrático ele tem que ser concluído, porque ele não é interrompido simplesmente porque uma pessoa levanta e diz que acabou e pediu exoneração. Aqui você tem que aprender uma lição. Aqueles que concordam com a saída da enfermeira Célia imediatamente do Centro de Saúde manifestem levantando os dois braços. Aqueles que são contrários à saída dela manifestem com os dois braços. Abstenção. Em nome da democracia, você está demitida.”, bateu o martelo.

Democracia?

Imediatamente após o julgamento Marli Rodrigues encerrou o discurso: “E hoje nós tivemos aqui um exemplo da força da democracia. Chama todo mundo. Democracia essa que consolidou-se nesse país. Quando as pessoas vão pra rua marchar, quando as pessoas concordam ou discordam. É o exercício pleno da democracia. E quando se discute se encontra uma solução. Eu quero aqui hoje que todo mundo dê as mãos e diga viva. Porque hoje nós ganhamos uma vitória, hoje nós vencemos a truculência, hoje nós vencemos a senzala branca, hoje nós vencemos o que tem de mais absurdo que é a falta de respeito. Por isso eu vou dizer, viva a democracia.”, comemorou Marli Rodrigues.

Arbitrariedade

Política Distrital questionou a Secretaria de Estado de Saúde sobre o episódio acontecido no CS1 do Gama. Por meio de nota a Assessoria de Comunicação (ASCOM) da SES-DF esclareceu:

“A Secretaria de Saúde repudia a atitude de desrespeito à servidora no pleno exercício de sua função e informa que não apoia qualquer ato de intimidação ou desrespeito aos profissionais da pasta.”, afirmou ou observar que somente o superior imediato pode exonerar servidor, e foi além: “A Secretaria de Saúde, por fim, informa que abriu sindicância para apurar os fatos.”.

Sindicato dos Enfermeiros

Por meio de uma nota de apoio a enfermeira Célia Regina, o Sindicato dos Enfermeiros do DF (SEDF) manifestou indignação em relação a forma como a reunião foi conduzida no CS 1 do Gama (31/Ago).

“Fala-se tanto em democracia, em diálogo, mas onde estão esses méritos? Vemos nessa situação um contraditório uso do empoderamento, que acontece quando as atitudes são arbitrárias, pessoais e intransigentes. Não se faz justiça com as próprias mãos, muito menos em nossa carreira. Os instrumentos legais estão à nossa disposição para que os utilizemos a favor da mesma democracia por vezes esquecida e em defesa de quem precisa e merece essa defesa. Não importa onde está o certo e o errado. O que importa é que julgue quem tem competência para julgar e que, a partir daí, consigamos instalar a verdadeira gestão e vivenciar a original democracia.”.

Coren-DF

O Conselho Regional de Enfermagem do DF (Coren-DF) também publicou “Nota de Esclarecimento sobre suposto caso de perseguição no Gama (1/Set)”, em que esclareceu que a Entidade não foi provocada ‘oficialmente’, embora tenham recebido questionamentos por meio do Whatsapp, encaminhados por profissionais de enfermagem.

Em trecho da nota o presidente do Coren-DF, Gilney Guerra de Medeiros, informa: “O Coren-DF não julga questões de ordem trabalhista nem administrativa, mas não poderia ficar inerte diante da ridicularizarão de uma profissional regularmente inscrita. Quem parte para situações de enfrentamento físico ou verbal e/ou expõe terceiros de forma constrangedora e sem consentimento assume responsabilidade direta por seus atos.”, afirmou ao sugerir que se utilize: “meios legítimos e apropriados para se denunciar, solicitar apuração de fatos e resolver situações.”.

Trauma

Política Distrital tentou contato com a enfermeira que preferiu não se manifestar. Mas o Blog conversou com uma médica, próxima a Célia Regina, que não quer ser identificada. De acordo com a profissional, a enfermeira está em quadro de depressão e se submeteu a tratamento psicológico em  decorrência da exposição ‘democrática’ da presidente do SindSaúde-DF.

Confirma o vídeo publicado no website do SindSaúde:  

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