Por Kleber Karpov
Pesquisa nacional realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) e pela consultoria Quaest, divulgada nesta quarta-feira (30/Set), em Brasília, revelou que 83% dos fiéis cristãos rejeitam a indicação de voto por parte de lideranças religiosas. O levantamento estatístico apontou ainda que 90% dos entrevistados se posicionam contra atos de campanha eleitoral dentro de templos em todo o território nacional.
O pastor Lucas Oliveira, de 30 anos, atuante em uma igreja batista no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, avaliou os impactos do partidarismo nas congregações. O líder religioso apontou desgaste nas comunidades devido a divisões ideológicas ocorridas em pleitos recentes.
“Conheço pastor que lá em 2018 estava fervorosamente apoiando candidaturas, mas que hoje não quer nem tocar nesse assunto, quer esquecer que um dia fez campanha política. Porque com isso ele perdeu um número expressivo [de fiéis] da igreja. E o número não volta. Eu recebi muita gente. Nesse período, eu dialoguei com muita gente que estava machucada. Então, a igreja hoje, quando o assunto é política, se tornou um lugar de pessoas machucadas”, disse Lucas Oliveira.
Mediação digital dos valores
A pesquisadora Lívia Reis, do Iser, explicou que a presença das pautas religiosas no cenário político se deslocou dos púlpitos tradicionais para as ferramentas tecnológicas de comunicação. O estudo registrou que 66% dos entrevistados utilizam aplicativos de mensagens virtuais para a articulação interna de seus grupos de fé.
“As redes sociais e o WhatsApp permitem que a religião esteja na política sem passar pelo púlpito. A mensagem política chega pelo grupo da igreja, pelo influenciador religioso ou pelo vídeo compartilhado pela família, sem a formalidade de uma indicação no culto. Assim, a mediação religiosa se desloca do templo para um ambiente digital mais difuso, mas igualmente ancorado em relações de confiança”, disse Lívia Reis.
Liberdade de consciência
O pastor Moisés Blanco, de 46 anos, integrante da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito em Natal, associou a recusa ao uso partidário dos templos ao princípio histórico da separação entre Igreja e Estado. O levantamento abrangeu 15 mil entrevistas presenciais em 412 municípios brasileiros, com margem de erro de um ponto percentual.
A sondagem demonstrou que o segmento evangélico corresponde a 29% da população e abriga divergências em relação a debates morais e programas sociais. O estudo apontou que 79% dos fiéis apoiam a educação sexual nas escolas públicas, enquanto 75% dos cristãos declarados conservadores defendem a manutenção do Programa Bolsa Família .
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;
















