Por Kleber Karpov
Em entrevista à CNN Brasil, nesta terça-feira (18/Ago), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), abordou a crise financeira no Banco de Brasília (BRB), iniciada em novembro do ano passado. Questionada por Larissa Rodrigues e Mateus Teixeira, Leão detalhou as medidas de reequilíbrio fiscal adotadas em sua gestão, defendeu a solidez da instituição, se distanciou da controversa negociação com o Banco Master e criticou a morosidade do governo federal em conceder o aval necessário para um empréstimo destinado a resolver a situação.
Gestão fiscal e a saúde do BRB
Celina Leão afirmou ter herdado uma “situação financeira difícil”, mas que já conseguiu reequilibrar os cofres públicos. Segundo a governadora, as contas do Distrito Federal estão sendo pagas em dia, com uma previsibilidade de superávit de R$ 3 bilhões para o final do ano. O resultado é atribuído a medidas como o corte de 25% em contratos de custeio da máquina pública.
No que tange à instituição financeira, Leão garantiu que o BRB é um banco sólido, com liquidez positiva e em pleno funcionamento. Ela expressou confiança de que um acordo para o empréstimo com outros bancos, conforme firmado no Supremo Tribunal Federal, será assinado em breve.
“Olha só, o mais importante de tudo é a gente tem que relembrar quando começou essa crise com o BRB: foi em novembro do ano passado. O BRB é um banco sólido, é um banco que se mantém de pé pagando todas as dívidas em dia e o que o BRB precisa é de uma oportunidade. É atrás disso que eu estou desde quando eu assumi o governo, com muita responsabilidade. Herdei uma situação financeira difícil que já reequilibrei os cofres públicos. Hoje nós pagamos as contas do Distrito Federal em dia, temos uma previsibilidade para o final do ano de 3 bilhões aí realmente de superávit. Acho que isso é o primeiro passo mais importante: você que quer governar uma cidade, você precisa de ter ela equilibrada contabilmente. E ao custo de cortarmos aí o custeio da máquina pública, foram vários decretos cortando 25% de contratos para que a gente pudesse economizar e voltarmos aí a termos o superávit. No caso do BRB não foi diferente: o BRB se manteve com a liquidez positiva, tanto que ele está em funcionamento, e eu acredito que em breve a gente vai conseguir assinar o acordo do empréstimo aí com os bancos, conforme o acordo que foi firmado no Supremo.”, disse Celina Leão.
O caso Master e o entrave com a União
Confrontada sobre a negociação com o Banco Master, iniciada quando ainda era vice-governadora, Celina Leão distanciou-se da responsabilidade pelo caso e detalhou a atual dificuldade em obter o aval da União para um empréstimo que considera vital para o BRB. Ela reforçou que se opôs publicamente à transação com o Master na época e que, como governadora, herdou o problema e tem a responsabilidade de solucioná-lo.
“Olha, o Distrito Federal me conhece. Na época quando surgiu a primeira expectativa de se comprar o Banco Master, eu fui publicamente contrária. Durante todo este tempo sobre essa situação de Master meu nome sequer foi citado em diálogos ou qualquer tipo de transcrição. Para você ter noção, Larissa, meu nome não consta nem no celular do Vorcaro. Então há um distanciamento sim. Quando você é vice-governadora você não governa a cidade na sua plenitude, você é vice-governadora. E no caso do Master eu fui contrária, ficou público isso. Mas como governadora que hoje sou, herdei um problema que eu tenho que ter responsabilidade de resolvê-lo.”, afirmou a governadora.
Pente fino
Celina Leão fez questão de ressaltar a responsabililidade de ter, além de trocado toda a diretoria do BRB, também contratado a CROW, ao que classificou se tratar de “uma das maiores auditorias do mundo”.
“Todos os documentos, inclusive alguns inquéritos que foram instaurados, foram feitos pela nossa auditoria. Então há um distanciamento muito profundo sobre o nosso mandato da Celina Leão sobre a responsabilização do Master. O que recai sobre mim hoje, Larissa, é a responsabilidade de salvar o banco e é isso que eu tenho feito. Acho que problemas.”, disse Celina Leão.
Morosidade da União
A chefe do Buriti chamou atenção ainda à morosidade por parte da União, em relação a demanda que envolve o empréstimo de recursos por parte do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao GDF. Celina Leão fez questão de ressaltar que o papel do governo federal é de tão somente, “do aval” da União, uma vez que o DF tem capacidade de pagamento e o empréstimo será realizado junto ao FGC.
“Até porque nós temos garantias, garantias sólidas. O DF não tem um histórico de endividamento e é muito bom porque é essa sensação que o governo federal quer passar: ‘olha, nós não fizemos, nós não vamos ajudar’.’, Lamentou.
A governadora fez questão de ressaltar a recuperação fiscal do DF, a previsão de, em 2027 ter recuperado plenamente a Capacidade de Pagamento (Capag) e com isso obter recursos por intermédio de financiamentos internacionais e voltou a questionar a resistência do aval do governo federal a captação de recursos, por parte do GDF, junto ao FGC.
“O que eu estou precisando não é de ajuda objetiva, é simplesmente o aval da União. O aval da União… O que que seria de garantia? Eu tenho várias garantias: eu tenho meu fundo estadual e meu fundo de prefeituras, porque eu sou estado e município. Então é o aval do aval, a gente só recorreria a esse recurso se o estado do Distrito Federal não desse conta de pagar esse empréstimo que seria em 15 anos com 3 anos de carência. Então são muitos obstáculos que são colocados para se resolver um problema que a gente teria condição de resolver.”, ponderou Celina Leão.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;














