Por Kleber Karpov
Uma das medidas que chama atenção de PDNews, na saúde, é a mobilização, por parte da governadora do DF, Celina Leão, para dinamizar o fluxo de atendimento nas unidades de saúde, em especial nas Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs). Em entrevistas e coletivas de imprensa, a governadora, faz questão de ressaltar um investimento de cerca de R$ 100 milhões de reais aplicados em reformas de alas de internação, centros obstétricos e terapia intensiva, além da determinação de aquisição e instalação de aparelhos de tomografia em todas as UPAs para eliminar o transporte rotineiro de pacientes e dinamizar o fluxo de atendimento entre as unidades de saúde.
A instalação dos equipamentos de imagem, deve reduzir o gargalo que ampliava consideravelmente o tempo de intervenções, interações e efetividade do tratamento, dado a dependência de logística tanto com deslocamento de pacientes, além da própria disponibilidade de vagas para a realização de exames de imagem.
Atualmente, segundo informações da Assessoria de Comunicação (Ascom) da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), em apuração de PNDews, atualmente a rede hospitalar do DF conta com 12 tomógrafos instalados nos hospitais regionais de Planaltina (HRPL), Gama (HRG), Ceilândia(HRC), Taguatinga (HRT), Asa Norte (HRAN), Região Leste (HRL), além de outros dois equipamentos em Santa Maria (HRSM), e quatro no Hospital de Base do DF (HBDF). Essas duas últimas unidades sob gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IGESDF). As unidades de Sobradinho (HRS) e Samambaia (HRSAM), segundo a SES-DF, contam com uma unidade cada uma, em fase de montagem. E, embora não tenham listado o Hospital da Criança de Brasília José de Alencar, também conta com um tomógrafo.
Quebra de paradigmas
Embora o IGESDF não tenha se manifestado, até a publicação da matéria, sobre o andamento das instalações dos tomógrafos nas de tomógrafos nas Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs), é importante ressaltar a mudança de paradigma imposta por Celina Leão, por dinamizar a rotatividade no atendimento aos usuários do SUS com premissas extremamente simples e inovadora.
Ao determinar tais instalações , embora a governadora tenha sido criticada, por opositores por ‘mudar’ a destinação originária dessas UPAs, o fato concreto é, se bem implementada, além de evitar remoções de pacientes e, consequentemente evitar vários transtornos e até intercorrências aos usuários do Sistema único de Saúde (SUS), tal iniciativa ainda desafoga toda logística ao transporte de pacientes, e evita a sobrecarga no fluxo de atendimento das outras unidades de saúde por deixarem de ser sobrecarregadas.
Adequação à realidade
Talvez, por não ser profissional de saúde, ou por compreender a necessidade de demandar adequações e aplicações de soluções criativas em cenário onde a realidade da contratação de médicos concursados ou mesmo em processos seletivos de contratos temporários, impõe a escassez de oferta de especialistas e até de generalistas à saúde pública, Celina Leão apresenta uma resposta viável a sociedade brasiliense, tal qual no restante do país DF, caracterizada pela crescente densidade demográfica.
Ao instituir a instalação de um tomógrafo em cada UPA do DF, a governadora mantém o Unidade da Federação na condição de precursora de inovações, ao dar respostas e entregas à população. Um exemplo está na incorporação, por parte do Ministério da Saúde (MS), ao Projeto Mais Médicos Especialistas, quando o ministro Alexandre Padilha (PT), aplicou ao programa, um conceito inicialmente implementado pela SES-DF, em 2024, pela então secretária de Saúde, Lucilene Florêncio. Para aumentar a oferta de atendimentos, a gestora contratualizou, junto a rede privada, a realização de procedimentos cirúrgicos e atendimentos especializados, em resposta a escassez de médicos. Alguns com vagas aptas a serem preenchidas por concursados que, convocados à nomeação, enviavam os nomes para o final da lista.
Soluções criativas x adaptativas
Aliás, a premissa de Celina Leão, é transformadora à Saúde Pública do DF, ao se considerar, apenas os sete tomógrafos a serem disponibilizadas aos usuários do SUS, até o final do ano — ao considerar HRS, HRSAM e cinco UPAs em finalização —, em cinco meses de governo, em apenas cinco meses a Leoa deve superar gestões inteiras de ex-mandatários do GDF, inclusive a do médico, o ex-governador, Agnelo Queiroz (PT)(2011/2014).
