Por Kleber Karpov
Falas recentes do ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamaram atenção do PDNews, ao se referir a insatisfação de equipes do governo federal que atuam na viabilização de acordo em que a União, na condição de viabilizar o empréstimo com garantia de outros bancos, por parte do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao Governo do Distrito Federal (GDF), para cobrir o rombo do Banco de Brasília (BRB), de transações na aquisição de títulos podres do Banco Master, negociadas em meados de 2025.
Durigam, convidado a participar da negociação intermediada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tem posicionamento contrário ao endosso do empréstimo, dado ser de “origem criminosa”, a motivação do pedido de empréstimo, por parte da governadora do DF, Celina Leão (Progressistas) ao FGC, o qual requer o endosso do Governo Federal.
Em reportagem do G1, da Rede Globo (13/Ago)(Veja Aqui), entrevista gravada, no dia anterior, o Durigan comentou a insatisfação “nas equipes do governo federal” ao que sugeriu se tratar de críticas, dado a morosidade de encaminhamento nos trâmites do empréstimo. “Gerou profunda insatisfação nas equipes, do governo federal, que tem trabalhado para viabilizar o acordo que parece bastante estranho, quando a gente lembra que o problema do BRB, quando o que está colocado é um problema que tem origem criminosa, no governo do DF e no BRB as pessoas estão respondendo por isso, inclusive.”, disse.
O ministro foi além, ao descartar envolvimento do Governo Federal, no caso concreto, e se dispor a atuar no caso ao ser provocado pelo GDF na demanda intermediada junto ao Supremo. “A União que não tem nada que ver com essa história, nós nunca tivemos relação com esse tipo de gente, foi chamada ao Supremo, a pedido da governadora [Celina Leão], nós nos dispusemos a ir ao supremo, fechamos o acordo possível e as equipes têm trabalhado. Então, a equipe que tem feito inúmeras reuniões para viabilizar, sejam as garantias que o GDF oferece, seja para entender quais os trâmites que devem ser feito com os Bancos e com o FGC, ficou incomodada com esse tipo de declaração que é totalmente descabida, lembrando que o que está pendente de conclusão do acordo são informações e o plano de negócios que envolvem o BRB e o GDF que tem que ser apresentado para o FGC e para os bancos, e tem que ser crível”, concluiu.
Do DF à Praça dos Três poderes e ao Brasil
Importante ressaltar que o acordo foi firmado em maio de 2026, pouco após 30 dias do início da gestão de Celina Leão, em 31 de março do mesmo ano. Na ocasião, era público que o rombo do BRB era estimado em cerca de R$ 2 bilhões. Contudo, nas semanas seguintes, esse rombo chegou a superar o valor na casa dos R$ 15 bilhões.
À medida em que a Leoa, descobria a extensão dos danos herdados, as investigações iniciais na operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF) e a imprensa evidenciaram um enorme esquema de corrupção patrocinado pelo então presidente do Banco, Paulo Henrique Costa, com o também presidente do Master, Daniel Vorcaro, ambos presos preventivamente. Esquema esse que, da banda de Vorcaro, envolve diversos políticos, governos e autoridades ligadas, em especial, ao Legislativo e Judiciário brasileiro, casos esses investigados.
“Origem criminosa”
Em relação as fronteiras do GDF e BRB, Durigan enfatizou a isenção do Governo Federal, além de referenciar, em um argumento forte, sobre a origem criminosa, dar origem ao pedido de socorro do GDF. Declaração essa, robusta, trouxe o questionamento. Tal colocação ocorre em relação à ausência de membros do governo federal no contexto? Se sim, o Distrito Federal, na condição de uma unidade da federação, acaso não tem legitimidade para pedir suporte à União em uma demanda, sensível à governabilidade do Distrito Federal?
Acaso, independente de a origem ser criminosa, a julgar que os criminosos estão presos, e que dado a repercussão da própria imprensa, fica claro, ao menos ao que as investigações mostram até o momento, se tratar de uma prática criminosa praticada entre gestores de dois bancos, ainda que o ‘start’ tenho ocorrido a partir de uma demanda do então governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), a compra de ativos do Banco Master? Não compete ao Governo Federal, dar o suporte solicitado?
