Por Kleber Karpov
No mês de conscientização sobre a Atrofia Muscular Espinhal (AME), celebrado em agosto, entidades de pacientes alertam que a demora na implementação da Lei nº 14.154/2021, que amplia o teste do pezinho, compromete o diagnóstico e o tratamento da doença no Brasil. Aprovada há cinco anos, a norma ainda não foi adotada na maior parte do país, resultando em um tempo médio de espera de 1,7 ano entre a confirmação da AME tipo 1 e o início da terapia, o que pode causar perdas motoras irreversíveis.
A Lei nº 14.154, sancionada em 2021, expandiu o número de doenças rastreadas pelo teste do pezinho no Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, cinco anos após sua aprovação, a triagem neonatal ampliada é uma realidade apenas no Distrito Federal, em Minas Gerais e no Mato Grosso do Sul, de acordo com o Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal (Iname).
Outros três estados — Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul — estão atualmente em fase de implantação do programa. O Ministério da Saúde estabeleceu um prazo até 2030 para que a ampliação esteja concluída em todo o território nacional, mas a AME foi incluída apenas na última etapa do cronograma de implementação.
Segundo dados do Iname, o diagnóstico da AME tipo 1 ocorre, em média, aos 5 meses e 5 dias de vida da criança no país. Para a presidente do instituto, Diovana Loriato, a detecção precoce é determinante para o prognóstico. “A perda de neurônios motores na AME tipo 1 é rápida e ocorre principalmente nos primeiros meses de vida. O diagnóstico precoce é a única forma de evitar essa cascata de perdas.”
Judicialização para garantir tratamento
O Cadastro Nacional da AME, que atua como um censo da doença no Brasil, revela que a dificuldade de acesso aos tratamentos leva a altos índices de judicialização. Entre os pacientes com AME tipos 1 e 2, 39% precisaram recorrer à Justiça para iniciar a terapia.
O percentual é ainda maior para pacientes com AME tipo 3, que não possui tratamento disponível no SUS. Nesse grupo, 73,9% dos pacientes dependem de uma decisão judicial para obter o tratamento necessário, evidenciando as barreiras para o acesso.
O impacto do diagnóstico em duas realidades
A história da família de Keila Barbosa Pereira Mendes, de 35 anos, ilustra a diferença que o diagnóstico rápido pode fazer. Seus dois filhos, Heitor, de 6 anos, e Heloisa, de 4, ambos com AME tipo 1, tiveram desfechos completamente distintos devido ao momento em que a doença foi identificada.
“O Heitor foi diagnosticado aos três meses, após uma parada respiratória. Foi encaminhado para a UTI, onde foi entubado e passou por traqueostomia. Ele vive em um hospital de Teresina por causa dos cuidados médicos. Ele não anda, não fala”, disse Keila Barbosa.
A genitora ressaltou ainda, a importância do rápido diagnóstico ao relatar o caso da filha. “Quando a Heloisa nasceu, ela fez o teste genético imediatamente. Com 15 dias, tivemos o resultado e, seis dias depois, ela já iniciou o tratamento. Ela não tem nenhum sintoma de AME, caminha, pula, vai à escola. É uma menina muito independente. São realidades totalmente diferentes”.
Terapias e desafios de acesso
O Brasil oferece terapias de alta tecnologia para a AME através do SUS, como a Zolgensma, uma terapia gênica de dose única cujo custo é estimado em R$ 7 milhões. Apesar dos avanços farmacológicos, a doença ainda não tem cura.
Além do acesso aos medicamentos, muitas famílias enfrentam outras barreiras. A dificuldade para obter equipamentos essenciais, como respiradores para tratamento domiciliar, força a permanência de pacientes em ambiente hospitalar por longos períodos.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;