Algo que leva ao questionamento sobre a inação de governos anteriores sobre, porque tais iniciativas não foram implementadas antes? Porque o HBDF permaneceu, por anos, com um tomógrafo que chegou a ser escondido por parede falsa, durante a gestão do ex-governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), caso esse denunciado, em 2016, por parte do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde do DF (SindSaúde-DF), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF)?
Tempo de mudanças x fim da falácia
As dinâmicas que respondem a tais questionamentos, são as mesmas que jogam por terra, o discurso fácil dos opositores de Celina Leão com a ‘formula mágica’ de resolver o problema da saúde pública do DF, com contratação de 10 mil médicos. Falácia hospital ou medicalocêntrica essa adotada aos postulantes parecem ignorar, ou desconhecer, premissas simples a exemplo dos dimensionamentos de equipes, que impõe à gestão da saúde pública, abordagens e equipes multiprofissionais.
E, dado o contexto abre o questionamento. E será que vão contratar também as equipes complementares, nas mesmas proporções, de enfermeiros, técnicos em enfermagem, laboratório, raio x, agentes comunitários, agentes de vigilância, de saúde ambiental, saúde bucal. Profissionais esses que se confrontados os discursos dos proponentes com dados a exemplo do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), ou de instituições como do Conselho Federal de Medicina (CFM) em abordagem de demografia médica, e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), facilmente imporia uma variação de oito a 10 profissionais de saúde, por médico contratado.
Será que os candidato previram a necessidade de recursos humanos multidisciplinar para garantir o fluxo de atendimento médico proposto? E, onde vão atender, apenas com as estruturas hora existentes, ou vão invadir os estacionamentos? E como vão driblar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), pisos e tetos estabelecidos constitucionalmente? E, o mais importante, como vão obrigar as nomeações de médicos que preferem atuar na iniciativa privada?
Jogada de marketing… burra
Fora do ‘mundo mágico’ de quem jura que jura fazer gestão fantasiosa, Celina Leão começa a fazer a sociedade brasiliense a compreender que “as filas não acabam”, ao abordar que falta de médico vai muito além da atual gestão governamental, por serem dinâmicas. Isso, com um agravante, a depender do nível de omissão do gestor, e até mesmo da imposição por uma pandemia, ou mesmo epidemia, tais demandas podem atravessar décadas.
Nesse contexto, a Leoa resgatou a demanda reprimida, e tem demonstrado que demandas herdadas ainda da gestão de José Roberto Arruda (2010), no caso concreto, impactada por aproximadamente três anos sem atendimentos ambulatoriais em normalidade, e de cirurgias eletivas, qualquer discurso a sugerir omissão do governo para “acabar com as filas” é apenas jogada de marketing.
Enquanto isso
Com a expertise que quem teve, como diria Fausto Silva, “que se virar nos 30”, ao lidar, ainda em 2024 com a epidemia de dengue no DF. Aliás um case com reconhecimento da então ministra da Saúde, Nísia Trindade, em janeiro de 2025, que Celina Leão deixa de explorar politicamente. Na avaliação deste articulista, o início da marca registrada da bota no chão, caneta na mão, em que a Leoa inaugurou o modelo multi — multitarefa, multiequipe, multidisciplinar —, de governar, refletido em tantas outras iniciativas a exemplo do programa GDF na Sua Porta, tema de outro artigo.
E se observar bem, tal iniciativa, ganha amplo espectro, quando se tem o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a recomendar o governo do Distrito Federal, a realizar ações conjuntas na contratualização e implementação de políticas pública, na Saúde, em parceria com o governo de Goiás. Por exemplo, em possível construção de hospital com administração integrada entre DF e GO, no entorno Sul para atender a população das duas unidades federativas.
Ao que parece… São tempos de mudanças. A boa notícia, ao menos até o momento, é que a Saúde, tradicional celeiro e fábrica de corrupção, ao que indica, ao momento parece estar imunizada.
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Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

