Por esse prisma, ainda que em um contexto de calamidade pública, o governo Lula, por exemplo, na reconstrução do Rio Grande do Sul (RS), após as enchentes de maio de 2024, não deu aportes financeiros e investimentos na ordem de R$ 140 bilhões para dar suporte às 429 mil famílias atingidas, trabalhadores, comerciantes, etc, segundo informações do PT (Veja Aqui), de fevereiro de 2025, isso por meio da edição de ao menos cinco medidas provisórias de créditos extraordinários, realizadas entre maio e dezembro daquele ano.
Mas, talvez se questione: – Mas isso não se trata de um crime, foi uma calamidade pública. Mas, será? Embora negue, o governo estadual é taxado, no episódio de 2024, por omissão, por deixar de colocar em prática estudos contratados pela própria gestão de Eduardo Leite (ex-PSDB atual PSD), conforme reportou a Agência Pública (Veja Aqui). Caso que a própria Anistia Internacional, ao retornar ao Estado, após a tragédia, reiterou a negligência do governo pós-enchente, por descumprir compromissos assumidos (Veja Aqui).
Mas, e se a colocação de Durigam estiver relacionada a deixar, Celina Leão, ou o governo e até mesmo o BRB, ficar a míngua, uma vez que a origem do pedido de ajuda, ou do empréstimo tem origem criminosa? Por esse, prisma, vale lembrar que, há pouco mais de um ano, estourou no país o chamado escândalo do INSS, conhecido como a “Farra do INSS” investigado pela Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF, que envolve um esquema bilionário de descontos indevidos e associativos sem autorização diretamente nas aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Na ocasião, o próprio presidente Lula, se antecipou às investigações, para garantir que os beneficiários do INSS fossem prontamente ressarcidos e não permanecessem em prejuízo. Importante ressaltar que o episódio em questão, segundo as investigações, ao que tudo indica, contou com ampla participação de políticos de espectro de direita, mas que também acabou por rescalar, ainda que por eventuais jogos políticos, a começar na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) de 2025, até mesmo em parentes do presidente.
No caso concreto, o governo federal editou a Medida Provisória (MP 1.306/2025) publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 17 de setembro de 2025, em que abriu crédito extraordinário ao Orçamento da União de R$ 3,3 bilhões, para garantir o ressarcimento de aposentados e pensionistas vítimas de descontos fraudulentos, de desvios investigados, referentes ao período de 2019 até 2024, com rombo estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Lula teria se antecipado para tentar acobertar algum crime com envolvimento de algum membro do Governo Federal? Análises indicam a inexistência de indícios, ainda que membros da CPMI do INSS de tentar tentado envolver o filho do presidente no escândalo, caso sob investigação, novamente, por parte do STF. O mais provável é que Lula de fato tivesse interesse em garantir que os aposentados e pensionistas não permanecessem desassistidos, uma vez que as aposentadorias e pensões, em geral, única fonte de renda dos beneficiários.
Oportunismo Eleitoral
Um terceiro elemento, ou questionamento, diante de toda conjuntura a envolver o escândalo do BRB, a reeleição de Celina Leão que mesmo com a herança dessa bomba, ainda assim se mantém com larga vantagem da corrida eleitoral, há menos de dois meses do primeiro turno e três para definição de quem deve prosseguir no comando do GDF, a partir de 2027, resta um último questionamento, não menos relevante. Será que essa demora não se trata de oportunismo eleitoral? Como forma de levar desgaste a governadora?
Para o contexto, PDNews sempre se ateve a um discurso recorrente, por parte do presidente Lula, que independente do governo, se de situação ou oposição, o tratamento dispensado pelo Governo Federal, é exatamente o mesmo. Caso esse, repercutido por diversos membros do governo, em relação as fugas do governador de Santa Catarina, Jorginho Melo (PL) em relação a reuniões ou entregas, da União, ao Estado. Casos que se repetiram em relação ao governador do Rio Grande do Sul, Cláudio Leite (ex-PSDB atual PSD), ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e até mesmo com prefeituras, caso de Abilio Brunini (PL), prefeito de Cuiabá (MT).
Não por outro motivo, durante debate dos candidatos ao governo de SP, na Band SP, na última semana, Freitas foi por diversas ocasiões confrontado pelo adversário, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), por ter deixado de receber recursos do Governo Federal, por questões ideológicas, de forma a se esquivar de aparecer em foto com Lula. Um dos casos mencionados por Haddad, o político comentou que o governador de SP, deixou de receber uma média de R$ 1 bilhão por mês, por deixar de aderir a um dos programas do Governo Federal (Veja Aqui).
Porém, também chamou atenção reportagem de Agência Brasil, repercutida por PDNews, sobre liberação de R$ 12 bilhões, por parte da Fazenda, para os estados de São Paulo, Piauí, Maranhão, Pernambuco e Rondônia. Liberação essa que só ocorreu, segundo a matéria, apenas após SP ingressar com ação junto ao STF.
Para o mercado financeiro…
Na última semana, o GDF, em entrevista coletiva, Celina Leão, apresentou o balanço fiscal do primeiro semestre, e anunciou um superávit de aproximadamente R$ 3 bilhões até o encerramento de 2026, após aplicar medidas de ajustes de ajustes fiscais de contenção de gastos públicos e de arrecadação. Porém, ainda que tenha oferecido garantias, no que tange ao empréstimo do FGC, dos Fundos de Participação Estadual (FPE) e dos Municípios (FPM), estranhamente, em possível alinhamento a visão ortodoxa sugerida pela Fazenda, ao questionar a Capacidade de Pagamento (Capag) do DF, o mercado financeiro entrou em cena.
Esse, mercado financeiro, ótimo em errar 95% das previsões quanto ao rumo do país que, ao Estadão, afirmou que o “a saída menos dolorosa para o BRB é a separação de ativos e a venda do banco”, isso como solução alternativa para se evitar a dissolução do banco. Em reportagem, os ocupantes da Avenida Paulista, com endosso do Banco Central, contam com a possibilidade de abocanhar, os ativos bons, dos ruins.
Suporte à população
E esse é o X da questão, quem será prejudicado ou beneficiado na ponta, a população. E em relação ao BRB, para além dos 206 mil servidores do GDF, incluídos os aposentados e pensionistas, conforme lembra Celina Leão, o BRB é um ativo importante para atender milhares de pessoas em todo o Distrito Federal, assistidos por mais de 15 programas sociais, a exemplo do DF Sem Miséria, Prato Cheio, Cartão Material Escolar, Cartão Uniforme Escolar, Cartão de Auxílio às Mulheres Vítimas de Violência, Vale-Gás, cartão creche, DF Social, Auxílio Moradia, Cesta Verde, Cartão Órgão às vítimas de feminicídio.
O DF recebeu em março desse ano o Selo Betinho, por promover ações de combate à fome, concedido pela Organização da Sociedade Civil Ação da Cidadania. Sob essa ótica fica o questionamento. À população do DF, os programas de assistência social é um ativo bom, ou ruim? E se fosse o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica, será que Lula deixaria privatizar?
Quanto aos investigados, que esses sejam julgados, se condenados, presos e que respondam pelos crimes cometidos. Ainda que as prisões avancem para além dos presidentes do BRB e do Master. Sob a ótica da gestão, PDNews tende a acreditar que o pedido de Celina Leão, ao Governo Federal, se assemelhe a intenção de Lula, no episódio do Rio Grande do Sul, em garantir cidadania e dignidade às 429 mil famílias daquele estado, de acordo com o Censo do IBGE, o Rio Grande do Sul (2022), uma população equivalente a 10% dos 4,2 milhões de domicílios particulares permanentes ocupados daquele estado.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;














